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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Lamparina da Aurora



 Sinopse: Um casal idoso segue uma vida silenciosa, sem comunicação, numa casa isolada do resto da sociedade. Esta paz é perturbada pela chegada de um homem jovem e misterioso, que se instala no lugar e mantém relações ambíguas com seus anfitriões.

Quando eu penso em Cavalo de Turim, último filme do cineasta Béla Tarr, penso que ele poderia ser interpretado de múltiplas formas, pois era uma trama que não possuía um período especifico, pois se passava num local longínquo da civilização. Relembrando ele agora, ouso dizer que o local daquele filme é uma espécie de purgatório e que os dois protagonistas do local nunca se dão conta disso. Essa mesma sensação eu senti novamente ao assistir o filme Lamparina da Aurora que, embora sejam tramas distintas, ambas possuem um forte teor peculiar sobre o mundo, a vida e a morte.
Escrito, dirigido, produzido e fotografado pelo próprio cineasta Frederico Machado (O Signo das Tetas), o filme se sustenta de poucos elementos, sendo três personagens, nenhum diálogo, poucos cenários esternos, uma velha casa, uma mesa para jantar, uma escadaria de pedra, um bosque e um rio. O que o torna então no mínimo original em sua essência é o modo como esses ingredientes serão reunidos e utilizados ao longo da trama. Falar muito sobre a  trama, aliás, seria meio que estragar a experiência, pois tudo que é apresentado ali está fora do convencional.
Não há uma trama com começo, meio e fim e muito menos algo ali que seja solucionado e finalizado por aqueles que irão assistir. Há ao menos um núcleo dramático para então se seguir, sendo ele formado por um casal de idosos (os atores Vera Leite e Buda Lira) que dividem a mesa, a cama e tudo da casa de uma forma silenciosa, como se em suas vidas não se é mais preciso dizer nada um para o outro. A rotina acaba mudando quando surge do nada um jovem (Antonio Saboia) do qual não se sabe ao certo qual é exatamente a ligação dele com o casal.
A partir desse momento tudo acontece, onde à trama vem e volta no tempo, como se passado, presente e até mesmo sonhos compartilhassem um único espaço. Não há explicação definida do que havia acontecido com eles antes ou depois, já que não há dialogo algum, mas sim somente inúmeras cenas que nos levanta mais perguntas do que respostas. É como se tudo que presenciamos fosse algo que ecoasse vindo de um passado, ou então de um sonho fragmentado e que somente foi criado a partir dos pensamentos e lembranças de cada um deles.
O pesado silêncio entre os personagens, o perfeccionismo na elaboração de cada cena, luzes e sombras que remetem o melhor do expressionismo alemão, a delicada união entre musica e sons, tudo faz para que o filme se torne um legitimo filme de horror. Porém, não espere por cenas explicitas de violência, mas é graças à elaboração de uma atmosfera gótica que faz então toda a diferença. Medo da solidão, o tempo que não para, a falta de respostas sobre a vida, o medo da morte e do esquecimento é o que fazem mover esses personagens em seu universo particular e isolado do nosso.
lamparina da Aurora é um filme sobre os nossos medos interiores, cujas inúmeras perguntas que nos aflige em vida talvez nós não queiramos que um dia venham a ser respondidas. 


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