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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Cine Especial: A GÊNESE DA NOVA HOLLYWOOD: Parte 5

De 1967 a 1980, o cinema americano viveu o seu período mais criativo, onde eram apresentadas para o público, histórias sérias, reflexivas e que espelhasse um pouco que os EUA passavam naquele período (período pós Vietnam e o escândalo do Waltergate). Com uma nova e criativa geração de cineastas, Hollywood presenteou para os cinéfilos, algo que somente se via em outros países, como na França e sua “nova onda” (Nouvelle Vague).
O próximo curso criado pelo Cine Um e ministrado por Leonardo Bomfim, intitulado A Gênese da Nova Hollywood tratará exatamente disso. A atividade acontecerá em Porto Alegre, dos dias 05 e 06 de março, mas antes disso, postarei por aqui os primeiros filmes (entre anos 60 e 70) e que deram origem a esse rico período do cinema americano.

 

Meu ódio será tua herança (1969)



Sinopse: Eles são os foras-da-lei mais perigosos que o Oeste já viu. A cada novo golpe, as chances de algo dar errado vêm aumentando, o que faz com que eles decidam que chegou a hora de parar. Só que um trem carregado de armas é uma remessa valiosa demais para passar despercebida pelos ladrões 'aposentados'.

Considerado por muitos como o melhor filme de Sam Peckinpah (Sob o Domínio do Medo), sendo que aqui, também como co-roteirista. É um faroeste diferente, centrado na psicologia dos personagens e na estética da violência (os massacres e as lutas são marcados pelo uso da câmera lenta e da teleobjetiva). Excelente fotografia de Lucien Ballard, que se deixa seduzir pelas amplas paisagens, e elenco impecável, principalmente Willian  Holden e Robert Ryan. 
O ato final é inesquecível, inesperado e difícil de sair de memória do cinéfilo. Sendo algo similar com os finais de Uma Rajada de Balas e Butch Cassidy, só que aqui, o dia do juízo para os personagens se alonga em minutos intermináveis, onde é apresentadas umas das sequências mais violentas de tiroteio da historia do cinema.  

 

Butch Cassidy (1969)



Sinopse: Dois amigos inseparáveis, Butch (um ex-açougueiro, daí o nome) Cassidy (Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford), lideram o Bando do Buraco na Parede e vivem de assaltar trens e bancos. Quando são caçados por todo o país resolvem ir para a Bolívia e juntamente com Etta (Katharine Ross), a namorada de Sundance, rumam para a América do Sul. Mas esta decisão não lhes proporcionará grandes assaltos ou uma vida mais tranqüila.


Reunião muito bem sucedida de vários talentos. A dupla central e o diretor Hill (o trio repetiria a dose em Um Golpe de Mestre de 73), o músico Burt Bacharach e o letrista Hal David, o fotografo Corand Hall  e o roteirista Wiliam Goldman, sendo os quatro últimos premiados com o Oscar. O filme foi na verdade uma bela tentativa em tentar reviver os melhores momentos do gênero faroeste, que já dava sinais de desgasto. Sendo que a dupla central de foras da lei, representa uma época em que o mundo não quer mais eles, embora eles insistam em continuarem sendo o que são. A  química Newman e Redford em cena, lado a lado, é o maior trunfo da produção, onde cada um tem o seu espaço, sem tirar o brilho um do outro.
Não há como se esquecer de Butch experimentando uma bicicleta, a novidade técnica da época, ao som da contagiante Raindrops Keep Fallin on My Head, cantada por B.J Thomas. Repare numa rápida cena com Sam Elliot (Hulk), fazendo um jogador de cartaz.  

Curiosidade: O diretor George Roy Hill originalmente escalou Paul Newman como Sundance Kid e Robert Redford como Butch Cassidy. Foi o próprio Redford, quem sugeriu a ele e Newman, a troca dos personagens.


