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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Cine Especial:HORROR NO CINEMA BRASILEIRO:Parte2



Sim, o gênero de horror existe no Brasil e ele será tema do próximo curso de cinema, criado pelo Cine Um e ministrado pelo Jornalista, crítico, historiador e pesquisador dedicado a tudo que se refere ao cinema de horror mundial Carlos Primati. O curso ocorre nos dias 29 e 30 de Agosto no Cine Capitólio.  Enquanto os dias da atividade não chegam, irei postar por aqui sobre os filmes de horror que eu tive o privilegio de assistir, seja em DVD ou no cinema.

Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967) 

Sinopse: Após sobreviver ao ataque sobrenatural do final de 'À Meia-Noite Levarei Sua Alma', Zé do Caixão continua na busca obsessiva da mulher ideal, capaz de gerar o filho perfeito. Com ajuda do fiel criado Bruno, ele rapta seis belas moças, submetendo-as às mais terríveis torturas. Só a mais corajosa sobreviverá ao teste e poderá ser a mãe de seu filho. Mas Zé comete um crime imperdoável ao assassinar uma moça grávida. Atormentado pela culpa de ter assassinado uma criança inocente, ele sofre um pesadelo no qual é levado para um inferno gelado, onde reencontra suas vítimas.
 Se A Meia Noite Levarei Sua Alma já surpreendia, o que dizer de uma sequência que supera o original em todos os quesitos. Embora pareça em alguns momentos uma produção barata, o filme possui um cuidado muito maior do que o filme original, fazendo parecer com que, as ultimas diabruras de Zé do Caixão vistas anteriormente, parecesse então tímidas comparadas a essas. Com o sucesso do original, Mojica está muito mais a vontade interpretando o seu personagem que o consagrou, dobrando em tudo em que ele faz e o que não fez anteriormente: duplicar o número de suas vitimas femininas, com seqüências de tortura em seu covil, com direito a inúmeras aranhas reais, ácidos e armadilhas mortais em que esmaga suas vítimas.
Como no anterior, Zé vive sempre combatendo as crendices e a religiosidade do povo que ele chama de ignorante e crente do nada. É Zé do Caixão disparando o seu ateísmo a torto e a direito, sem se preocupar com nada, mas sim se preocupando em alcançar o seu único objetivo: achar a sua mulher perfeita para gerar o seu filho perfeito, para então dar a continuidade do seu sangue. É claro que mesmo parecendo estar sempre no controle, o personagem há de enfrentar as consequências dos seus atos, principalmente vinda de uma de suas vítimas mesmo a pôs a morte. A partir desse ponto, Zé começa a enfrentar conflitos de culpa interiores, onde o leva a um dos momentos mais interessantes do filme, que era o próprio inferno.
Não resta a menor dúvida que a sequência do inferno seja a melhor parte do filme, pois o que mais contrasta com o resto da obra, é que ela foi rodada toda em cores e fazendo das cenas de terror mostradas (pessoas sendo torturadas por demônios), se torne muito mais forte. De volta ao mundo dos vivos (na reta final), o protagonista chega ao ápice da insanidade e desespero em conseguir o seu filho perfeito, mas é ai então que ele terá que enfrentar as pessoas da vila que desejam a sua morte. É neste momento que o filme me lembrou um pouco os clássicos filmes de horror dos estúdios da Universal, onde o povo enlouquecido tenta destruir monstro incompreendido. 
Embora tenha tido liberdade em quase tudo que fez durante o processo de criação do filme, infelizmente os minutos finais foram modificados devido uma ordem da famigerada censura na época, sendo que a bendita modificação torna a cena ilógica e trai completamente o que personagem foi do começo ao fim. São minutos que não diminui as qualidades desse filme e que felizmente foi corrigido esse erro histórico na terceira parte da saga do Zé do Caixão em A Reencarnação do Demônio, mas isso já é outra historia há ser contada.    



