A sul coreana Seline Song surpreendeu o mundo com o seu filme de estreia intitulado "Vidas Passadas" (2024) cuja trama fala sobre os relacionamentos contemporâneos e que certas decisões acabam não lhe dando mais retorno para uma nova escolha. Com o reconhecimento deste trabalho talvez seria questão de tempo para que a cineasta ganhasse um convite para realizar um longa 100% norte americano. A resposta veio com "Amores Materialistas" (2025) , comédia romântica adulta em que a realizadora mantém os ingredientes que moldaram o seu primeiro grande sucesso, mesmo quando o filme cai nas velhas fórmulas do cinema americano.
Na trama, acompanha uma casamenteira chamada Lucy (Dakota Johnson), que se envolve num triângulo amoroso. Apesar de ainda nutrir sentimentos pelo garçom aspirante a ator John (Chris Evans), a jovem começa a se relacionar com um homem rico chamado Harry (Pedro Pascal), irmão do noivo de um casal que se juntou com sucesso. Harry é o partido perfeito, mas, ao reencontrar com John uma noite, Lucy se vê balançada pelo antigo amor imperfeito.
Nos últimos tempos eu tenho dito que o gênero comédia romântica está moribunda devido ao fato que ela foi usada a exaustão durante os anos noventa e enfrentando já declínio já na entrada do novo século. O problema é tentar fazer um filme como esse usando as mesmas fórmulas do passado, mas tentando convencer um público atual que cada vez acredita menos em contos de fadas românticos. Felizmente Seline Song consegue criar uma trama romântica madura, contemporânea e que fala de uma sociedade cada vez mais materialista.
A protagonista, por sua vez, vive do trabalho, não se importando em não ter um relacionamento, mas aguardando a possibilidade de encontrar um par perfeito e bastante rico. Não que Lucy seja uma pessoa ambiciosa, mas sim foi criada mentalmente em acreditar que dotes são essenciais para uma vida a dois e usando esse pensamento para unir pessoas em seu trabalho. Dakota Johnson nos revela novamente porque é uma das melhores atrizes dessa nova geração de grandes talentos, mesmo quando dá um passo em falso como foi em "Madame Teia" (2024).
Suas interações com os bonitões Chris Evans e Pedro Pascal são outro ponto forte da obra como um todo, já que ambos interpretam personagens em que a protagonista procura, mesmo quando cada um apresenta os seus respectivos feitos em cena. Se por um lado Evans interpretada um pobretão cheio de sonhos, Pascal sintetiza um personagem perfeito, mas que não encontra exatamente a necessidade que realmente deseja, pois a faca e o queijo sempre estiveram na sua mão devido os seus recursos. A protagonista, por sua vez, se vê em um dilema, principalmente pelo fato que descobre que o seu emprego não exatamente como ela queria.
Como no seu filme anterior, Seline Song capricha em diálogos caprichados, onde há alguns planos sequências bem criativos e onde as conversas entre os personagens vão ganhando cada vez mais peso. É curioso observar, por exemplo, que a realizadora busca manter o seu olhar autoral para a realização do filme, mesmo quando o resultado fique um pouco aquém do esperado. Digo isso pois o filme não possui a mesma carga emocional de "Vidas Passadas", mas isso seria pedir demais para que a realizadora pudesse alcançar novamente a perfeição vista naquela obra.
O filme por si só possui as velhas fórmulas de sucesso das comédias românticas, mas tudo filmado de uma forma que não soe repetida. E quando achamos que o filme irá terminar da forma mais convencional possível, eis que a realizadora surpreende com um segundo final que poderia soar até desnecessário, mas que nos diz que a diretora não está disposta a cair na vala comum do esquecimento. "Vidas Materialistas" é uma comédia romântica que dá um novo fôlego ao gênero, mesmo nos apresentando aquelas velhas fórmulas de sucesso em alguns momentos.
Onde Assistir: HBO MAX
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