Sinopse: Mesmo preso Divine G encontra um propósito ao atuar em um grupo de teatro junto com outros detentos, incluindo um novato desconfiado.
O subgênero de filmes de prisão sempre tem como pano de fundo o conflito e o desejo dos protagonistas em saírem do confinamento para que assim possam desfrutar a sua liberdade. Porém, filmes como "Um Sonho de Liberdade" (1995) é um curioso exemplo de que a liberdade tem o seu preço e que nem sempre se consegue restabelecer dentro da sociedade. Porém, Sing Sing (2025) é um retrato curioso de presidiários que decidem se dedicar à cultura da interpretação para que assim possam colocar para fora os seus reais sentimentos tanto tempo escondidos.
Dirigido por Greg Kwedar, acompanhamos a história de Divine G (Colman Domingo), um homem injustamente preso que encontra um novo objetivo ao se reunir com um grupo de teatro na prisão. Ao lado de outros detidos, ele embarca em um projeto artístico que vai além do confinamento, descobrindo na arte uma poderosa ferramenta de transformação e resistência. A chegada de um novo integrante, cauteloso e desconfiado, desafia o grupo a superar suas próprias barreiras emocionais e a explorar a comédia como meio de expressão.
Baseado em fatos verídicos o diretor Greg Kwedar tem a proeza de unir atores profissionais com verdadeiros detentos que interpretam eles mesmos em cena. Porém, é impressionante a atuação de cada um visto na tela, sendo que eles expressam, tanto as suas alegrias, como também as suas tristezas e os obstáculos que todos ali enfrentam no dia a dia. Dos detentos reais destaque para Clarence Maclin que rouba a cena ao ser a figura deslocada do grupo, mas que logo vai se encaixando uma vez que já teve contato com a magia da cultura no passado.
Vale destacar as cenas dos ensaios de Hamlet dos quais eles participam, sendo que os dilemas do personagem de William Shakespeare se tornam o reflexo dos demônios interiores que cada um ali está enfrentando em cena. Por conta disso, a batalha para aflorar a veia shakespeariana cada um ali gera cenas até mesmo tensas, pois a qualquer momento alguém dali irá colocar a sua real dor para fora. Neste último caso, por exemplo, temos a ótima atuação de Colman Domingo.
Vindo de filmes como "A Voz Suprema do Blues" (2020), Colman Domingo consegue construir para si um personagem complexo, onde nos transmite segurança através da arte em que ele tanto preza, mas não escondendo em seu olhar a frustração perante um sistema que o mantém preso de forma injusta. Uma vez que um personagem próximo sai de cena é então que o protagonista se encontra em verdadeiro desequilíbrio e sintetizando isso na cena de ensaio onde ele se parte ao meio. Não é à toa que o ator recebeu uma merecida indicação ao último Oscar de melhor ator.
Ao final constatamos que a cruzada para esses detentos é árdua, porém, compensatória, pois é através da cultura que eles obtêm um novo significado sobre a vida. Em tempos em que a sociedade está cada vez mais acelerada e presa em suas atividades corriqueiras, vemos então um grupo de detentos voltarem a se sentirem realmente humanos quando obtêm contato com a literatura e o teatro e fazendo que consigam voos mais altos. "Sing Sing" é uma grata surpresa ao nos transmitir o poder da atuação através de detentos que se acharam na vida através dessa arte prazerosa.
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