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Cine Especial: O 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos

 10º) Macunaíma (1969)

 

Sinopse: Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de negro (Grande Otelo) virou branco (Paulo José). Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos. Depois dessa longa e tumultuada aventura urbana, ele volta à selva. Um compêndio de mitos, lendas e da alma do brasileiro, a partir do clássico romance de Mário de Andrade.

 

A relação mais concreta entre a chanchada e o filme de Joaquim Pedro de Andrade está na figura de Grande Otelo, grande comediante dos filmes da Atlântida. É, contudo, no humor e na malandragem dos personagens que reside uma relação muito mais forte e interessante. Há um narrador que encaminha a história, nos elucida em seus pontos obscuros, nos ajuda nesse primeiro momento em que Macunaíma segue os seus instintos e lida com as coisas conforme as encontra. Como (super) herói, seu maior poder acaba ser o de se adaptar às condições, seja fisicamente (metamorfose em príncipe, branco/negro) seja na sua atitude.
Macunaíma é um herói volatil, imoral, sua única característica imutável é o seu caráter, a lei maior de sempre levar vantagem. A ida de Macunaíma para a cidade não é motivada, se norteia pelo senso comum do êxodo rural, tão retratado num primeiro período do Cinema Novo. Chega num pau-de-arara e irá se deslumbrar com a cidade, mas logo irá encarar o novo contexto da mesma forma que o mato. Macunaíma parece até tratar com um certo desdém as coisas da cidade, as coleções de Ci, as coleções do gigante. Sua motivação só surgirá com a morte de Ci, seu único interesse por um item colecionável é pelo Muiraquitã, por ter um motivo sentimental para ele. 
Mas isso não faz de Macuinaíma um anticapitalista. O malandro se adapta facilmente à cidade por mimetizar o estilo de vida urbano, tarefa fácil: basta comprar umas roupas, carregar uma guitarra, fingir que é hippie. Num outro nível, a antropofagia- capitalista é comum aos dois mundos, um devora o outro em todo lugar. O final triste revela como discurso maior do filme o das relações de poder. Há uma impossibilidade de o malandro gerar qualquer continuidade, produzir qualquer permanência ou concretude. Todas as relações do filme são destruidoras (capitalismo antropofágico), onde o ganhar ou perder diferenciam- se apenas pelo momento em que ocorrem.




11º) CENTRAL DO BRASIL (1998)



Sinopse: Dora (Fernanda Montenegro) é uma mulher que trabalha na estação Central do Brasil escrevendo cartas para pessoas analfabetas; uma de suas clientes, Ana (Soia Lira) aparece com o filho Josué (Vinícius de Oliveira) pedindo que escrevesse uma carta para o seu marido dizendo que Josué quer visitá-lo um dia. Saindo da estação, Ana morre atropelada por um ônibus e Josué, de apenas 9 anos e sem ter para onde ir, se vê forçado a morar na estação. Com pena do garoto, Dora decide ajudá-lo e levá-lo até seu pai que mora no sertão nordestino. No meio desta viagem pelo Brasil eles encontram obstáculos e descobertas enquanto o filme revela como é a vida de pessoas que migram pelo país na tentativa de conseguir melhor qualidade de vida ou poder reaver seus parentes deixados para trás.


Naquele ano (1998) fazia um tempo que uma produção nacional não desfrutava de tamanha visibilidade internacional. Um Road Movie sentimental de impressionante eficácia, a partir da amizade entre uma mulher que busca uma segunda chance e um garoto que quer procura suas raízes. Apesar de dramaticamente simples, o longa é cuidadoso, arcabouço de emoções calculadas e imagens poderosas, diálogos enxutos e grandes interpretações. Entre os mais de trinta prêmios arrebatados, destacam-se o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro, conquistados no festival de Berlim  de 1998, e o globo de ouro de 1999 de melhor filme estrangeiro.
Além disso, recebeu duas indicações ao Oscar, de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz. Montenegro, em uma incrível e sutil caracterização, foi à primeira atriz latina americana a ser indicada ao Oscar de melhor atriz. Um feito histórico.


