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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 99 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre - 'O Desprezo'

Nota: O filme será exibido para os associados e não associados na Sala Redenção, Campus Central da UFRGS. Data: 15/10/2022, sábado, às 10:15 da manhã. 


“Os Deuses não criaram o homem, mas sim homem criou os Deuses” 

Essa frase dita no clássico “O Desprezo” (1963), de Jean Luc Godard, talvez, tenha relação ao próprio cinema, já que essa maravilha mecânica criada pelos irmãos Auguste e Louis Lumière foi responsável para a construção de inúmeras histórias, assim como também o surgimento de grandes astros que viriam a ser adorados por inúmeras pessoas. Inspirando no conto “A Odisseia”, a trama se passa em uma ilha onde está sendo filmado justamente o conto mitológico. A ilha Capri, por exemplo, pode ser interpretada como uma espécie de representação com relação ao próprio Olimpo onde abrigava os Deuses mitológicos. No caso do filme, os Deuses seriam, portanto, os próprios cineastas por detrás das câmeras e com o intuído de criar as mais diversas histórias para agradar nós meros mortais.

Transitando entre a ficção e quase um filme documental, Godard utiliza a sua câmera das mais diversas maneiras, seja ela para acompanhar os seus respectivos personagens, ou fazendo com que ela se torne o nosso olhar de acordo com o que a gente vier presenciar. Uma vez acontecendo isso, testemunhamos em algumas ocasiões uma câmera ou outra nos encarando, como se fosse o olho que tudo vê e que deseja que tenhamos uma reação perante a situação. Se a geração atual havia se impressionado com o cineasta ao utilizar o 3D de uma forma inusitada no recente “Adeus a Linguagem” (2014) imagine o que ele faria com esse mesmo recurso se ele tivesse utilizado naqueles tempos longínquos.

Além de um belo ensaio cinematográfico que o cineasta proporciona em cena, ele não se esquece do seu elenco principal, principalmente de Brigitte Bardot, no auge de sua forma e beleza. A conturbada relação de sua personagem Camille com o seu marido Paul (Michel Piccoli) vai de contramão com relação ao papel em que a sociedade conservadora queria impor contra a mulher naquela época. Uma vez se sentido desprezada pelo próprio marido, Camille transita entre a melancolia e o desejo de bater as suas asas para o lado de fora dessa ilha de falsos deuses.

Paul, por sua vez, pode ser interpretado como uma espécie de um mero mortal que acredita que adular os Deuses possa, então, adquirir algum benefício. Neste caso, o Deus em questão é o produtor Jeremy (Jack Palance), que seria uma espécie de Zeus pretensioso e interessado somente em moldar o seu Olimpo (ou filme) do seu modo. Uma vez que Paul oferece Camille para Jeremy (Jack Palace), mesmo que indiretamente, se tem início a desconstrução do casal, ou de algo que estava predestinado a vir acontecer.

Mas como o pano de fundo da trama tem relação com o clássico “Odisseia”, Paul seria uma representação de Ulisses que, ao voltar da Guerra de Troia, se vê diante da possibilidade de sua esposa não lhe amar mais e ser predestinada a outros homens. Godard encerra o clássico com um Ulisses no set de filmagens que está prestigiando o mundo a sua frente e não carregando nenhum lamento pelo que se tornou, mas sim no que ganhou. Porém, antes disso, testemunhamos o preço a se pagar por essa nova passagem e cabe cada um julgar de sua maneira as ações de Paul e das quais poderiam ter sido evitadas. 

Com uma participação mais do que ilustre de Fritz Lang, "O Desprezo" é um filme de inúmeros simbolismos e significados e que somente Jean Luc Godard poderia proporciona-los.


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