Inscrições para o curso cliquem aqui 

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Cine Dica: Hammer – 80 anos de Horror na Sala P. F. Gastal



Entre os dias 4 e 16 de agosto, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe a mostra Hammer – 80 anos de Horror, com dezoito filmes da lendária produtora britânica, incluindo diversas obras-primas, como O Vampiro da Noite (1958), A Maldição de Frankenstein (1957) e As Bodas de Satã (1966), com cópias em alta definição. A mostra tem o apoio da distribuidora MPLC e da locadora E O Vídeo Levou.  


A HAMMER

Londres, final de 1934, William Hinds, um comediante oriundo da região de Hammersmith, investe todos os seus recursos na fundação de uma companhia cinematográfica. Em homenagem ao seu antigo distrito a produtora é batizada de Hammer Film Productions. No ano seguinte Hinds associa-se ao imigrante espanhol Enrique Carreras, dono de um antigo cinema, e produzem quatro filmes em dois anos. Em 1938 os respectivos filhos, Anthony Hinds e James Carreras, juntam-se à produtora iniciando uma parceria que no futuro transformaria a Hammer na mais emblemática e cultuada produtora de cinema inglesa. Até meados dos anos 1950 a Hammer produziu de comédias, e aventuras policiais, até filmes de piratas, porém, foi em 1955 que a produtora começaria se direcionar para o gênero que marcaria o seu nome, com a ficção científica “Terror Que Mata” (The Quatermass Xperiment).

Entre 1957 e 1959 a Hammer realizou três obras que definiriam o estilo da produtora, consolidando o horror como o seu carro chefe, “A Maldição de Frankenstein” (The Curse of Frankestein), “O Vampiro da Noite” (Horror of Dracula), e “A Múmia” (The Mummy). Estes filmes, além de revitalizações dos notórios monstros clássicos do ciclo de terror da Universal dos anos 1930, transformaram os atores Peter Cushing e Christopher Lee em verdadeiras lendas do cinema fantástico, tornando-os figuras indissociáveis, não apenas de seus personagens como da própria produtora. Durante anos de intensa atividade a Hammer fomentou o mercado cinematográfico inglês com sangue e pavor, realizando mais de uma centena de filmes, e servindo de base para que diretores como Terence Fisher, Roy Ward Baker, e John Hough explorassem seu talento.

A produtora cerrou suas portas em 1979, retornando suas atividades em 2008, direcionando seu trabalho para uma nova geração de fãs de horror. De 04 a 16 de agosto, a mostra Hammer – 80 Anos de Horror, irá homenagear está emblemática produtora inglesa, focando em sua fase clássica, exibindo um panorama envolvendo 18 títulos representativos desta verdadeira fábrica de fantasia e pesadelos, que há décadas povoa o imaginário dos cinéfilos, e continua influenciando realizadores ao redor do globo com seu universo repleto de vampiros, múmias, mortos vivos, e outras criaturas monstruosas.


FILMES

Terror que Mata (The Quatermass Xperiment), de Val Guest (1955) / 82 minutos.
Um foguete cai num campo no interior da Inglaterra. Dos três membros da tripulação, dois desapareceram misteriosamente. O terceiro, quase morto, sofre uma incrível metamorfose, se transformando em um ser monstruoso. O Professor Quatermass descobre que o mistério envolve um plano de invasão idealizado por uma estranha forma de vida alienígena. Exibição digital em alta definição. Seminal incursão da produtora Hammer no universo do horror e da fantasia. Exibição digital em alta definição.
 
O Vampiro da Noite (Horror of Drácula), de Terence Fisher (1958) / 82 minutos
O Conde Drácula (Christopher Lee), um vampiro condenado à vida eterna, deixa sua terra natal, na Transilvânia, para ir a Londres em busca de novas vítimas. Seus hábitos noturnos chamam a atenção do Dr. Van Helsing (Peter Cushing), um cientista que se torna inimigo implacável do conde, determinado a por um fim à sua implacável sede de sangue. Uma obra-prima do cinema britânico que consagrou o ator Christopher Lee, e os estúdios Hammer, introduzindo uma nova era nos clássicos de terror. (Versão restaurada pela British Film Institute). Exibição digital em alta definição.