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Cine Especial: A GÊNESE DA NOVA HOLLYWOOD: Parte 4

De 1967 a 1980, o cinema americano viveu o seu período mais criativo, onde eram apresentadas para o público, histórias sérias, reflexivas e que espelhasse um pouco que os EUA passavam naquele período (período pós Vietnam e o escândalo do Waltergate). Com uma nova e criativa geração de cineastas, Hollywood presenteou para os cinéfilos, algo que somente se via em outros países, como na França e sua “nova onda” (Nouvelle Vague).
O próximo curso criado pelo Cine Um e ministrado por Leonardo Bomfim, intitulado A Gênese da Nova Hollywood tratará exatamente disso. A atividade acontecerá em Porto Alegre, dos dias 05 e 06 de março, mas antes disso, postarei por aqui os primeiros filmes (entre anos 60 e 70) e que deram origem a esse rico período do cinema americano.

                 SEM DESTINO (1969)

Sinopse: Dois membros da contra- cultura hippie no final dos anos 60 saem de Los Angeles e atravessam o país até Nova Orleans. Na viagem, encaram o espírito da liberdade, mas também muito preconceito.
Filme de estrada, que encarou o preconceito da época. Apesar de todos os seus defeitos (e vícios), Dennis Hopper criou o que talvez seja sua maior obra prima de sua vida. Sem Destino representou uma geração que, exigia acima de tudo, liberdade de expressão e o direito de ir e vir sem dar satisfação para um mundo preso as regras daquele tempo. Dennis Hopper e Peter Fonda se tornaram a dupla da vez e suas imagens aonde aparecem pilotando suas motos envenenadas entraram para a história. O filme também tem a grata surpresa de mostrar uma pequena, porém, surpreendente participação de um jovem Jack Nicholson, que acabou ganhando sua primeira indicação ao Oscar e mostrando que aquele jovem ator iria longe.
A trama em si, é uma visão crítica da sociedade Americana, denunciando suas manifestações de tolerância e vulgaridade. O mais vigoroso filme inconformista dos anos 60, realizado com um roteiro improvisado e orçamento baixíssimo. Premio em Cannes de melhor diretor estreante. 
Curiosidades: Sean Penn era a escolha inicial para interpretar o personagem Henry Chinaski. Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2005.
O orçamento de Factotum - Sem Destino foi de US$ 1 milhão.
              PERDIDOS NA NOITE (1969)

Sinopse:  Caubói (Jon Voight) texano, bonito, inocente e caipira, tenta ganhar a vida em Nova York prostituindo-se com mulheres. Através da amizade de um marginal (Dustin Hoffman) descobre a face cruel da vida.
Com doses de humor e emoção na medida certa, o inglês Schlesinger mostra a vida nas sarjetas, ao som de canções de sucesso da época e temas originais de John Barry (Corpos Ardentes e a serie James Bond). Forte e ousado para época, ou seja, um filme que era à frente no seu tempo, e que na maioria dos casos, poderia muito bem não ser compreendido. Mas o que se vê na história, era o que muitas pessoas viam no dia a dia de Nova York daquele tempo e, devido a com isso, ouve uma identificação imediata. Jon Voight tem seu primeiro e grande desempenho de sua carreira e Dustin Hoffman, cada vez se afirmando com o grande astro daquele e tempo e que estaria presente em outros grandes filmes posteriormente. A química de ambos é perfeita, e faz com que os dois juntos atuem nos melhores momentos da trama. Sendo que os dois caminhando nas frias ruas da cidade, se tornaram imagens emblemáticas e bastante conhecidas do publico cinéfilo.     
Curiosidade:  Dustin Hoffman usou pedras no seu sapato durante toda filmagem para que seu personagem (que manco) ficasse convincente em todas as cenas.  Perdidos na Noite foi o único filme classificado como "X" nos EUA vencer o Oscar de Melhor Filme. Pouco após a premiação sua classificação mudou para "R".




