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terça-feira, 13 de março de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Pra Ficar na História



Sinopse: O documentário acompanha o dia a dia do descendente de italianos Luiz Henrique Fitarelli. Há mais de dez anos, ele constrói seu próprio povoado colonial em Garibaldi. A Villa Fitarelli, como é conhecida, também serve de museu e locação para novelas e filmes de época. O longa estreia 8 de março.


Entre dois continentes, o cineasta Boca Migotto (Bairro Bom Fim) acompanhou a rotina de Luiz Fitarelli durante 17 dias, com imagens captadas em Garibaldi, na serra gaúcha, e nas cidades italianas de Lentiai, Marostica, Canal San Bovo e Padova. “Levamos nosso protagonista para o norte da Itália, região de onde vieram seus antepassados e para onde ele faz o caminho inverso, em busca de suas origens”, comenta o diretor Boca Migotto, que também assina o roteiro. Pra ficar na história liga o Brasil com a Itália a partir das histórias em comum e da busca pela preservação da memória que une estes dois países”, resume o cineasta. 
Fitarelli é um apaixonado por antiguidades. Desde os 12 anos, coleciona os objetos de seu acervo, que chegam a milhares. As peças incluem barris de vinho, móveis coloniais e inúmeras ferramentas. Do próprio bolso, Fitarelli construiu uma autêntica vila do final do século XIX, que inclui uma capela, estábulos e moinho com roda de água. Em sua cidade, comentavam que se tratava de uma figura incomum que gastava dinheiro construindo aquela vila italiana, relembra o diretor. Boca Migotto encontrou inspiração na história do colecionador enquanto gravava uma série de televisão dentro da Villa Fitarelli, em 2009. Foi neste momento em que o excêntrico personagem virou visionário e ali nasceu a ideia do documentário.
Tecnicamente o filme possui uma bela fotografia, onde se tem registros de lugares até mesmo familiares para aqueles que viajam pelo interior durante o ano, mas visto na tela como se fosse algo fresco e intocável. Além disso, é preciso reconhecer o belíssimo trabalho de som, onde a todo o momento ouvimos o som daquele interior, onde os ruídos de animais, assim como as cigarras à noite, sintetizam um ar de nostalgia para aqueles que sentem as raízes do seu passado. Independente de qual origem que tenha o cinéfilo do estado do Sul e que com certeza irá se identificar facilmente com a obra.
Mas Talvez o ápice do documentário se encontre quando o protagonista obtém inúmeras fotos de imigrantes italianos, onde somente uma, por exemplo, se tem registro da chegada de vários que haviam chegado ao final do século XIX. Porém, o filme ainda ganha ainda mais brilho com o surgimento de uma aposentada professora que, com grande bom humor, faz uma reflexão sobre a vida difícil dos imigrantes, das quais as histórias de alguns somente foram reconhecidas por terem enriquecido na vida e enquanto os que tiveram pouca sorte quase caíram no esquecimento da história. A professora vai ainda mais além, principalmente ao tocar o dedo na ferida com relação à igreja, da qual obteve inúmeras terras de décadas atrás e enriquecendo a custa do trabalho árduo daquelas pessoas que queriam unicamente viver por aqui.
Curto, mas com grande conteúdo, Pra Ficar na História é uma homenagem sobre uma época, da qual se construiu os alicerces de inúmeras famílias que existem até hoje e que algumas até mesmo desconhecem suas próprias raízes de sua história. 

Onde assistir: Casa de Cultura Mario Quintana. R. dos Andradas, 736 - Centro Histórico, Porto Alegre. Horário: 15h15min.

Cinemateca Capitólio:R. Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico, Porto Alegre. Horário: 20h30min.



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