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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: MÁQUINAS MORTAIS

Sinopse: Anos depois da "Guerra dos Sessenta Minutos". A Terra está destruída e para sobreviver as cidades se movem em rodas gigantes, conhecidas como Cidades Tração, e lutam com outras para conseguir mais recursos naturais.  

Hollywood vive a sua fase da “não experimentação”, optando pelas franquias já estabelecidas e deixando de lado as possibilidades de novas tendências. Claro que, uma vez ou outra, surgem filmes com um conteúdo fresco, principalmente vindo de diretores e produtores que recebem carta branca para obter tal feito. Porém, fica a dúvida sobre qual é a melhor maneira de entregar um conteúdo pouco visto aos olhos de um público, do qual está tão acostumado a franquias como, por exemplo, filmes baseados em HQ e de que maneira elas irão reagir? 
Cabe sempre ao estúdio em fazer uma boa divulgação antes de se jogar em um projeto que pode resultar em um grande prejuízomesmo quando o filme possui os ingredientes para agradar tanto a crítica como o público. Nunca me esqueço, por exemplo, da má divulgação do filme Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón, do qual é um dos melhores filmes de sua carreira, mas que acabou sendo um fracasso de bilheteria. É aí que chegamos ao filme Máquinas Mortas, filme de aventura retro futurística que até tem os seus pontos positivos pela sua premissa e um visual sedutor, mas que será prejudicado pela má vontade vinda do esúdio para uma boa divulgação.
Baseado na obra de Philip Reeve, e dirigida pelo estreante Christian Rivers, o filme se passa a vários anos no futuro, após uma guerra nuclear em que quase extinguiu os seres humanos. Numa terra devastada, as pequenas e grandes cidades se tornaram maquinas gigantes que se movem acima da terra, sendo que Londres, a que se tornou a mais prestigiada, localiza, devora e suga os recursos das pequenas cidades que são encontradas em seu percurso. Porém, Hester Shaw (Hera Hilmar) tem assuntos a tratar com o vilão haddeus Valentine (Hugo Weaving) dentro de  Londres, além de guardar para si um segredo que pode culminar na destruição da cidade.
Com produção e roteiro Peter Jackson, a premissa é até bem interessante, pois além de possuir um belo visual, a história é uma espécie de metáfora sobre os males do mundo atual, onde cada vez mais os poderosos se acham os donos do mundo e os pobres se tornam as minorias a serem condenadas a extinção. Isso é muito bem apresentado nos primeiros minutos de projeção, mesmo quando ação incessante teima em querer ter a nossa total atenção. Porém, tanto a fotografia, como a edição de arte e efeitos visuais fluem maravilhosamente e por além de ser uma aventura retro futurística, ela me lembrou tanto o cultuado Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, como o subestimado Sucker Punch - mundo surreal de Zack Snyder. 
Mas por ser baseado numa obra literária, os realizadores erram feio ao concentrar a trama no casal principal para que, talvez, consiga pegar uma fatia de órfãos de sagas futurísticas como Jogos VorazesEmbora Hera Hilmar e Robert Sheehan, do qual interpreta o personagem Tom, estejam bem em seus respectivos papeis, a possiblidade deles formarem ou não um possível casal é o que menos importa para a trama. Em contrapartida, a relação conturbada de Shaw com o trágico vilão robô Shrike (Stephen Lang), acaba se tornando uma das melhores partes do filme e fazendo a gente até se lembrar de clássicos como Pinóquio. 
Falando em clássicos, é perceptível quando os realizadores se entregam as velhas fórmulas de sucesso. Da metade ao seu ato final, por exemplo, o filme segue a velha premissa básica da “jornada do herói” e fazendo com que os personagens principais nos lembrem até mesmo os heróis da franquia Star Wars. Se por um lado isso torna aventura mais empolgante em sua reta final, do outro, não se surpreenda se uma velha frase de Império Contra Ataca soar em nossa cabeça numa cena reveladora, porém, nada inspirada.  
Mas mesmo com esses momentos que nos soam familiares, Máquinas Mortais se difere das franquias atuais, pois ela não nos transmite uma pretensão de querer nos prender naquele universo fantástico, mas sim somente nos passar uma pequena lição de moral com relação ao nosso mundo e nos entreter em uma trama de pouco mais de duas horas. Infelizmente, me deu a sensação que o filme foi lançado numa época errada e correndo sério risco de se perder em meio a franquias multimilionárias. Máquinas Mortais é um estranho no ninho em meio as engrenagens de uma Hollywood movida pelo sucesso dos heróis encapuzados e de robôs anabolizados.


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