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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas'

Até o início dos anos sessenta os EUA era vendido para o mundo como o símbolo perfeito de uma nação democrática e cujo bem e o mal eram bem definidos. Mas o mundo estava mudando, a contracultura explodindo e uma nova geração de jovens que começou a surgir não se via nesta propaganda que, por vezes, era bastante enganosa. Porém, o que talvez tenha matado essa inocência tenha sido justamente o assassinato de John F. Kennedy.

No dia 22 de novembro de 1963, em Dallas, Texas, Estados Unidos às 12h30. Kennedy foi mortalmente ferido por um disparo enquanto circulava no automóvel presidencial na Praça Dealey. Posteriormente as cenas de vinte e nove segundos que mostram o político sendo morto veio à tona para o público e fazendo com que a realidade perfeita daquela sociedade fosse desfeita. Por conta disso, não havia como mais Hollywood vender o que eu chamo de “cinema plástico” da época e tendo que ousar assim como os outros cinemas do mundo que estavam colocando isso em prática, como no caso, por exemplo, do movimento cinematográfico francês conhecido como Nouvelle Vague.

A virada começou mais precisamente nos últimos anos da década de sessenta, onde os estúdios decidiram dar carta branca para jovens diretores que queriam colocar os seus projetos na mesa. Com o código Rays enfraquecido, eles se viram no direito de fazer filmes mais realistas, reflexivos e revelando a verdadeira cara dos EUA que não se via muito nas salas de cinema. Foi então que 1967 veio e com ele surgiu aquele filme que inaugurou o que hoje chamamos de " A Nova Hollywood"..... Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas".

Baseado em fatos verídicos, o filme se durante a Grande Depressão, onde Bonnie Parker (Faye Dunaway) conhece Clyde Barrow (Warren Beatty), um ex-presidiário que foi solto por bom comportamento, quando este tenta roubar o carro de sua mãe. Atraída pelo rapaz, ela o acompanha. Ambos iniciam uma carreira de crimes, assaltando bancos e roubando automóveis.

Em seu início de carreira, Warren Beatty se viu obcecado pela história do casal de assaltantes que desafiou o sistema e indo até as suas últimas consequências. O intérprete entrou no projeto como produtor e convidando Arthur Penn para a direção, sendo que o realizador já havia chamado atenção através do incrível "O Milagre de Anne Sullivan" (1962). No decorrer da pré-produção foi então que Beatty o decidiu atuar como Clyde, mas faltava saber qual seria a intérprete para Boonie.

Muitas atrizes foram sondadas, sendo que até mesmo Jane Fonda foi pensado para a personagem. O papel acabou ficando para a bela Faye Dunaway, sendo que para os familiares da verdadeira Bonnie ela não tinha nada a ver com relação ao que se lembravam dela. Porém, ao assistirmos aos minutos iniciais do longa, se percebe o quanto eles estavam errados, pois foi em poucos instantes que Dunaway consegue nos transmitir uma personagem à beira da loucura perante a sua vida monótona e vendo em Clyde a chance de fazer algo de diferente. É então que nascia ali um dos casais da ficção mais famosos do cinema.

A química entre Beatty e Dunaway impressiona até hoje, onde vemos ambos se complementarem, mesmo quando Beatty demonstra sinais de impotência e sendo algo até então raro ao ser discutido para aquela época. Em termos de novidade, por exemplo, logicamente se tem na questão da violência, por vezes, explícita e onde o sangue jorra na tela a partir do momento em que os personagens levam bala. Até então isso era algo nunca explorado no cinema, sendo que Arthur Penn encheu os atores com saquinhos de sangue falso e uma vez que sendo estourados se criava então um momento bastante verossímil e violento.

Vale destacar também um dos primeiros trabalhos elogiados do ator Gene Hackman, que aqui interpreta o irmão de Clyde chamado Buck e nos brindando com uma interpretação digna de nota e que nos dá uma dimensão do que o intérprete faria posteriormente ao longo da carreira. Outra presença que nos chama atenção é a esposa do personagem de Hackman chamada Blanche, sendo interpretada pela atriz Estelle Parsons e que aqui ela é filha de um pastor e cuja o seu lado alterado nos passa a sensação de que ela está no lugar errado e na hora errada dentro do grupo. Não é à toa que ela veio a ganhar um Oscar de atriz coadjuvante pelo seu desempenho.

Em termos de reconstituição de época Arthur Penn caprichou tanto na fotografia como também na edição de arte. Ao retratar os tempos da depressão norte-americana vemos um país quase em frangalhos, onde assistimos os necessitados vendo no casal de assaltantes um símbolo de resistência contra o sistema capitalista que levou a nação a ruína. Curiosamente, o filme estava chegando em um momento em que os EUA estavam novamente em crise econômica com a sua entrada na guerra do Vietnã e se alinhando posteriormente com o escândalo Watergate.

Não faltou logicamente críticos conservadores da época alegando que o filme seria uma má influência para os jovens, pois segundo eles o longa endeusava a jornada criminosa do casal central. O caso é que o filme foi justamente abraçado pela nova geração da época que não seguia regras, gostava de seguir a sua própria moda e não se intimidavam ao questionar o próprio governo que vendia a todo o custo a propaganda do mundo perfeito. O que talvez ninguém estivesse preparado para época era o seu fulminante final como um todo.

A morte de Bonnie e Clyde nos minutos finais de projeção foi o fim e o início de uma nova era para Hollywood, cujo estúdios começaram a se arriscarem mais e lançando obras que hoje são consideradas obras primas do cinema como foi o caso de "O Poderoso Chefão" (1972). A cena por si só remete o próprio assassinato de John F. Kennedy, sendo uma espécie de mensagem subliminar ao nos dizer que os próprios norte-americanos se matam uns aos outros a partir do momento em que determinados indivíduos mudam o seu próprio percurso. A inocência, portanto, se desfez e o cinema norte americano acordou de forma tardia, mas muito bem-vinda.

Marcando também a estreia do inesquecível ator Gene Wilder, "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas" é o marco inicial da melhor fase do cinema norte americano e simbolizando a morte da inocência do país como um todo.  


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