Nota: Filme exibido para os associados no dia 30/05/26
Baseado em um best-seller de sucesso daquela época, esta história sobre a vida nas minas de carvão galesas é repleta de calor humano, paixão, atritos e quase todos os outros elementos que moldam o lado puro do ser humano, à altura dos padrões cinematográficos daqueles tempos dourados do cinema norte-americano. É uma história com alma, criada de forma perfeccionista por Richard Llewellyn, e a incrível fotografia em preto e branco de John Ford, a partir de um ótimo roteiro de Philip Dunne, só precisava de uma escolha de elenco impecável para completar o trabalho. Nesse aspecto, os Deuses do cinema sorriram para os realizadores.
As atuações são impressionantes do começo ao fim: refinadas e, ao mesmo tempo, vigentes; intensas, porém de uma forma sutil em seus simbolismos mais significativos; felizes e tristes, românticos e frustrados, com nuances e atmosferas, cores e contrastes perfeitamente cativantes. Em suma, é uma demonstração da arte cinematográfica em sua melhor forma.
E, acima de tudo, há um potencial novo astro mirim em Roddy McDowall. O jovem pode se provar o equivalente infantil deste estúdio a Shirley Temple, uma pequena e inspirada atriz que já atuou em filmes ingleses. Ele é cativante, másculo e historicamente competente de uma maneira íntegra e vigorosa.
A transição do livro para a tela também utiliza a narrativa em primeira pessoa do singular, com descrições vívidas de quão verde, de fato, era o vale do jovem Huw (pronuncia-se Hugh) Morgan, enquanto ele relembra sua vida desde a infância. Graficamente e com plena adequação de cena e diálogo, é revelada a plenitude da vida honesta, temente a Deus e industrial dos Morgans no vale galês.
Há quatro Morgans robustos que, como Morgan, pai, cada um de sua geração, trabalham nas minas de carvão. Tranquilidade doméstica, amor pelo lar, romance, o novo pregador, o trote do rapaz na escola, a surra do professor valentão, sua decisão de abrir mão das vantagens acadêmicas e seguir os passos betuminosos de seus parentes mais próximos, o burburinho dos vizinhos intrometidos, os Cantores Galeses (vocalizando a si mesmos) que são convocados à Corte para um concerto da Rainha, os canecos de cerveja prontos para todo o Vale, os movimentos sindicais contra a queda dos salários e as condições de trabalho cada vez mais precárias, a partida de dois filhos Morgan para buscar fortuna na América – tudo isso, e muito mais, é traduzido de forma astuta, concisa e atraente para o cinema.
"Como Era Verde o Meu Vale" é um filme que guarda muitas lembranças e é essa qualidade nostálgica que deve gerar um valioso boca a boca.
Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948



Nenhum comentário:
Postar um comentário