Sinopse: Abandonada quando menina, Kya cresceu nos perigosos pântanos da Carolina do Norte. Quando um garoto da cidade é encontrado morto, Kya imediatamente se torna a principal suspeita. À medida que o caso se desenrola, o veredicto torna-se mais obscuro.
Ao menos nestes últimos vinte anos se tornou comum o cinema adaptar livros que se tornaram verdadeiros sucessos e que de em comum havia um crime a ser solucionado. Porém, não é sempre que o cinema norte americano acerta em saber separar cinema da literatura, sendo que a linguagem da escrita funciona muito mais nas folhas do que adaptadas em imagens em movimento. "Um Lugar Bem Longe Daqui" (2022) é um destes casos em que adaptação poderia ter sido melhor, desde que não tivesse caído em certas armadilhas em sua adaptação.
Dirigido por Olivia Newman, o filme é baseado no aclamado livro "Where the Crawdads Sing", de Delia Owens, onde acompanhamos a jovem Kya (Daisy Edgar-Jone), abandonada por sua família no decorrer dos anos e que pela comunidade ela é conhecida somente como a menina do pântano. Isolada na pequena cidade da Carolina do Norte, e o filme segue duas linhas temporais: A primeira sobre as aventuras da menina, e a segunda é sobre a investigação de um assassinato de um jovem do local na cidade e fazendo com que Kya se torne a principal suspeita.
Ao ter essa informação de que o filme é baseado em um livro se percebe que a sua narrativa fluiria melhor se realizadores esquecessem de sua fonte e pensassem em fazer mais cinema. Porém, o filme ganha a nossa atenção pelo fato da protagonista já ser presa e fazendo com que a trama transite entre o presente e as suas lembranças sobre o seu passado, por vezes, doloroso. Vemos então uma pequena jovem crescer em meio às adversidades e usando o seu talento de desenhar para obter algum significado em sua vida.
Vinda de séries de tv, a jovem atriz Daisy Edgar-Jone ainda terá muito o que aprender em termos de atuação, muito embora ela consiga segurar o filme nas costas, mesmo quando a sua narração off soa um tanto desnecessária para a compreensão da história. O que me incomoda talvez seja justamente alguns clichês amorosos explorados na trama, sendo que as vezes ele soa previsível e fazendo com que a gente tenha uma noção do que acontecerá em seguida. O segundo pretendente da trama, por exemplo, já nos deixa claro que de boa pessoa não tem nada e nos dá uma noção dos elementos que o fizeram ser morto já no início da trama.
Por mais que a narrativa nos prende atenção, já existe do segundo ao terceiro ato da trama elementos que nos faz prever o que irá acontecer em seu ato final. Embora seja um ato falho, ao menos quando se chega a esse ponto estamos mais do que envolvidos em saber qual será o seu desfecho. O final, por sua vez, surpreende ao guardar um grande segredo que é somente revelado no minuto final da trama.
No saldo geral, é um filme que fala sobre o quanto a mulher sofria com o preconceito e o conservadorismo de tempos distantes dos EUA. Kya, por sua vez, foi construída em meio a dor e ao lado cego daquela comunidade que não conseguia enxergar além do que os seus olhos poderiam ver. Por pior clichê que seja, ao menos não foge da realidade de diversas mulheres que tiveram que lutar pela vida perante um machismo bestial e que ainda insiste em existir hoje em dia.
"Um Lugar Bem Longe Daqui" é aquela adaptação literária para o cinema cheia de clichês, mas que ao menos mantém a nossa atenção até o seu derradeiro final.
Onde Assistir: Netflix.
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