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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Paraíso Perdido



Sinopse:Paraíso Perdido é um clube noturno gerenciado por José (Erasmo Carlos) e movimentado por apresentações musicais de seus herdeiros. O policial Odair (Lee Taylor) se aproxima da família ao ser contratado para fazer a segurança do jovem talento Ímã (Jaloo), neto de José e alvo frequente de homofóbicos, e aos poucos o laço entre o agente e o clã de artistas românticos vai se revelando mais e mais forte - com nós surpreendentes.
 
Quando um governo quebrado como nosso escancara o seu desleixo pelo povo, se tem o surgimento da resistência, de movimentos artísticos, políticos e da solidariedade que, mesmo rara, acaba então surgindo. Numa noite escura de uma cidade grande, por exemplo, existe até mesmo a possibilidade uma família excluída pela “sociedade hipócrita” prevalecer em meio às adversidades das quais tentam mata-la. Paraíso Perdido é um pequeno retrato de nosso Brasil, onde não se encontrará numa novela falsamente plástica, mas talvez muito mais próxima de você do que imagina.
Dirigido pela cineasta Monique Gardenberg (Ó Paí, Ó), o filme acompanha as noites de um clube noturno, do qual é gerenciado pelo veterano artista José (ninguém menos que Erasmo Carlos). Certo dia, o seu neto Imã (Jallo) é agredido por um grupo de homofóbicos, mas que é socorrido pelo policial civil Odair (Lee Taylor). Graças a sua ação samaritana, Odair consegue um emprego como segurança do clube graças ao José e que, aos poucos, começa a se familiarizar com aquele universo particular daquela família e que guarda segredos dos mais profundos dos quais ele jamais imagina.  
Embora seja uma trama que se passe nos tempos atuais, Paraíso Perdido é um filme que emana tempos mais dourados da nossa cultura, seja com relação à moda extravagante ou de músicas populares. Aliás, o filme vem justamente nesse período de nostalgia que se sente atualmente, onde cada vez mais as pessoas começam a olhar um pouco para  trás e sendo seduzidos por tempos mais simples e coloridos. Contudo, tanto o passado como presente, há os seus devidos problemas e cabe a união dessa família da trama se unir para sobreviver perante o preconceito e as adversidades que persistem em não morrer em tempos contemporâneos.   
Nesse cenário, o personagem Odair se torna os nossos olhos, onde testemunhamos figuras distintas daquele local escondido da cidade e que cada um deles possui uma grande história para se contar. Moldado por um grande elenco, incluindo talentos de porte como Emília Guedes, o filme surpreende pela presença forte de novos talentos e de veteranos que, embora quase nunca tenham atuado na vida, surpreendem como ninguém em cena. É o caso do cantor Erasmo Carlos que, no meu ponto de vista, sempre foi um talento escondido devido à sombra constante de Roberto Carlos, mas que não se intimida em atuar na frente das câmeras e conseguindo construir um personagem que sintetize sua força de vontade perante os obstáculos do meio artístico que enfrentou ao longo da vida.
Embora seja um pouco mais longo do que se devia, o filme nos prende atenção graças aos inúmeros mistérios que moldam esses personagens. Isso acaba também gerando inúmeras reviravoltas, como se fosse uma cebola com inúmeras camadas, além de revelar cicatrizes das quais nunca sara. Odair, por exemplo, terá que saber lidar com segredos revelados que acaba descobrindo com relação a essa família, pois o próprio não deseja deixar de ser a pessoa que se tornou um dia, graças a sua mãe surda chamada Nádia (Malu Gali, numa atuação fantástica). 
Paraíso Perdido é sobre grandes talentos excluídos pela sociedade, mas que prevalecem vivos em seus paraísos particulares e que lutam para se manterem ativos e os seus dons nunca adormecidos.

Onde assistir: Sala Eduardo Hirtz.  R. dos Andradas, 762 - Centro, Porto Alegre. Horário: 16h45. 



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