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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cine Dica: Em Cartaz: O HOMEM IRRACIONAL



Sinopse: Em crise existencial o professor de filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) chega para lecionar em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Logo uma de suas alunas Jill (Emma Stone) se aproxima dele devido ao fascínio que sente pelo seu intelecto além da tristeza que sempre carrega consigo. Simultaneamente ele é alvo de Rita (Parker Posey) uma professora casada que tenta ter um caso com ele. A vida começa a melhorar para Abe quando numa ida à lanchonete com Jill ouve a conversa de uma desconhecida sobre a perda da guarda do filho devido à uma decisão do juiz Spangler (Tom Kemp). Abe logo começa a idealizar o assassinato de Spangler e como por ser um completo desconhecido jamais seria descoberto.


Além de ser um diretor autoral, Woody Allen sempre gosta de colocar o seu lado pessoal nas telas do cinema, mesmo quando os seus personagens não sejam literalmente o seu “eu” verdadeiro. Em alguns casos, o diretor opta em exorcizar os seus demônios interiores em suas tramas em que ele cria, para assim, se sentir desprendido por algo que ele carrega. Em O Homem Irracional, percebo que é uma trama que, sintetiza um pouco da turbulência que o cineasta passou nos últimos tempos (como a sua vida pessoal com Soon Yi Previn vindo novamente à tona na mídia) e, pôr esses sentimentos na trama, talvez seja um lugar bom para eliminá-los.
No longa, acompanhamos o dia a dia do professor de  filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix, ótimo) que, embora seja talentoso no que faz, vive numa fase de crise existencial e não vê mais nenhum sentido em viver. As coisas mudam de forma gradual quando se muda para uma nova cidade e lá conhece a aluna Jill (Emma Stone), sendo que a mesma começa a sentir uma atração pelo professor e ambos começam ter um caso. Porém, Lucas somente começa a sentir um sentido na vida, no momento em que ele começa a ouvir numa lanchonete uma conversa desesperadora de uma mulher e é ai que ele toma uma decisão inusitada.
Embora num primeiro momento Allen seja sempre lembrado por comedias neuróticas, vale lembrar que ele sempre flertou em tramas das quais envolvem assassinato, como Crimes e Pecados e Match Point como exemplo. Aqui, o humor neurótico, existencialismo, crime e assassinato, são emoldurados num único quadro que, embora não traga nenhum frescor de originalidade, nos prende do começo ao fim. Isso se fortalece graças a uma galeria de personagens carismaticamente excêntricos, cujas suas vidas se encontram meio que vazias e não excitam em arriscar para encontrar algum sentido na vida.
Embora seja a primeira vez que esteja trabalhando com o cineasta, Joaquin Phoenix surpreende ao se apresentar totalmente à vontade em cena e criando mais um grande personagem em sua filmografia. O seu Abe Lucas nada mais é do que um lado do estado de espírito que Allen teve (ou tem) em alguma passagem de sua vida e que difere dos outros protagonistas dos filmes anteriores, dos quais enxergávamos o cineasta, mesmo não sendo ele próprio atuando. Atenção para a cena do revolver, sendo ela uma pequena prova da imprevisibilidade do personagem.
Embora já tenha trabalhado com o cineasta em Magia ao Luar, Emma Stone se apresenta aqui com todas as características das musas anteriores do cineasta. Basta dizer que as ações de sua personagem se assemelham com o que foi visto na personagem de Scarlett Johansson em Vicky Cristina Barcelona, mas de uma forma acentuada e muito melhorada. A química entre ela e Phoenix é outro ingrediente que nos faz perceber como Allen, mesmo já tendo feito quase cinquenta filmes na carreira, não tenha ainda perdido a mão na direção dos atores. 
Com passagens durante a trama, junto com um final que me fez lembrar o clássico A Sombra de Uma Duvida de Alfred Hitchcock, O Homem Irracional não é um filme de maior ou menor grau da carreira de Woody Allen, mas sim uma pequena amostra de uma das inúmeras facetas obscuras e escondidas no interior da alma do cineasta. 

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