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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Na Vertical

Sinopse: Um cineasta precisa criar sozinho o filho recém-nascido depois que sua namorada o abandona.

O título do filme, Na Vertical, pode até ser compreendido em seus minutos finais. Contudo, pouco é dito sobre o seu significado, até certo momento, pois esse novo filme de Alain Guiraudie (Um Estranho no Lago) é rodeado de mistérios. Esse teor enigmático aumenta como um todo, principalmente ao desafiar a expectativa do cinéfilo que assiste, tanto no ponto de vista concreto como também até mesmo do abstrato.
Também é um filme que coloca o crítico num ponto que o faz levantar inúmeros questionamentos. Assim como foi em seu filme anterior, Guiraudie encara a proeza de colocar imagens explicitas, mas que, diferente do que se imagina, não soam vulgares e tão pouco sendo um soco no estômago para os mais conservadores. Contudo, ele adensa o sentido de enigma e fortalece a linguagem alusiva dos protagonistas, procedimentos que dão ao filme um teor consistente ainda maior que sua obra anterior.
Embora corajoso com a possibilidade de seu conteúdo se resumir em sua sinopse, deve se levar em conta alguns pontos a serem discutidos. O protagonista Leo (Damien Bonnard) é um roteirista de cinema que perambula pelo interior da França em busca de algo original para seu próximo projeto. Nessa cruzada, conhece um jovem que, num primeiro momento, tenta convencê-lo a participar do seu filme, mas não obtendo sucesso.
Posteriormente, se descobre que o rapaz mora com um senhor de idade e que, aparentemente, possuem uma relação ambígua.  Após isso, o protagonista conhece uma jovem pastora de ovelhas, Marie (India Hair), que conversa por um bom tempo com ele sobre o perigo que os lobos selvagens trazem para o rebanho naquele território. A moça é mãe solteira, tem dois filhos e mora com o pai.
Uma atração entre ela e Leo desperta de uma forma fortíssima. A história gera então consequências, com a chegada de um novo filho (o nascimento da criança é provocador e realístico) e dando continuidade do relacionamento de Leo com esses personagens do interior da França. Ao mesmo tempo, Leo troca ligações desesperadas com o produtor de seu projeto, do qual exige informações sobre o desenvolvimento da trama.
Mas, embora com toda essa descrição que eu dou acima, isso não dá conta do verdadeiro teor que o filme tem como um todo e que, sem abusar das relações imprevisíveis, a trama avança de tal modo que acaba nos deixando despreparados com o que irá surgir em sua reta final. Dificilmente aqueles que forem assistir a essa obra irão prever o que virá a seguir e o que faz dela algo genuinamente especial. O ápice do filme se encontra em seu final simbólico, do qual podemos interpretá-lo de inúmeras formas, que vai desde em aceitar a diferença do seu próximo e encarar o mistério do seu desconhecido.
Na Vertical é original e imprevisível em sua proposta, pois quebra a perspectiva do cinéfilo e o deixando em território completamente desconhecido. 

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