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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 6 de março de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Minha Amiga do Parque



Sinopse: A jovem e aflita mãe Liz se esforça para cuidar de seu filho recém-nascido enquanto o marido cineasta trabalha. Sentindo-se excluída do grupo dos outros pais que frequentam o parque, Liz acaba se aproximando da operária Rosa, uma mãe solteira de palavras simples. Mas as diferenças de classe cada vez mais aparentes entre as amigas, juntamente com os rumores que circulam sobre as intenções de Rosa, alimentam as suspeitas de Liz de que esta amizade pode ser perigosa.
 

Minha Amiga do Parque somente comprova que o cinema argentino continua forte em termos de qualidade de roteiro e que não deve nada aos gringos. Ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance, Minha amiga do parque, dirigido, escrito e interpretado por Ana Katz é uma crônica sobre a dificuldade de aceitação da maternidade em tempos de empoderamento feminino. Liz (Julieta Zylberberg, de um dos contos de Relatos Selvagens) é uma jovem mãe que cria seu bebê Nicanor, praticamente sozinha. Seu marido Gustavo (Daniel Hendler, marido na diretora) está realizando um documentário sobre um vulcão nos confins do Chile e não dá o suporte necessário para que Liz tenha uma vida autônoma, fazendo contatos esporádicos via Skype. Ouvindo o conselho do pediatra, Liz leva Nicanor para passear no parquinho e lá ela conhece a estranha Rosa (Ana Katz), uma operária que cuida do filho pequeno de sua irmã Renata (Maricel Alvarez). A partir daí, as duas desenvolvem uma amizade constantemente abalada pela instabilidade de Rosa. 
O cinéfilo entra então num cenário de ambiguidade, tomado por curiosidade, mas no fundo com muito receio. Minha Amiga do Parque é um filme psicológico, transitando entre o drama e até mesmo com algumas pitadas de suspense, onde se coloca os desafios da maternidade como pano de fundo e de um retrato sobre o preconceito contemporâneo de uma forma sutil, mas eficaz. A cineasta consegue ir muito além do previsível e obtendo a criação de um retrato sobre a prisão da vida domestica de muitas mulheres de hoje e sem que elas se deem conta disso.
De um lado, temos a classe (aparentemente) de boa vida, representada por Liz, que abandona seus ideais para cuidar do filho. Do outro á humilde Rosa, operária livre, malandra e independente. Em comum, ambas são prisioneiras no seu dia a dia maternal, mas que procuram sempre uma válvula de escape para que assim consigam obter a realização de suas vidas profissionais e pessoais. O obstáculo então só será vencido quando então as cortinas do preconceito se abrir e fazerem elas se darem conta o quão às mulheres são fortes juntas. 
Minha Amiga do Parque é um retrato sobre a paranoia criada pelas diferenças de classes do mundo de hoje, cada vez mais absorvida pelo medo e se esquecendo do bem mais precioso vindo da união e amizade pelo próximo.

 Em Cartaz: Cinebancários: Rua General da Câmera 424, centro histórico de Porto Alegre. Horários: 15h, 17h e 19h.   



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