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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 31 de março de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'Oeste Outra Vez'

Sinopse: No sertão de Goiás, homens rudes e incapazes de lidar com suas próprias fragilidades são constantemente abandonados pelas mulheres que amam. Tristes e amargurados, eles se voltam violentamente uns contra os outros. 

O gênero faroeste não exclusivo do cinema norte americano, sendo que o Western spaghetti vindo da Itália não somente revitalizou o mesmo, como também serviu de forte inspiração para realizadores que se destacariam posteriormente. Na época do nosso Cinema Novo, por exemplo, o diretor Glauber Rocha surpreendeu a todos com a sua obra prima "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964) e cuja trama possuía elementos tradicionais do faroeste em meio aos costumes do nosso sertão. Eis que então chegamos a "Oeste Outra Vez" (2024) obra que explora ainda mais esses elementos e se destaca pelo seu teor psicológico.

Dirigido por Erico Rassi a trama é ambientada no sertão de Goiás, onde acompanhamos a história de Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana), cuja trajetória se entrelaça de forma trágica. Eles são abandonados pela mesma mulher, fazendo com que a rivalidade entre ambos se torne inevitável. A partir daí, ambos começam a se caçarem um ao outro em meio ao dia a dia de um sertão esquecido por Deus.

Erico Rassi procura não fazer uma trama frenética com cortes bruscos, mas sim cenas em que as ações e reações dos protagonistas surgem de forma natural e com isso possamos compreendê-los. Logo após terem sido abandonados pela mulher que eles amavam, os dois protagonistas se sentam em um bar para poderem colocar um ponto final em seu conflito, mas tudo dando a crer que qualquer mudança se torna inútil, sendo que uma vez eles se encontram mais do que engolidos por aquela realidade de violência, roubo e morte. Não demora muito para que a caçada continue, mas cujos tiros acontecem sem nenhum aviso e pegando até mesmo o cinéfilo mais bem-informado de surpresa para dizer o mínimo.

Erico Rassi ainda capricha na reconstituição daquela realidade, onde os seus habitantes se entregam aos bares, com muita bebida, cigarros e jogos de azar como um todo. Esse dia a dia faz com que eles nem percebam os crimes que rolam próximos a eles, pois se tornou algo comum pessoas que vivem e morrem, seja pelo crime, ou simplesmente pela honra. Destaco a cena em que ambos os protagonistas se perseguem durante a noite com diversos tiros sendo disparados, mas não provocando nenhuma reação de pessoas que se encontram em um bar próximo.

Tanto Ângelo Antônio como Babu Santana estão ótimos em seus respectivos papéis, sendo que ambos são dois lados da mesma moeda. Há um certo respeito de ambas as partes um pelo outro, mas que não é o suficiente para que se coloque um ponto final no conflito e fazendo com que nos perguntemos como isso irá terminar. Destaque também para o intérprete Rodger Rogério, que se torna uma espécie de carta na manga para o personagem de Ângelo Antônio em meio a essa encruzilhada e cujo ápice acontece em uma casa no fim do mundo.

Talvez essa seja a minha passagem preferida como um todo, já que ali os personagens são jogados à própria sorte e tendo que se virar com o que tem antes que a tragédia venha acontecer. Destaque para o dono do local, interpretado pelo veterano Antônio Pitanga, cujo seu personagem é um ser abandonado por Deus, mas que resiste em continuar existindo através de bebidas e das memórias de tempos mais dourados de sua pessoa. Ao final, constatamos que ele é somente um reflexo sobre o futuro daqueles personagens se caso eles continuarem vivos e ficarem se digladiando sem nenhum descanso.

Com um curioso final em aberto, "Oeste Outra Vez" possui elementos do nosso melhor cinema brasileiro e cujo gênero faroeste não se restringe somente ao cinema norte americano. 

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