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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 30 de março de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: ZAMA

Sinopse: No fim do século XVIII, Don Diego de Zama é um oficial da Coroa Espanhola que deseja partir para Buenos Aires. Ele junta-se a um grupo de soldados à caça de um perigoso bandido e explora terras distantes habitadas por índios selvagens.

Se há um avanço da direita em busca pelos frutos do capitalismo de hoje, há de lembrarmos que isso já vem de muito antigamente, mais especificamente em tempos em  que alguns países da América Latina não passavam de colonias e que eram sugadas por outros países. O filme brasileiro recente Joaquim, por exemplo, além de retratar uma visão mais crua do nosso personagem histórico Tiradentes, escancarava que até ele mesmo estava ali como fantoche a serviço da coroa portuguesa e que, no principio, estava consumido pelo desejo de consumo e poder. Zama retrata esse mesmo cenário, do qual é ainda mais desolador, selvagem, mas cujo o passado  não é muito diferente dos dias de hoje. 
Dirigido por Lucrecia Martel (O Pântano), a trama se passa no final século XVIII, onde conhecemos Don Diego de Zama (Daniel Gimenez Cacho), um oficial da Coroa Espanhola que não vê a hora de partir para Buenos Aires. Porém, é incumbido de  Juntar-se a um grupo de soldados à caça de um perigoso bandido e explora terras distantes habitadas por índios selvagens.  Se tem então uma cruzada da qual pode o levar a um caminho sem volta.
Assim como o nosso Tiradentes, Don Diego é inquieto no desejo de mudar de vida, ao ponto que realidade da qual se encontra se torna cada vez mais sufocante. Nem mesmo os serviços e adornos que a Espanha lhe oferece são o suficientes para fazer com que se sinta-se acomodado. Porém, diferente do nosso personagem histórico, Don Diego não terá tempo para enxergar o lado do qual poderia desejar  preservar ou até mesmo  salvar, mas sim tentando a partir dele tentar fugir antes que seja tarde demais.
Lucrecia Martel então faz uma dura crítica contra os poderosos, já que eles parecem mais vampiros com o desejo de sugar os  recursos e explorar os índios daquele tempo. Ao mesmo tempo que isso acontece, há o nascimento da vida estagnada, onde os ricos se acomodam por não haver mais nenhum desafio e acabam por então se afogando gradualmente ao longo do tempo. Don Diego tem ambições, mas talvez  elas venham a ser uma paz de espirito do qual a sua gente desconheça por completo.
É aí que, achando que o contato com a natureza irá encontrar o seu caminho, eis que ele dá de encontro com homens talvez não a serviço de poderosos, mas sim para saciar as suas próprias ambições. Eis que dessa trupe surge o personagem Vicunña Torpo, interpretado com intensidade espantosa por Matheus Nachtergaele e que não irá desistir em obter as riquezas da terra onde pisa. O seu personagem, aliás, fez me lembrar do personagem de Klaus Kinski em Aguirre, a Cólera dos Deuses e cuja ambição leva os demais personagens a um apocalipse particular devido a busca pelo poder.
Se for então para simplicar, Zama seria então um filme em que retrata exploração feroz por riquezas de um passado distante, mas sendo algo que ecoa em tempos contemporâneos, onde cada vez mais se encontra sucumbido ao poder e um consumo cego desenfreado. 

Onde assistir:  R. Gen. Câmara, 424 - Centro Histórico, Porto Alegre - RS. Horários: 15h e 19h.


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