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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Baronesa



Sinopse:Andreia e Leidiane são vizinhas na periferia de Belo Horizonte. Ambas têm filhos e tentam evitar o envolvimento com o dia a dia da guerra do tráfico. Andreia sonha em construir sua casa, enquanto Leidiane espera o marido sair da cadeia.

O cinema brasileiro vive a sua melhor fase com relação ao “cinema verdade”, onde a percepção com relação à transição de documentário para ficção se torna irrisória e dando lugar ao mais puro cinema realista. Se títulos como, por exemplo, Branco Sai e Preto fica ainda guardava resquícios de um cinema fantástico para se fazer um filme denuncia, por outro lado, A Vizinha do Tigre havia somente uma linha fina do qual separava a ficção e realidade e se tornando um prelúdio do melhor que o cinema independente brasileiro iria oferecer daqui pra frente. O filme Baronesa seque essa tendência, onde não se há uma história inventada, mas sim somente o mundo real com suas mazelas que transborda na tela do cinema.
Dirigido Juliana Antunes a obra nos apresenta o dia a dia de duas vizinhas e amigas que moram na periferia de BH. De um lado, Andreia começa a construir sua casa para se mudar. Do outro, Leid e os filhos estão à espera do marido, que está preso. Em comum, a necessidade de se desviar dos perigos da guerra do tráfico e a estratégia para evitar as tragédias trazidas como consequência.
Para se obter maior aproximação com a dupla central da trama, a cineasta Juliana Antunes decidiu alugar um barracão para ficar próxima a elas e tendo visitas semanais de sua equipe de filmagem. Isso lhe garantiu a chance de observar diversas situações do cotidiano de ambas, desde os percalços para se conseguir dinheiro para sobreviver no dia a dia, como também convivendo com o temor de uma iminente guerra de quadrilhas daquela periferia. O resultado é uma trama que transita entre o corriqueiro para situações que beiram a imprevisibilidade e até mesmo o suspense.
Embora novatas no mundo da atuação, Andreia e Leid não se intimidam na frente da câmera, sendo que a primeira é a que mais coloca para fora a sua pessoa e revelando histórias reveladoras de um passado cheio de percalços. Embora com poucos recursos em mãos, Andreia é uma pessoa vivida, onde o pior da vida lhe ensinou a se fortalecer para continuar seguindo em frente, mesmo quando havia todos os motivos para desistir. O que lhe resta, portanto, é uma força de vontade que se encontra, não somente em seu físico, mas no seu olhar profundo e com infinitas histórias para se contar.
Por outro lado, Leid também tem o seu espaço em cena, ao retratar uma mulher que tem a responsabilidade de cuidar dos seus filhos sozinha e carregando o fardo das consequências do seu marido ter sido preso. Juliana Antunes aproveita essa situação para registrar ao máximo com a sua câmera o quão é difícil cuidar de crianças em meio essa realidade com poucos recursos e dando para elas um futuro indefinido. Não tem como não se chocar, por exemplo, na cena em que uma das crianças se encontra sentada na beira da porta e lançando um olhar para câmera, onde se enxerga uma inocência que, infelizmente, tende a desaparecer mais cedo do que se deveria.
A violência, por sua vez, se torna corriqueira naquele ambiente, onde o tráfico se torna o único sustento, mas desencadeando maiores obstáculos para se continuar vivendo. Se por um lado fica-se em aberto o destino de pessoas próximas a dupla central, do outro, a violência dispara sem prévio aviso em determinados momentos e fazendo a gente se perguntar se realmente aconteceu tal momento: a cena em que ambas as protagonistas são pegas pelo barulho repentino vindo um tiroteio sintetiza bem isso.
Com um final em que se revela incerto com relação ao futuro daquelas personagens, Baronesa é um retrato cru de uma de uma realidade que molda mulheres esquecidas pelo resto da sociedade, mas que optam em viver e continuar em frente.



Onde assistir: Cinebancários. Rua General Câmara, nº424, centro de Porto Alegre. Horário: 17h. Sala Norberto Lubisco. Casa de cultura Mario Quintana. Rua das Andradas, nº736 – Centro de Porto Alegre. Horário: 19h.    



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