Sinopse: Aírton é um nerd acusado injustamente do desaparecimento de uma colega na época da faculdade. Vinte anos depois, ele vai à festa de reencontro da turma para limpar seu nome.
Diferente do que o senso comum costuma ditar, o cinema brasileiro procura, sim, explorar outros gêneros, surpreendendo inclusive no terror desde os tempos do nosso saudoso Zé do Caixão. O Fantaspoa, por exemplo, consolida-se como um grande farol do cinema fantástico no Brasil, onde já testemunhei vários projetos criativos, mesmo com suas limitações latentes. "Cansei de Ser Nerd" (2025) surge como um caso curioso dessa mistura de vertentes, tornando a sessão, no mínimo, peculiar.
Dirigido por Gualter Pupo, o longa acompanha Aírton, o alvo favorito das piadas de seus colegas nos tempos de faculdade. Duas décadas depois, ao ser convidado para a grande festa de reencontro da turma, ele descobre que virou o convidado de honra. De repente reverenciado por todos, ele mal desconfia das reais — e sinistras — intenções por trás da celebração.
Se focarmos estritamente na narrativa, o filme entrega uma verdadeira salada de gêneros que transita pelo horror, pela ficção científica e até pela comédia romântica. No entanto, o roteiro carrega uma previsibilidade que pode decepcionar quem espera soluções mais fora da curva. Por outro lado, no aspecto visual, a produção demonstra fôlego para prender a atenção do espectador.
De início, a obra adota uma linguagem puramente pop, impulsionada por um protagonista que passa quase o tempo todo citando filmes, séries e o clássico embate entre DC e Marvel. Essa dinâmica rende uma abertura bastante divertida que, além de prestar uma bela homenagem à arte dos quadrinhos, dita o tom da jornada. Mas é no cenário da festa, onde os principais desdobramentos acontecem, que os realizadores realmente investiram pesado.
Com uma estética gótica e imersiva, o ambiente passa por constantes metamorfoses, fazendo com que a fotografia mude de tom à medida que os personagens adentram novas etapas do lugar. O ápice visual ocorre na abertura da peça central do cubo, gerando um cenário criativo e muito bem alinhado à movimentação dos atores. Curiosamente, a sequência evoca a atmosfera do clássico sci-fi "Tron" (1982), provando que a velha escola dos efeitos práticos segue mais viva do que nunca.
Quanto ao elenco, as atuações não chegam a ser o forte da produção, já que a maioria parece operar no piloto automático, apenas se divertindo com o absurdo do roteiro. Tanto Fernando Caruso quanto Rita Guedes parecem emulando o limite do riso diante das situações propostas — o que inclui um duelo de faca e espada executado de forma assumidamente amadora no ato final. A cereja do bolo fica por conta de zumbis que surgem de surpresa, um desfecho que sintetiza perfeitamente o descompromisso da obra.
No fim das contas, "Cansei de Ser Nerd" assume-se como um filme descaradamente trash. E é justamente por abraçar o ridículo de sua própria proposta que ele, em muitos momentos, acaba funcionando.
Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948



Nenhum comentário:
Postar um comentário