Sinopse: Enquanto a incipiente Nova República trabalha para proteger tudo pelo que a Rebelião lutou, eles recrutam a ajuda do lendário caçador de recompensas mandaloriano Din Djarin e de seu jovem aprendiz Grogu.
A série "O Mandaloriano" foi o pontapé inicial para que a Disney pudesse explorar ainda mais o universo expandido de Star Wars para a TV. Com três temporadas de grande sucesso, muitos se perguntavam se o estúdio exploraria uma nova aventura futura de Din Djarin e seu fiel jovem Grogu. Eis que então a resposta vem através de um longa-metragem, "Star Wars: O Mandaloriano e Grogu" (2026), produção nem um pouco pretensiosa, mas que basicamente nos entrega uma aventura escapista genuinamente redonda.
Dirigido por Jon Favreau, a trama dá continuidade aos acontecimentos vistos nas últimas temporadas da série, onde vemos o lendário caçador de recompensas Mandaloriano Din Djarin (Pedro Pascal) e seu jovem aprendiz Grogu sendo, de vez em quando, contratados pela Aliança a serviço de uma nova missão. Em uma nova aventura, os protagonistas enfrentam os sucessores de Jabba, o Hutt, além de diversas criaturas e caçadores de recompensa. Nesta cruzada, Grogu terá que demonstrar todo o seu potencial através da Força.
Existe aquele velho ditado que diz que em time que está ganhando não se mexe, e talvez seja isso o que melhor represente esse novo longa-metragem. Se formos analisar de uma forma mais fria, é mais do que óbvio que a trama inicialmente era para ser inserida em uma quarta temporada, mas era questão de lógica os produtores um dia explorarem os protagonistas no cinema. O resultado é um filme sem nenhuma pretensão de reinventar a roda, mas sim de nos brindar com uma boa aventura à moda antiga.
Talvez essa seja a carta escondida na manga do baralho, pois a história não tem nada de novo e não coloca a relação do Mandaloriano com Grogu em um novo patamar, mas sim mantém fiel o que já havia sido construído. Porém, isso não é algo negativo, visto que a relação de pai e filho entre os dois protagonistas sempre foi o coração pulsante da série como um todo, e mudar isso poderia gerar um certo risco. O charme do filme está no fato de vermos queridos personagens na tela grande e disso ninguém poderá discordar, diga-se de passagem.
Porém, é preciso reconhecer o quanto o roteiro colabora para que Grogu se torne não um mero personagem fofinho para ser apreciado na tela, mas sim uma figura enigmática e de grande potencial no decorrer da história. Em um determinado momento, por exemplo, ele se torna a única salvação do protagonista, passagem da trama que se torna o melhor momento do longa. Ao mesmo tempo, é muito bom ver os realizadores conseguindo fazer uma homenagem de forma simbólica ao mestre Yoda de quando o conhecemos pela primeira vez em "O Império Contra-Ataca" (1980).
Em termos de ação, o filme possui o mesmo ritmo do que foi visto na série, mas em uma escala maior no que diz respeito aos efeitos visuais. Porém, é curioso observar que em nenhum momento se nota um CGI de forma desnecessária; pelo contrário, o recurso colabora para o melhor desenvolvimento da trama. Além disso, em tempos em que está cada vez mais raro sentirmos "peso" em cenas digitais, é interessante constatar que sentimos algo verossímil em alguns momentos, principalmente nas cenas em que os X-wings surgem em tela.
Acima de tudo, o filme se casa com a proposta bem antiga que George Lucas pretendia com Star Wars, ao criar uma aventura despretensiosa e que remetesse aos velhos tempos dos seriados matinais e dos filmes de aventura e ficção científica. A franquia pode ter amadurecido conforme os anos foram passando, mas nunca é demais apreciarmos um longa sem nenhuma ambição aparente, que nasceu somente para entreter de uma forma positiva. Sem nenhuma vaidade, mas sendo fiel à sua raiz primordial.
"Star Wars: O Mandaloriano e Grogu" é uma aventura espacial despretensiosa, escapista e que não tem medo de demonstrar não ser nem um pouco ambiciosa.
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