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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Sonhos de Trem'

Sinopse: Um lenhador leva uma vida tranquila enquanto lida com o amor e a perda em uma época de profundas transformações nos Estados Unidos do começo do século 20.

A gente nasce sozinho,  morremos sozinhos e portanto viver sozinho não deveria ser um desafio mas um detalhe a ser aceito. Essa frase me veio à mente ao assistir ao ótimo "Gravidade" (2013), onde o espetáculo do universo despertava o desejo da protagonista em continuar viva e seguir com o seu destino. "Sonhos de Trem" (2025) não fala somente sobre o desafio perante a solidão, como também sobre como o mundo em volta muda independente do que aconteça com a gente em vida.

Dirigido por  Clint Bentley, e baseado no conto escrito por  Denis Johnson, o filme conta a história de Robert Grainier (Joel Edgerton) , madeireiro responsável por construir e expandir ferrovias pelos Estados Unidos no início do século XX. Robert cresceu entre as florestas  do Noroeste do Pacífico. Robert precisou passar longos períodos afastado de quem mais amava: sua esposa Gladys (Felicity Jones) e sua pequena filha. Quando uma tragédia sem precedentes atinge a família, ele precisa aceitar a derrota e se esforçar para seguir em frente nesta jornada da vida.

O filme pode ser interpretado como a jornada do homem comum perante o progresso desenfreado do mundo em volta e do qual faz com que o tempo cada vez mais se acelere. Em meio a isso temos Robert que desde cedo mantém um olhar curioso com relação ao mundo, onde a violência se torna comum e se vê diante de um trabalho que mata aos poucos uma parte da natureza para que poderosos possam obter lucro. Contudo, Robert não muda, mas segue em sua jornada particular, mesmo quando ela lhe abre certas feridas emocionais que são difíceis de cicatrizar.

Além de uma direção primorosa de   Clint Bentley é preciso destacar a bela fotografia feita pelo brasileiro Adolpho Veloso, onde cada quadro nos passa a sensação de uma terra fresca, mas que aos poucos é modificada pela mão do homem. As cores quentes iniciais do primeiro ato vão obtendo aos poucos tons sombrios, mas se nivelando com momentos em que há uma luz nas cenas que simboliza um lampejo de esperança para o protagonista. Não é à toa que   Adolpho Veloso acabou levando o prêmio de melhor fotografia no último  Critics Choice Awards.

Atuando desde o início dos anos noventa, tanto para a tv como para o cinema, Joel Edgerton obtém aqui uma de suas melhores atuações de sua carreira, onde ele consegue passar para o seu personagem certa doçura em uma realidade em que poderia lhe fazer se tornar uma pessoa mais dura. Ao mesmo tempo, o protagonista lida com o fato de estar quase sempre trilhando entre a lucidez com a possibilidade de estar vendo coisas com relação a sua família perdida nas chamas. A sua busca pelos seus entes queridos é o que torna o coração pulsante como um todo e fazendo a gente desejar que ele fique bem ao longo do caminho.

O filme, portanto, explora a questão de que todo o começo tem o seu fim. Porém, a vida continua, independente do que aconteça, pois ela cresce em meio a morte e gerando um novo recomeço cuja uma nova história irá se contar. Ao final, o protagonista se torna o nosso próprio olhar com relação a beleza e o lado implacável deste mundo sempre em movimento.

"Sonhos de Trem" é sobre fins e começos e onde a vida seguirá mesmo quando um dia ficaremos para trás. 

Onde Assistir: Netflix.

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