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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 99 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Gran Torino'

Sinopse: Trabalhador aposentado e veterano da Guerra da Coreia, preenche sua vida com cerveja e reparos em casa, desprezando famílias asiáticas, negras e latinas no bairro histórico onde mora. Ele se torna um herói relutante quando fica ao lado de um adolescente asiático que foi forçado por uma gangue a roubar seu precioso automóvel, um Gran Torino.  

Clint Eastwood é um realizador completo dentro da indústria cinematográfica e onde o próprio aprendeu a caminhar em meio as mudanças que ocorriam no seu devido tempo. Conservador, o realizador é dos tempos em que interpretava o durão que atirava primeiro e perguntava depois, mas tendo consciência ao longo do tempo que isso ficou para trás, mesmo estando lá registrado e para ser conferido pelos fãs. Quando "Gran Torino" (2018) foi lançado ele havia declarado que poderia ser o seu último filme em que atuaria e se tivesse cumprido a promessa o encerramento seria em grande estilo e bastante poético.

Dirigido e protagonizado pelo próprio, o filme conta a história de Walt Kowalski (Clint Eastwood), um inflexível veterano da Guerra da Coréia, agora aposentado. Para passar o tempo ele faz consertos, bebe cerveja e vai mensalmente ao barbeiro (John Carroll Lynch). Sua vida é alterada quando passa a ter como vizinhos imigrantes hmong, vindos do Laos. Ressentido e desconfiando de todos, Walt apenas deseja passar o tempo que lhe resta de vida. Até que Thao (Bee Vang), seu tímido vizinho adolescente, é obrigado por uma gangue a roubar o carro do veterano, um Gran Torino retirado da linha de montagem pelo próprio.

Walt Kowalski é o típico personagem durão que Eastwood interpretou ao longo da vida, cuja as suas características nos faz lembrar do seu "estranho sem nome" da trilogia dos dólares comandada pelo mestre Sergio Leone, ou do tira durão visto em "Perseguidor Implacável" (1971). Porém, a figura de Walt está ficando para trás, cujo o seu preconceito com relação aos coreanos e aos demais imigrantes em solo americano já não é mais visto com bons olhos e fazendo com que o mesmo se isole cada vez mais em sua bolha após o falecimento de sua esposa. O seu Walt é um cidadão que já viu o pior lado do ser humano em tempos de guerra e fazendo o mesmo se perguntar qual é o seu lugar em um mundo em que o preconceito racial é crime e a diversidade é hoje a palavra dominante?

Com os seus vizinhos coreanos, os irmãos Tao e Sue, ele acaba obtendo o seu lugar no mundo no local onde ele jamais imaginava, mas sendo melhor bem vindo do que dentro da sua própria família. Vendo Tao sendo perseguido e humilhado por uma gangue local Walt vê ali a oportunidade de praticar algo de significativo na reta final de sua vida, mesmo quando não admita para consigo próprio. A relação entre os dois é o coração pulsante do filme como um todo e sendo algo similar ao que foi visto em "Menina de Ouro" (2004) e cuja a temática o veterano trás novamente com estilo.

Falando em estilo, o realizador poderia facilmente encerrar os seus trabalhos na atuação através desse filme, pois o ato final seria uma espécie de um abraço para a redenção em que ele procura dar para esse tipo de personagem que ele soube melhor do que nunca interpretar ao longo de sua vida. Após "Gran Torino" ele se dedicou por algum tempo somente na direção e lançando obras significativas como "A Troca" (2008), "Invictos" (2009), "Além da Vida" (2010), "J. Edgar" (2011) e tantos outros. Porém, ele achava que poderia ainda dizer alguma coisa na área da interpretação e nos brindando com o ótimo "A Mula" (2018) e com o seu último e sereno "Cry Macho - O Caminho Para a Redenção" (2021).

Ao meu ver, Clint Eastwood tem a grande possibilidade de morrer trabalhando em algum set de filmagem, pois não demonstra sinais de aposentadoria e seguindo em frente com a força que lhe resta. O durão anti-herói ainda continua impregnado em sua alma, mas pelo visto ainda quer aprender sobre esse novo mundo antes de ir embora e morrer tranquilo sabendo que soube lidar com essas mudanças. "Gran Torino" é sobre o próprio Clint Eastwood tendo que lidar com relação a esse novo mundo e procurando saber qual é o seu lugar antes que seja tarde demais.


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