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Cine Dicas: Estreias do final de semana (25/02/2016)



 A Paixão de JL


Sinopse: O artista José Leonilson começou em 1990 a narrar em fitas cassetes um diário sobre a sua vida e os acontecimentos no Brasil e no mundo, como a queda do Muro de Berlim. À Princípio, sem intenções, os registros tomam outra urgência quando José descobre que é portador do HIV. 



A Vizinhança do Tigre


Sinopse: Os jovens Juninho (Aristides de Souza), Eldo (Eldo Rodrigues), Adilson (Adilson Cordeiro), Menor (Maurício Chagas) e Neguinho (Wederson Patrício) são moradores da periferia de Contagem e vivem divididos entre o trabalho e a diversão, o crime e a esperança. Para sobreviver à luta de cada dia, eles terão que domar o tigre que mora dentro de si.


 

Amor em Sampa


Sinopse:Na cidade de São Paulo, cinco histórias de amor acontecem. Entre elas está a do publicitário Mauro (Rodrigo Lombardi), que se interessa pela estilista Tutti (Mariana Lima), uma divorciada que não acredita mais no amor. Já a empresária Aniz (Bruna Lombardi) se faz difícil e acha que os homens não têm a capacidade de amar. Enquanto Raduan (Tiago Abravanel) entra em atrito com Ravid (Marcello Airoldi), que não tem coragem de assumir sua homossexualidade. 

Como Ser Solteira

Sinopse: A jovem Julie Jenson é uma antropóloga que decide escrever um livro. O tema da obra é como é ser solteira nos dias de hoje. Ela busca entender como as pessoas lidam com a solteirice convicta, o sexo casual, o encontro às escuras, o medo de se comprometer e quando é a hora certa para se casar.


  Deuses do Egito


Sinopse: No Antigo Egito, Set (Gerard Butler) assassinou o pai do deus dos céus Horus (Nikolaj Coster-Waldau), que busca vingar a morte do patrono. Para isso, ele conta com a ajuda do ladrão humano (Brenton Thwaites) e da deusa do amor Hathor (Elodie Yung).

 

Ela Volta na Quinta


Sinopse: O cineasta André Novais Oliveira transforma sua casa em Contagem, Minas Gerais, em cenário para contar a história de sua família. Seus pais, Norberto e Maria José, estão juntos há 35 anos, mas estão em crise. Ela faz uma viagem para Aparecida do Norte para refletir se o divórcio é a solução.


 

O Abraço da Serpente


Sinopse:Um cientista está muito doente e se embrenha pelas matas da Amazônia na companhia de um xamã em busca de uma planta sagrada que pode curá-lo. Nessa jornada, o cientista aprende lições para entender os significados de silêncio, solidão e enxergar quem ele realmente é.

 

Orgulho e Preconceito e Zumbis


Sinopse: Releitura do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, o filme é ambientado em Londres do século XIX. Especialista em artes marciais, Elizabeth Bennet (Lily James) está determinada em acabar com todos os zumbis que atravessam o seu caminho. Mas a situação mudará após a chegada do arrogante Sr. Darcy (Sam Riley).

 

Presságios de um Crime


Sinopse: Um agente do FBI (Jeffrey Dean Morgan) recruta o médico John Clancy (Anthony Hopkins) para ajudá-lo na caça de um serial killer (Colin Farrell). Clancy possui poderes psíquicos e descobre que o assassino também tem, e a patir daí eles entram num perigoso jogo de gato e rato.

 

Que Viva Eisenstein! - 10 Dias que Abalaram o México


Sinopse: O cineasta russo Sergei Eisenstein (Elmer Bäck) é celebrado por seu trabalho no cinema de vanguarda, ideológico e suas experimentações com a montagem, que renderam clássicos como O Encouraçado Potemkin (1925). Em 1931, ele parte para o México para realizar um novo filme e lá passa dez dias, em que descobre o amor, o sexo e a liberdade para desfrutar do que a vida tem de bom.