A Múmia (The Mummy), de Terence Fisher (1959) / 86 minutos
Egito, 1895. Três arqueologistas britânicos, John Banning (Peter Cushing), Stephen Banning (Felix Aylmer) e Joseph Whemple (Raymond Hutley), descobrem o túmulo de uma princesa egípcia, Ananka (Yvonne Furneaux), que morreu há quatro mil anos. Sem imaginar o que realmente fazia, Stephen lê o "Pergaminho da Vida". Isto faz voltar a vida Kharis (Christopher Lee), o guardião da tumba, que recebe a ajuda de Mehemet Bey (George Pastell), um egípcio que não aceita o túmulo ter sido profanado por "infiéis". Três anos depois, Mehemet leva Kharis para a Inglaterra, lhe dando a missão de matar os três arqueólogos que lideraram a expedição que achou a tumba de Ananka. Exibição digital em alta definição.

A Maldição do Lobisomem (The Curse of the Werewolf), de Terence Fisher (1960) / 93 minutos
Sobre um bebê indesejado, nascido na noite de Natal, caiu uma terrível maldição. Criado por Don Alfredo, o jovem Leon passa a sofrer transformações com a chegada da lua cheia. Só o amor verdadeiro e a compreensão podem salvá-lo de seu terrível destino. Exibição digital em alta definição.

As Bodas de Satã (The Devil Rides Out), de Terence Fisher (1968) / 96 minutos
Christopher Lee atua como um duque francês que está preocupado com o comportamento estranho de seu amigo, Patrick Mower. O duque tem toda razão: A menos que sejam tomadas medidas drásticas, Mower perderá sua alma para Satanás dentro de três dias. Exibição em arquivo digital de alta definição. Exibição digital em alta definição.

A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankestein), de Terence Fisher (1957) / 82 minutos
O barão Victor Frankenstein (Peter Cushing) descobre uma maneira de enganar a morte. Para testar sua descoberta, monta um corpo com pedaços de diferentes cadáveres. É o filme que dá início ao ciclo de horror da Hammer. Primeira incursão da Hammer no horror gótico, que desencadearia um prolífico ciclo de produções do gênero.
Exibição digital em alta definição.

Nas Garras do Ódio (The nanny), de Seth Holt (1966) / 91 minutos
Depois de passar dois anos em uma instituição para pessoas com doenças mentais, o garoto Joey está voltando para a casa dos pais ricos e ausentes. Em casa, reencontra seu antigo algoz: a babá. Exibição em DVD.

A Serpente (The Reptile), de John Gilling (1966) / 91 minutos
Dr. Franhlyn (Noel Willman) faz parte de um misterioso culto de adoradores de serpentes. Pessoas de seu vilarejo passam a ser atacadas por uma aterrorizante criatura, meio humana, meio réptil. Um jovem casal tenta descobrir a verdade. Exibição em DVD.

Rasputin: O Monge Louco, de Don Sharp (Rasputin: The Mad Monk) (1966) / 91 minutos
Christopher Lee é Grigori Rasputin, que deixa uma trilha de assassinatos no seu caminho rumo ao poder na Rússia. Exibição digital em alta definição. Exibição digital em alta definição. Exibição digital em alta definição.

Epidemia de Zumbis (The Plague of The Zombies), de John Gilling (1966) / 91 minutos
Uma estranha epidemia de proporções gigantescas toma conta do território inglês. Milhares de mortos estão levantando de suas tumbas e aterrorizando o mundo dos vivos. Dr. Peter Thompson, com a ajuda de seu mestre, Sir James Forbes, está tentando controlar a terrível praga. Suas investigações os levarão a uma horrível descoberta. Exibição em DVD.

Uma Sepultura na Eternidade (Quatermass and the Pit), de Roy Ward Baker (1967) / 97 minutos
Trabalhando na construção de uma nova linha do metrô em Londres, um grupo de operários encontra a carcaça do que acreditam ser um artefato bélico pertencente aos alemães, da época da Segunda Guerra. Porém, quando um especialista investiga o objeto, todos descobrem que ele guarda outro grande segredo. Exibição digital em alta definição. Exibição digital em alta definição.

