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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mambembe'

 Nota: O filme estreia dia 14 nos Cinemas. 

Sinopse: Um topógrafo viaja pelos cantos do Brasil e conhece três artistas de circo mambembe. As histórias desses personagens revelam uma trama contemplativa sobre o acaso e a construção artística.

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo" (2009), de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, fez escola na história do cinema brasileiro. A partir dele, consolidou-se uma onda de híbridos entre documentário e ficção, em que histórias elaboradas transitavam pelo viés documental, fundindo real e fantasia em um único projeto. Filmes como "Branco Sai, Preto Fica" (2014) e "A Vizinhança do Tigre" (2014) fortaleceram essa tendência, na qual as fronteiras entre o verídico e o inventado tornavam-se propositalmente nebulosas.

"Mambembe" (2026) segue essa mesma cartilha, mas com um diferencial: o filme não camufla onde começa e termina cada instância, o que torna a experiência cinematográfica ainda mais interessante. Dirigido por Fábio Meira — realizador de longas como "As Duas Irenes" (2017) e "Tia Virgínia" (2023) —, o filme narra o encontro de três mulheres de um circo itinerante (Índia Morena, Madonna Show e Jéssica) com um misterioso topógrafo. A partir dessas interações, desenha-se uma trama que mistura realidade e ficção ao longo de 15 anos, revelando-se uma jornada sobre o tempo, a arte circense e o próprio cinema.

Em seus trabalhos anteriores, Fábio Meira explora laços familiares que, por vezes, fogem do ideal de "família perfeita", revelando a face autêntica do cotidiano brasileiro. Pode-se dizer que "Mambembe" é seu filme mais pessoal ao transformar o fotógrafo andarilho, vivido por Murilo Grossi, em uma espécie de representação de seu próprio pai. É uma obra feita com evidente afeto, que presta homenagem ao universo circense — hoje em declínio, mas que mantém intacta a arte da resistência cultural.

O grande charme da obra reside na transição entre o registro ficcional e o documental. Enquanto Dandara Ohana dá vida a Jéssica (ex-artista de Belém), Índia Morena e Madonna Show interpretam a si mesmas, revisitando o passado ao cruzarem o caminho do protagonista. O resultado são atuações autênticas, em que o valor não está no improviso, mas na presença genuína dessas mulheres e no que elas se tornaram ao longo da vida.

Diferente das referências citadas no início, aqui Fábio Meira deixa as divisões mais claras, colocando-se à frente da câmera para dirigir seus intérpretes. É como se o projeto, inicialmente concebido como ficção, ganhasse força ao revelar sua própria construção, expondo a vontade de colocar a cultura em prática. Em muitos momentos, o que começa como uma cena simples ganha complexidade, como se qualquer passo em falso exigisse que os envolvidos recomeçassem do zero.

Além disso, o diretor utiliza com maestria o formato Super-8, remetendo ao início dos anos 80, quando essa estética era popular entre realizadores que buscavam um cinema fora dos padrões. Além de surgir em cena, o cineasta conduz uma ótima narração em off, essencial para momentos que não vemos, mas sentimos. Exemplo disso é a cena do encontro de Madonna com seu filho, cuja reconstituição ocorre apenas pela voz de Meira, tornando o momento digno de nota.

Acima de tudo, "Mambembe" é um filme sobre a resistência da arte brasileira perante os tempos de mudança. Em uma época em que o público anseia por novidades, o longa oferece os ingredientes ideais para quem deseja desfrutar de algo que foge das convenções. É uma experiência em que documentário e ficção se entrelaçam para revelar a força da cultura circense como um todo.

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