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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Cine Dica: Streaming – '(Des)controle'

Sinopse: Kátia Klein, uma escritora de 45 anos e mãe sobrecarregada, vê sua vida sair do eixo devido a um bloqueio criativo e à falência de seu casamento.

No decorrer da história do cinema, não faltam longas-metragens que exploram a questão do alcoolismo, fazendo com que os seus protagonistas adentrem em um verdadeiro inferno astral. Filmes clássicos como "Farrapo Humano" (1945) e "Despedida em Las Vegas" (1995) levam seus personagens ao limite, em tramas moldadas com um teor dramático indiscutível. Porém, "(Des)controle" (2025) é um caso curioso por tratar esse assunto delicado com pinceladas de humor, provocando no espectador reações diversas.

Sob a direção de Rosane Svartman e Carol Minêm, acompanhamos a jornada de Kátia Klein (Carolina Dieckmann), que vive uma crise criativa impulsionada pela pressão do trabalho e da família. Diante dessa rotina caótica, Kátia busca um alívio na bebida, passando de uma despretensiosa taça de vinho ao descontrole completo. Não demora muito para que um lado seu, antes adormecido, acabe despertando diante da situação.

Svartman e Minêm são diretoras que construíram suas carreiras cinematográficas através daquelas comédias brasileiras supercoloridas — mas que, na maioria das vezes, não têm muita graça. Portanto, não se surpreenda se, em um determinado momento, surgir em cena um cenário com quadros referentes a alguns títulos do gênero, sendo o mais destacado "Minha Mãe é Uma Peça" (2013). Este, por sua vez, é talvez um dos poucos que vale a pena ser lembrado, embora não condiga com o tom deste longa.

O primeiro ato, por exemplo, faz parecer que estamos diante de situações que nos encaminham para uma comédia quase pastelão, repleta de gatilhos que fazem a protagonista perder as estribeiras e recorrer novamente ao álcool. É apenas aos poucos que o filme ganha contornos mais sombrios, o que ainda assim não é suficiente para extinguir a sensação de estarmos diante de uma comédia involuntária. Ao menos, Carolina Dieckmann faz toda a diferença.

Estrela de novelas da Globo, Dieckmann já provou sua versatilidade no cinema em obras como o pesado "O Silêncio do Céu" (2016). Aqui, ela demonstra talento ao dar vida a uma personagem que não sofre apenas com o alcoolismo, mas também com o surgimento de uma outra face de sua personalidade após beber. É interessante notar como ambas as facetas acabam sendo bem distintas uma da outra, um mérito que se deve muito ao talento da artista.

Não que o tema não possa ser tratado com certa leveza ou humor, mas fica a sensação de que o filme planejava ser uma coisa e se enveredou por outra. Se, por um lado, essa oscilação faz com que a obra quase perca sua identidade própria, por outro, a iniciativa de debater o quão prejudicial é o vício do álcool ainda se mostra mais do que válida. O discurso final — com depoimentos de pessoas que aparentam ser reais e que sofreram com a dependência — é um ponto alto que merece ser destacado.

No fim, "(Des)controle" se sustenta graças ao talento individual de Carolina Dieckmann, mesmo quando os seus realizadores parecem não ter encontrado o tom ideal para explorar a complexidade do alcoolismo como um todo.

Onde Assistir: Globoplay

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Cine Dica: Clube de Cinema - "Nas Garras do Vício" (02/07, quinta-feira) na Sala Redenção da UFRGS

Nesta quinta-feira (02/07), às 19h, o Clube de Cinema promove mais uma sessão do ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", realizado em parceria com a Sala Redenção da UFRGS.

O filme da vez é Nas Garras do Vício (Le beau Serge), de Claude Chabrol. Considerado uma das obras inaugurais da Nouvelle Vague, o longa acompanha o reencontro de dois antigos amigos em um pequeno vilarejo francês e, a partir dessa relação, reflete sobre as frustrações da vida provinciana, o peso da culpa e as possibilidades de redenção. Com grande força dramática, o filme explora a melancolia de seus personagens e da própria cidade, aproveitando ao máximo os cenários reais.

Após a sessão, contaremos com os comentários da crítica e pesquisadora de cinema Fatimarlei Lunardelli. Lembramos ainda que o ciclo integra uma ação de extensão da UFRGS e oferece certificado de participação, possibilitando o aproveitamento de horas complementares para estudantes. Inscreva-se!


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE QUINTA-FEIRA NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: 02/07 (quinta-feira), às 19h

📍 Local: Sala Redenção – UFRGS

R. Eng. Luiz Englert, 333 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre

🎤 Sessão comentada por Fatimarlei Lunardelli

🎟️ Entrada franca e aberta à comunidade


Nas Garras do Vício (Le beau Serge)

França, 1958, 98 min

Direção e roteiro: Claude Chabrol

Elenco: Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Michèle Méritz e Bernadette Lafont

Sinopse: Após retornar à sua cidade natal para se recuperar de uma doença, François reencontra Serge, um antigo amigo consumido pelo alcoolismo e pelo desencanto. À medida que revive lembranças e observa as tensões daquele pequeno vilarejo, ele tenta ajudá-lo a romper o ciclo de autodestruição que passou a definir sua vida.


Esperamos você!

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