Carmilla, A Vampira De Karnstein, (The Vampire Lovers) de Roy Ward Baker (1970) / 91 minutos
Quando uma misteriosa condessa viaja para o exterior para visitar um amigo doente, o general Spielsdorf oferece sua hospitalidade. O que o general não imagina é que Carmilla é a reencarnacão de uma terrível vampira que inicia um ritual macabro para saciar sua sede de sangue. Exibição digital em alta definição.

Filhas de Drácula (Twins of Evil), de John Hough (1971) / 87 minutos
Gêmeas vão viver com o tio, num vilarejo, no qual à noite são vistas misteriosas figuras femininas vagando nas sombras. Os aldeões acreditam que o responsável por tudo é o Conde Karnstein, que mora num castelo. Mas elas acabam aproximando-se do castelo, a despeito da proibição do tio. Exibição digital em alta definição.

Fanatismo Macabro (Die!Die! My Darling!), de Silvio Narizzano (1965) / 97 minutos
Uma fanática religiosa fica obcecada pelo espírito do filho morto num acidente. Quando a ex-namorada do rapaz lhe faz uma visita inesperada, ela aprisiona a bela jovem para "limpar" sua alma antes de se unir ao filho no céu. Exibição em DVD.

 O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles), de Terence Fisher (1959) / 87 minutos
Um mal demoníaco está oculto no fundo dos penhascos cobertos pela névoa dos lendários terrenos de caça da Inglaterra. Na forma de um diabólico cão de caça, ele se alimenta da trêmula carne dos herdeiros da mansão Baskerville.
Mas antes que essa besta selvagem possa cravar seus dentes no mais novo dono da propriedade, ele precisa lançar suas ferozes presas contra o perspicaz intelecto do mais poderoso adversário que ele jamais encontrou - o incomparável Sherlock Holmes. Exibição digital em alta definição.

As Noivas do Vampiro (The Brides of Dracula), de Terence Fisher (1960) / 85 minutos
Marianne Danielle está viajando pelo Leste Europeu a fim de assumir o cargo de professora de francês em uma escola para moças na Transilvânia, agora livre da ameaça do Conde Drácula. Ela não é muito bem recebida pelos locais e acaba sendo acomodada no castelo da Baronesa Meinster, onde conhece o filho da nobre, que vive acorrentado à parede. Com pena do jovem, Marianne decide libertá-lo sem desconfiar que ele é um vampiro. Para sorte dela, o Doutor Van Helsing está por perto e promete por fim à vida de mais esse ser das trevas. Exibição digital em alta definição.

Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (When Dinosaurs Ruled the Earth), de Val Guest (1970) /  100 minutos
Uma pequena tribo está lutando pela sobrevivência, oferecendo uma rara mulher loira como sacrifício para obter proteção contra os dinossauros. Exibição em DVD.
  
PROJETO RAROS: A Lenda dos Sete Vampiros (The Legend of the 7 Golden Vampires), de Roy Ward Baker e Chang Cheh (1974) / 83 minutos
Van Helsing conta a seus estudantes a respeito de uma vilarejo amaldiçoado na China, onde, todo ano, durante 7 luas, a região é atormentada por sete vampiros. O famoso caçador de vampiros é persuadido por uma família de experts em Kung Fu a ajudar a salvar os moradores. Enquanto isso, o Conde Drácula se aproxima. Exibição em DVD.


GRADE DE HORÁRIOS
04 a 09 de agosto de 2015

04 de agosto (terça-feira)
15:00 – Terror que Mata (82’)
17:00 – As Filhas de Drácula (87’)
19:30 – O Vampiro da Noite (82’)

05 de agosto (quarta-feira)
15:00 – Uma Sepultura na Eternidade (97’)
17:00 – Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (100’)
19:30 – A Maldição de Frankenstein (82’)

06 de agosto (quinta-feira)
15:00 – Nas Garras do Ódio (91’)
17:00 – Fanatismo Macabro (97’)
19:30 – A Múmia (86’)

07 de agosto (sexta-feira)
15:00 – A Maldição de Frankenstein (82’)
17:00 – Carmilla, A Vampira De Karnstein (91’)
20:00 – Projeto Raros: A Lenda dos Sete Vampiros (83’)