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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: A GAROTA DINAMARQUESA


Sinopse: O pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener (Eddie Redmayne) é casado com Gerda (Alicia Vikander) e sempre se identificou com o universo feminino, mesmo de forma velada. Mas seu instinto fala mais alto e ele decide fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Einar passa a usar o nome Lili Elbe e entra para história como a primeira pessoa a se submeter a esse tipo de procedimento.


Subestimei Eddie Redmayne quando eu o vi pela primeira vez em Sete Dias com Marilyn, pois a sua atuação era opaca perante o talento de Michelle Williams que interpretada um ícone imortal naquele filme. Porém, tive que engolir as minhas próprias palavras quando vi o mesmo jovem ator no filme A Teoria de Tudo e cuja sua interpretação extraordinária lhe garantiu o seu primeiro Oscar na carreira. Tudo é questão de oportunidade para determinados atores mostrarem o seu verdadeiro talento e não me admira que Eddie Redmayne venha a ganhar o seu segundo Oscar consecutivo pelo filme A Garota Dinamarquesa.
Baseado em fatos verídicos, Redmayne interpreta o bem sucedido pintor Finar Mogens que, casado com a também pintora Gerda (Alicia Vikander), ambos possui uma vida corriqueira pelo mundo das artes. Porém, quando Gerda pede ao seu marido posar com um vestido, Finar imediatamente começa a ter prazer em se vestir como mulher. Não demora muito para descobrimos de que se trata de outro lado do pintor que estava adormecido há muito tempo e que agora despertou.
Talvez a construção dos personagens seja o ponto mais forte do filme como um todo, pois uma vez eles sendo apresentados para nós, imediatamente ficamos encantados pela forma como eles enxergam o mundo que os rodeia. Gerda enxerga a sua realidade como uma forma curiosa, o que lhe faz criar os seus quadros de sua maneira. Já Redmayne possui uma curiosidade com relação a tudo em volta, não só para encontrar algo para pintar, mas para talvez sentir algo guardado dentro de si. Uma vez que Redmayne começa a ter obsessão pelos vestidos de sua esposa, imediatamente percebemos um conflito interno através do seu olhar, como se ele tivesse tentando travar algo para que não saia pra fora. Uma vez que seu outro lado acorda, imediatamente percebemos que há dois seres em um único corpo e uma batalha interna se tem início. Eddie Redmayn simplesmente dá um show de interpretação, cujo seus gestos, cacoetes e olhares falam por si de uma forma assombrosa e realística.
Porém, Alicia Vikander se sobressai em muitos momentos, chegando até mesmo ser a verdadeira protagonista da trama. O caso que a sua Gerda seria uma representação dos nossos olhos perante uma situação inusitada, ao ver a pessoa que ela tanto ama começar a mudar radicalmente de uma forma aparentemente inexplicável. Contudo, percebemos que Gerda é uma pessoa resolvida perante o mundo do qual vive e possuindo o amor que sente pelo seu marido, a situação não se torna algo insuportável, mas sim como um desafio, do qual ela deva aceitar pacificamente e para só assim viver até o fim com o seu amor.
Visualmente, o filme possui uma reconstituição de época perfeita, principalmente dirigido por alguém como Tom Hooper, acostumado a fazer filmes de época deslumbrantes, principalmente em obras como Os Miseráveis. Edição de arte, fotografia e, principalmente figurino, não são meros detalhes para trama, como também reflexos das personalidades dos personagens e fazendo com que cenários e protagonistas se tornem um único ser em cena. Aliás, é sempre interessante observamos uma época como essa que se passa a trama, já que questões como transexualismo eram visto como tabus, ou até mesmo doença e provando que a nossa sociedade atual evoluiu com relação a esses assuntos, mesmo que ajam alguns por ai que infelizmente tentam provam ao contrário.
Sendo um filme que nos envolve emocionalmente, principalmente com relação aos destinos dos personagens, A Garota Dinamarquesa é sobre a luta de alguém em querer ser algo que sempre desejou ser por completo, mas que precisa fazer uma longa caminhada para alcançar os seus tão sonhados objetivos. 

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