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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: ANIMAIS NOTURNOS




Sinopse: Susan (Amy Adams) recebe do ex-marido o esboço de um livro que está escrevendo, intitulado Nocturnal Animals. A obra gira em torno de um pai de família (Jake Gyllenhaal), cujas férias termina de forma violenta e o caso acaba sendo investigado por um policial (Michael Shannon).
Sempre quando eu vou participar dos cursos de cinema do Cine Um, por exemplo, há sempre alguns vídeos interessantes para serem vistos na tela antes da atividade. Em um desses há um curioso, onde mostra o primeiro plano de determinados filmes clássicos e de como eles se casam com o seu plano final. Em Animais Noturnos, as primeiras cenas são impactantes, das quais nos deixa desconfortáveis, mas que ao mesmo tempo, tem tudo a ver com os momentos finais da obra e isso já é um grande feito.
Dirigido por Tom Ford (Direito de Amar) o filme é baseado  no livro Tony and Susan, de Austin Wright e que conta a história de Susan (Amy Adams), mulher bem sucedida na vida, mas que vive melancólica com o seu casamento desastroso. Certo dia ela recebe um livro do seu ex-marido (Jake Gyllenhaal) do qual começa a ler. Imediatamente a trama se direciona justamente dentro da trama do livro, onde acompanhamos um pai de família (também interpretado por Jake Gyllenhaal), cujas férias terminam de forma violenta e o caso acaba sendo investigado por um policial (Michael Shannon).
Conhecido pelo universo da moda, Tom Ford surpreende ao demonstrar total segurança na direção e ao mesmo tempo dando verdadeira aula de como se cria um cinema autoral. Se no direito de Amar ele já havia começado bem, aqui ele se comporta na cadeira de cineasta como um verdadeiro veterano e nos brindando com um filme tenso, sombrio e cheio de significados. A trama dentro da trama pode até não ser novidade no cinema, mas ao mesmo tempo, ela serve como uma espécie de representação dos atos e consequências dos personagens principais em cena e que os levam a um caminho sem volta.
Diferente do que se imagina, a trama mostrada dentro do livro acaba se tornando o foco principal, pois é nela que se encontra todo o momento dos quais farão o cinéfilo se grudar na cadeira e se perguntar o que virá em seguida. Na realidade, a trama do livro dentro da história, pode ser interpretada como uma forma da qual um determinado personagem da trama procurou saber expressar os seus sentimentos devido a um passado que lhe deixou em pedaços. E se num primeiro momento a trama dentro da trama não faz sentido, o roteiro se encarrega de amarrar as pontas soltas e fazer com que o ato final termine de uma forma esclarecedora e imprevisível.
Além de uma trilha, montagem e fotografia que remetem um belo filme policial de antigamente, Tom Ford foi feliz ao escolher o seu elenco, do qual cada um dá um verdadeiro show em cena. Se Emy Adams já havia surpreendido no recente A Chegada, aqui ela passa uma personagem com conflitos internos e que não sabe qual o caminho trilhar depois de ter escolhido caminhos errôneos pela vida. E se  Jake Gyllenhaal novamente nos brinda com uma interpretação eficaz, ouso dizer que Michael Shannon nos apresenta aqui o melhor desempenho de sua carreira, pois ele simplesmente rouba a cena toda vez que surge com o seu trágico personagem e que acaba se tornando o mais fascinante de toda a trama.
Resumidamente, Animais Noturnos é um filme de escolhas e de suas consequências. Ao  retratar o pior do ser humano do mundo contemporâneo, ele acaba escancarando um mundo cada vez mais  moldado pela hipocrisia, atos inconsequentes e por um conservadorismo pálido perante as mudanças que sempre ocorrem no dia a dia da sociedade. Uma vez que cada um dos personagens comete um ato imprevisível, ao mesmo tempo escolheram uma rota de colisão do qual gerará cicatrizes permanentes e que, talvez, a palavra perdão não seja o suficiente.
Com um final em aberto em bem anti-hollywoodiano, Animais Noturnos é um belo e poderosíssimo filme, do qual fará as pessoas pensarem e ao mesmo tempo se perguntarem sobre o destino de cada um dos seus personagens que se encontram perdidos em suas próprias vidas.  



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