08 de agosto (sábado)
15:00 – Rasputin: O Monge Louco (91’)
17:00 – Epidemia de Zumbis (91’)
19:00 – A Maldição do Lobisomem (93’)

09 de agosto (domingo)
15:00 – A Serpente (91’)
17:00 – O Vampiro da Noite (82’)
19:00 – As Bodas de Satã (96’)



GRADE DE HORÁRIOS
11 a 16 de agosto de 2015

11 de agosto (terça-feira)
15:00 – Fanatismo Macabro (97’)
17:00 – A Maldição do Lobisomem (93’)
19:30 – O Cão dos Baskervilles (87’)

12 de agosto (quarta-feira)
15:00 – Epidemia de Zumbis (91’)
17:00 – As Filhas de Dracula (87’)
19:30 – As Noivas do Vampiro (85’)

13 de agosto (quinta-feira)
15:00 – Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (100’)
17:00 – A Múmia (86’)
19:30 – Uma Sepultura na Eternidade (97’)

14 de agosto (sexta-feira)
15:00 – O Cão dos Baskervilles (87’)
17:00 – Nas Garras do Ódio (91’)
19:00 – Carmilla, A Vampira De Karnstein (91’)

15 de agosto (sábado)
15:00 – As Bodas de Satã (96’)
17:00 – As Filhas de Drácula (87’)
18:30 – Sessão Aurora: O Pagamento Final

16 de agosto (domingo)
15:00 – A Maldição de Frankenstein (82’)
17:00 – O Vampiro da Noite (82’)
19:00 – A Múmia (86’)




Sala P. F. Gastal
Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia
Av. Pres. João Goulart, 551 - 3º andar - Usina do Gasômetro
Fone 3289 8133
www.salapfgastal.blogspot.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Cine Especial:HORROR NO CINEMA BRASILEIRO:Parte1



Sim, o gênero de horror existe no Brasil e ele será tema do próximo curso de cinema, criado pelo Cine Um e ministrado pelo Jornalista, crítico, historiador e pesquisador dedicado a tudo que se refere ao cinema de horror mundial Carlos Primati. O curso ocorre nos dias 29 e 30 de Agosto no Cine Capitólio.  Enquanto os dias da atividade não chegam, irei postar por aqui sobre os filmes de horror que eu tive o privilegio de assistir, seja em DVD ou no cinema.

 

À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)



Sinopse: Zé do Caixão, um cruel coveiro, quer gerar um filho para dar continuidade ao seu sangue. Mas sua mulher não consegue engravidar e ele acaba estuprando a mulher do seu melhor amigo, que agora deseja se suicidar para regressar do mundo dos mortos e levar a alma de Zé do Caixão.


Eu cresci assistindo Zé do Caixão na TV, mas não nos seus filmes e sim em programas de auditório com apelo duvidoso e no saudoso Cine Trash da Band. Achava que José Mojica Marins fosse o tempo todo o Zé do Caixão, sendo que somente soube que era um personagem que o marcou completamente quando me dediquei mais na história do cinema. Redescobrindo a partir do seu primeiro grande sucesso em 1964, compreendo porque o filme marcou não só ele como o cinema nacional como um todo.
Justamente num ano em que o povo brasileiro sofria um grande golpe e que desencadearia eventos que fariam com que a gente perdesse o nosso direito de opinião, Mojica lança um personagem polêmico, que embora pareça mais saído de um conto de terror, é na realidade um simples coveiro, mas com opinião própria e que não mede esforços para manter ela. O filme já começa alfinetando, onde se apresenta como uma pessoa ateia, não acreditando nem e Deus, nem no Diabo e que não se freia em comer carne na sexta feira santa. Para piorar, ele cria uma obsessão em sua mente, em que precisa achar a mulher perfeita, para então gerar o seu filho perfeito e dar continuidade ao seu sangue.
Nem precisa ser adivinho para saber que o cineasta teve inúmeros problemas para levar as suas ideias para o personagem para as telas, principalmente perante os setores da igreja católica, que via o filme como uma verdadeira blasfêmia, mas isso não foi o suficiente para que o filme fosse censurado, mesmo numa época tão conservadora. Claro que embora seja perceptível a simplicidade da produção, por sua vez ela possui um visual tenebroso (graça a fotografia em preto e branco), que não deve em nada aos filmes ingleses de terror da Hammer que fazia sucesso na época e as ações imprevisíveis do personagem tornam o filme muito mais angustiante. Cenas de estupro, espancamento e mutilações são uns dos muitos exemplos do que é visto na tela, que até então era pouco visto naquele tempo e ainda hoje impressiona.
Graças ao sucesso de publico, Zé do Caixão não descansaria na sua busca em conseguir alcançar os seus objetivos, mas isso já outra história a ser contada. 

