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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Joaquim Phoenix'

Sinopse: Um impasse entre um xerife e um prefeito de uma pequena cidade gera um conflito entre vizinhos, em maio de 2020, em Eddington, Novo México.

Ari Aster é aquele tipo de cineasta autoral que ame ou odeie e por conta disso os seus longas sempre terão algo a dizer mesmo quando alguém não entender de imediato. Se "Hereditário" (2018) e "Midsommar" (2019) foram filmes que serviram para ele obter carta branca ao fazer o que bem entender, por outro, essa liberdade ganhou estranhamento e dividindo a opinião do público e da crítica com o seu "Beau Tem Medo" (2023)."Eddington" é mais um longa que irá dividir o público e é justamente por isso que merece ser conferido.

A trama se passa em Maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19.Uma desavença entre o xerife (Joaquin Phoenix) e o prefeito (Pedro Pascal) de uma pequena cidade do Novo México chamada Eddington rapidamente transforma o local em caos ao instalar um estopim. Vizinhos são colocados uns contra os outros, deixando para trás a serenidade e tranquilidade que aparentemente predominava na cidade.

Em tempos de pandemia foi comum cada vez mais ver as pessoas quebrando as regras da quarentena, desde a sair sem máscara, desrespeitando o distanciamento e propagando fake news para denegrir aqueles que buscavam um meio de proteger a população do vírus. Ari Aster propõe fazer uma espécie de parábola com relação àquele período e usando a trama para termos uma dimensão do que já tínhamos visto no nosso mundo real. Revermos na tela determinadas situações nos faz perguntar o quanto recuamos ao abraçarmos a ideia de sermos sempre a voz da razão e endeusar aqueles que eram contra o combate à pandemia.

Ao mesmo tempo, o realizador escancara uma sociedade cada vez mais presa às redes sociais, em não somente se tornar uma celebridade instantânea, como também ficar propagando mentiras falsas e denegrindo outras pessoas. Neste cenário, portanto, há uma disputa política, seja pelos pensamentos distintos com relação ao vírus, como também usar isso como mera desculpa para piorar as diferenças um do outro. Uma realidade em que o indivíduo mesquinho se torna a voz que molda a mente de muitos e causando diversos estragos.

Joaquin Phoenix interpreta um xerife que vai contra todas as regras imposta pela prefeitura, ao ponto que enxerga o poder das redes sociais como uma forma de se promover como a solução para a cidade e desejando ser o novo prefeito. Ao mesmo tempo, Pedro Pascal interpreta a voz da razão na trama, mesmo se deparando com situações que o colocam encurralado e fazendo com que o xerife obtenha espaço. Já Emma Stone surpreende em uma atuação contida, mas que não esconde alguém esgotada perante tantas desinformações, mentiras e o desequilíbrio que começa a adentrar aquela cidade.

Desequilíbrio talvez seja a melhor palavra que se encaixa com relação ao seu desenvolvimento da história. Ari Aster exagera um pouco na criação de subtramas, mas que embora não apresente certa relevância, somente na reta final elas possuem alguma importância. Ao mesmo tempo, o sentimento com relação ao protagonista se torna conflituoso, já que a gente deseja que ele pague pelos atos que ele cometeu, mas não escondendo uma certa inocência quando achava que tudo tinha sob controle. É então que Ari Aster surpreende até mesmo em cenas de ação, onde o protagonista se vê encurralado e se armando até os dentes para enfrentar um inimigo desconhecido.

Acima de tudo, é um filme que fala sobre tempos sombrios, mas cuja desinformação, fake news e falsos profetas prosseguem e gerando assim a desinformação desenfreada que ainda persiste. Curiosamente, o realizador não permite que somente haja um lado culpado dessa história, pois os próprios que acreditam estar defendendo uma causa justa podem estar alimentando também a máquina de ódio e que deseja que tudo pegue fogo. Ao final constatamos que ambos os lados perdem nesta batalha, pois sempre tem algo maior que acaba saindo por cima.

"Eddington" nos revela uma sociedade em que cada um está preso em sua bolha e acreditando somente no que lhe convém mesmo quando tudo em volta se deteriora.

 

Onde Assistir: Apple TV

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