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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cine Dica: Em Blu-Ray e DVD: VIDAS AO VENTO




“Criei um aparelho para unir a humanidade, não para destruí-la.”

 (Santos Dumont)



Sinopse: Jiro Horikoshi, vive em uma cidade do interior do Japão. Um dia, ele tem o sonho de estar voando em um avião com formato de pássaro. A partir desse sonho, ele decide que construir um avião e colocá-lo no ar é a meta da sua vida. Durante a busca pelo seu sonho ele conhece Naoko, uma jovem encantadora por quem se apaixona. No entanto, Naoko fica profundamente doente, sem saber se sobreviverá.



Ao assistir ao mais novo (e talvez último) filme do mestre Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro e Castelo Animado), me veio a mente Santos Dumont, gênio brasileiro que criou o avião, mas que infelizmente viu a sua ideia servir como maquina para matar pessoas na Segunda Guerra Mundial. Após Dumont ter criado a invenção de sua vida, surgiram gênios que aperfeiçoaram a sua obra, seja para guerra, seja para melhor conforto para viagens comuns. Jiro Horikoshi (1903 – 1982) foi um desses engenheiros, que amava aviões e queriam eles aperfeiçoados e belos, mas que infelizmente foram usados para a morte.
No filme, acompanhamos Jiro desde garoto, tendo sonhos em que pássaros se tornam aviões e que acaba recebendo sempre conselhos de um engenho Italiano no decorrer dessas viagens do sonhar. Mas estamos falando de um filme baseado em fatos verídicos e, portanto a fantasia e o impossível acontecem somente nestes momentos oníricos em que Jiro sonha. Sendo assim, o filme se concentra nos anos em que o protagonista estuda, se forma e embarca de cabeça em aprimorar os aviões e na criação do que mais tarde se chamaria aviões kamikaze.
Porém, Miyazaki prefere fugir de temas delicados com relação à vida profissional de Jiro, pois estamos falando de um jovem sonhador, mas querendo ou não, ajudou na construção de um avião que seria usado para a guerra. Jiro queria somente fazer aviões belos, mas o filme não se aprofunda em dilemas que talvez ele tenha passado durante esse período de conflito mundial. Em vez disso, o filme prefere se aprofundar um pouco mais na bela e delicada historia de amor entre Jiro e a jovem Naoko, que havia conhecido durante um terremoto.
É nesta historia de amor que o cineasta injeta toda a sua paixão pela animação tradicional, onde as cenas dos encontros do casal (como a do morro onde ela esta pintando) nos proporcionam momentos líricos de encher os nossos olhos. Num mundo em que animação de computação gráfica domina o mercado, é muito bom ver que, quando animação feita à mão é feita por alguém como Hayao Miyazaki, é bom saber que essa arte ainda pode sim nos proporcionar momentos, que até mesmo a animação por computador não conseguiria nos dar. Os rostos de todos os personagens são sempre expressivos e distintos, mas moldado com um traço simples e muito bem pensando. 
Vidas ao Vento é um filme para poucos, pois é o mais adulto do diretor, mas não se esquecendo da geração que cresceu assistindo suas obras. No final das contas, Miyazaki faz uma declaração de amor para esses gênios como Jiro e Santos Dumont, que desejavam ser livres ao vento com suas maquinas voadoras e não querendo que suas obras fossem lembradas somente como maquinas de guerra.

  

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2 comentários:

renatocinema disse...

Gostei do filme......mas, acho que prefiro os outros. kkk

A Viagem de Chihiro me marcou mais. Porém, Vidas ao Vento é uma animação que enche os olhos. Belas homenagens.

Abraços

Marcelo Castro Moraes disse...

Nada supera A Viagem de Chihiro Renato, mas Vidas ao Vento fala por si e recomendo.