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Cine Dica: Em Cartaz: Adeus à Linguagem



Sinopse: Um homem e uma mulher dividem a intimidade em uma casa, onde mora também um cachorro. Ela é casada, mas não há qualquer informação sobre sua vida fora daquele local. Os dois conversam sobre a questão da linguagem sob o ponto de vista filosófico, enquanto que o cão a tudo observa.



Desde o movimento cinematográfico francês Nouvelle vague, o cineasta Jean-luc Godard sempre criou filmes com um alto grau histórico, político, autoral, e acima de tudo, que diferenciasse do cinema convencional do seu país de origem. Numa verdadeira mistura de dois de seus grandes filmes, como A Chinesa (1968) e Desprezo (1963) como exemplo, se tem Adeus A Linguagem, sendo uma espécie de uma crítica visual com relação ao nosso mundo contemporâneo de hoje, principalmente da forma como as pessoas se comunicam na maioria das vezes. Talvez para o cineasta, a linguagem de ontem está cada vez mais se perdendo em meio ao turbilhão da tecnologia que, faz com que tenhamos cada vez mais informações rápidas, mas se perde as formas como as pessoas se interagiam antigamente e se tornando tudo mais automático e menos humano.
Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 2014, o longa é uma verdadeira aula de som e imagem, aonde as formas e as cores se misturam, num 3D (primeira vez usada pelo cineasta) que se apresenta da forma como realmente essa ferramenta cinematográfica deveria sempre ser: profundidade acentuada, pequenos detalhes que voam aos nossos olhos, numa verdadeira representação da corrida louca de uma sociedade moderna que não vê mais o tempo passar como era antigamente. Devido a isso, o filme se encaminha mais para um longa experimental do que algo convencional, o que pode espantar os cinéfilos desavisados.
Na realidade há praticamente dois protagonistas, que inclui um cachorro (sendo do próprio cineasta), e que por vezes, esse último rouba a cena do filme. Os dois protagonistas são na realidade um casal em crise, pelo fato de eles não conseguirem compreender o que um está querendo dizer para o outro e gerando então um conflito entre os dois. Já o cachorro, sempre surge em momento chave, do qual ele se torna uma representação da ausência dos próprios donos que, não lhe dão atenção, assim como não conseguem administrar a relação de ambos. 
Embora sendo pouco mais de uma hora de duração, Godard prova que cada minuto se torna longo e precioso, pelo fato que, a cada momento, ele criar situações que exige maior intensidade de seus dois atores e gerando situações imprevisíveis. Embora curto, são tamanhas situações acontecendo a todo o momento que, faz com o filme se pareça longo, mas gerando ao mesmo tempo a sensação de que os personagens tiveram o seu tempo de resolverem os seus conflitos em cena.
Vendo o filme como um todo, é impressionante constatar que Godard, mesmo com mais de oitenta anos vida, consiga ter uma sintonia com relação ao mundo que vivemos hoje. Essa sintonia não é diferente de décadas passadas, provando o quão ele se preocupa em corresponder, através da sétima arte, a realidade do qual ele vive. Diferente de outros de sua geração, ele se empenhou em jamais ficar para trás, mesmo criando obras das quais nem todos possam conseguir comprar o que ele quer passar. 
Mesmo com toda sua complexidade, Adeus À Linguagem se torna indispensável, ao mostrar de uma forma simples, o quanto precisamos caminhar para não nos esquecermos do que nós realmente somos, em meio a tamanhos meios de comunicação, que cada vez mais nos deixa menos humanos e verdadeiros.   
     
Leia mais sobre Jean-luc Godard clicando aqui.


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