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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: Temporada

Sinopse: Juliana (Grace Passô) está saindo de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para morar em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Seu novo emprego, em que ela combate endemias da região, cria situações pouco usuais e apresenta para ela pessoas novas, que começam a mudar sua vida.  

André Novais Oliveira é pertencente a essa nova geração de cineastas brasileiros do cinema independente e que nos dá verdadeiras aulas de como se faz um bom cinema. Em seu primeiro longa-metragem, “Ela Volta na Quinta” (2015), o cineasta elabora uma criativa história, da qual transita entre a ficção e o documentário e cujo os protagonistas são os seus próprios pais. Em “Temporada” (2018), o cineasta se eleva a um novo patamar, mas mantendo o lado humano e verdadeiro em toda a sua obra.  
O filme conta a história de Juliana (a ótima Grace Passô de “Praça Paris” de 2017), que decide morar em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Lá ela consegue um novo emprego no combate a endemias da região e, ao mesmo tempo, consegue obter novos amigos durante o trabalho. Ao mesmo tempo, ela espera a chegada do seu marido que ficou em outra cidade, mas as coisas não ocorrem da maneira como ela previa.  
Embora seja uma ficção, André Novais Oliveira mantem o que havia nos apresentado em “Ela Volta na Quinta”, ao focar o lado real de uma periferia e fazendo com que os seus respectivos personagens nos transmitam o seu lado verossímil do dia a dia. Juliana, por exemplo, além de ser a protagonista, ela serve também como a nossa guia, ao adentrar numa realidade em que muitos de nós fecham os olhos, mas que está muito mais próximo do que nós imaginávamos Não deixa de ser encantador, por exemplo, quando ela ouve o depoimento de um morador que mora já um bom tempo naquele lugar, onde ele conta um pouco da história da região e se casando de forma sublime com as imagens elaboradas pelo próprio cineasta Novais.  
Além disso, é um filme que facilmente nos identificamos com os seus respectivos personagens, pois eles são gente como a gente e que poderíamos nos cruzar com alguns deles em nosso dia a dia. Dentre os personagens secundários, destaco Russão (Russo Apr) que, além de se tornar o melhor amigo de Juliana, é uma presença que transita entre a comédia e os dilemas do dia a dia, mas que jamais larga de mão o seu bom humor. Aliás, são os personagens secundários que revelam a Juliana uma nova perspectiva com relação a sua própria realidade em que ela vivia no seu dia a dia.  
Grace Passô é sem sombra de dúvida uma das melhores revelações nestes últimos anos do nosso cinema brasileiro. Se em “Praça Paris” a sua personagem era um ser de inúmeras camadas a serem reveladas para nós, em “Temporada” a sua personagem transita entre a ingenuidade e de uma pessoa que não esconde o peso do mundo em suas costas, mas que do qual é preciso descarrega-lo para então se renovar aos novos desafios. Numa das melhores cenas do filme, por exemplo, André Novais Oliveira foca ao máximo atuação de sua atriz, quando a sua personagem faz uma revelação surpreendente a sua prima e revelando uma dor interna a ser combatida.  
Com um final cheio de perseverança, “Temporada” é um dos mais belos filmes desse início de ano do nosso cinema brasileiro.     



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