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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Cine Especial: Horror Britânico - Uma Orgia de Sangue e Pavor: Parte 1



Nos dias 20 e 21 de Maio eu estarei participando do curso Horror Britânico - Uma Orgia de Sangue e Pavor, criado pelo Cine Um e ministrado pelo crítico de cinema e especialista no gênero fantástico Carlos Primati. Enquanto os dias da atividade não chegam, eu estarei por aqui falando sobre os melhores filmes dos estúdios Hammer e Amicus  em ordem cronológica.    


A Maldição de Frankenstein (1957)



Sinopse: O barão Victor Frankenstein, herdeiro de uma grande fortuna e iniciado nas ciências, decide criar uma criatura perfeita através de restos mortais, e fazê-la viver. Entretanto, nem tudo sai como o planejado.


O ano era 1957, o cinema de horror estava em decadência, os estúdios americanos estavam somente interessados em filmes de ficção científica e que explorasse a paranoia de uma possível guerra nuclear. O estúdio Universal que, antes era conhecida como carro chefe dos filmes de terror na época, viu sua própria fórmula ser usada até se desgastar de tal forma que não havia remédio. Coube então, um pequeno estúdio inglês dar uma revitalização ao gênero. 
Interessada em criar uma serie de filmes de terror, os estúdios Hammer partiram de início para o grande clássico da escritora Mary Shelley, Frankenstein, que já havia sido levado inúmeras vezes as telas pela Universal. Tentando escapar de comparações, o diretor responsável na época Terrence Fisher, decidiu mais do que fazer uma adaptação do livro e sim uma nova releitura do conto. O resultado é mais do que satisfatório, principalmente pelo fato que, pela primeira vez, o público vê quem é o verdadeiro monstro da trama, sendo o próprio cientista que cria a criatura e que não mede esforços para realizar seu objetivo.
E isso foi possível graças ao extraordinário desempenho de Peter Cushing criando aqui o melhor Victor Frankenstein da história do cinema. O filme também marca a estréia de uma parceria, da qual duraria anos a fio, já que a criatura desse filme foi interpretada por ninguém menos que Christopher Lee, sendo que na época mal sabia que ele viria a se tornar um dos grandes astros de filmes de terror. Para caracterização da criatura, os produtores e o diretor decidiram passar bem longe da imagem que ficou no imaginário popular graças ao filme de 1931, onde a criatura era Boris Karloff. 
Aqui, a criatura é horrenda, bestial e sua primeira aparição na pele de Lee é algo desconcertante e magnífico.O filme foi um sucesso gigantesco e fez com que o estúdio levantasse as mangas para a criação de outros filmes de terror com monstros que antes eram visto somente em preto e branco pela Universal.


O Vampiro da Noite (1958)



Sinopse: Mais uma versão do clássico “Drácula”, de Bram Stoker. Neste filme, o Conde Drácula sai da Transilvânia em direção a Londres, em busca de novas vítimas. Entretanto, seus hábitos estranhos chamam a atenção do Dr Van Helsing, que passa se dedicar a exterminar o vampiro.


Um ano depois de A Maldição de Frankenstein, o trio Fincher, Lee e Cushing retornam neste que foi a grande revitalização do maior vampiro de todos os tempos para o cinema. Antes disso, Drácula (assim como seus irmãos Frankenstein e lobisomem) estava com a imagem desgastada depois de tantos filmes cada vez menos significativos pela Universal e somente Drácula de 1931 estrelado pelo inesquecível Bela Lagosi era bem lembrado. Entretanto, foi só Christopher Lee entrar em cena, caracterizado como o Conde, para que então ele entrasse para história.
A princípio, o ator surge com sua presença imponente e a trilha sonora sinistra ajuda a causar apreensão ao público. Mas o Conde, aparentemente, parece normal, mas pouco tempo depois, finalmente ele surge com os seus caninos cheios de sangue. O cinema de horror jamais foi o mesmo. Na época, o público simplesmente ainda não estava muito acostumado com o cinema colorido no mundo do terror. O Vampiro da Noite foi definitivamente o ponta pé inicial para mudar esse quadro, mesmo com pouco recurso que o estúdio tinha em mãos. Mas se por um lado a produção, aparentemente, era barata, era muito bem compensada pelo ótimo elenco. Fora a presença magnética de Lee, seu oponente Dr. Van Helsing foi magistralmente interpretado por Peter Cushing e muitos consideram (eu incluso) como o melhor interprete que atuou como o personagem. O embate de ambos no ato final da trama é antológico e empolgante, principalmente devido à fantástica trilha sonora composta por James Bernard que molda a sequência eletrizante, e com isso, ele retornaria em inúmeros filmes do estúdio para compor suas trilhas.

Com o sucesso de A Maldição de Frankenstein e de O Vampiro da noite, o estúdio Hammer se estabeleceria como um dos grandes carros chefes do gênero de horror na época. Gerando assim inúmeras sequências para os seus monstros, mas isso já é outra historia.

 

A Vingança de Frankesntein (1958)

Sinopse: O barão Frankenstein foge da execução na guilhotina e usa o pseudônimo de Dr. Victor Stein para abrir sua clínica na Alemanha. Lá, recomeça seus experimentos com cadáveres, mas um de seus pacientes tem um destino diferente do que Stein planejou.


Após os sucessos de A Maldição de Frankesntein e O Vampiro de Noite, o estúdio britânico Hammer escreveu seu nome para sempre seu lugar na história do horror, transportando para o cinema colorido os monstros clássicos que outrora pertenceram à Universal, elevando claramente o nível das produções e imprimindo características únicas e peculiares que seriam marcas registradas do estúdio. Vingança de Frankenstein vem para consolidar a franquia da Hammer, trazendo de volta o galante Peter Cushing no papel principal, e idealizado pelo mesmo time dos outros dois êxitos do estúdio: O hábil Terence Fisher na direção e Jimmy Sangster como roteirista, além do produtor Anthony Hinds e produção executiva de Michael Carreras. 
A continuação foi lançada um ano depois de A Maldição de Frankenstein, que ainda trazia Christopher Lee como o monstro (ele não volta nessa sequência). Uma das grandes curiosidades da Hammer é que as suas sequências nem sempre traziam coerência com os filmes anteriores, privilegiando muito mais a liberdade em seus roteiros. Por isso, fatos ocorridos no filme anterior não encontra continuidade ou respaldo em A Vingança de Frankenstein. 
O que vemos aqui é uma história completamente original, apenas baseada pelo personagem Victor Frankenstein, criado pela escritora Mary Shelley e reprisado por Cushing, que será o fio condutor de todas as continuações da franquia. Mais uma vez a atuação de Cushing é irretocável. Por isso ele é um dos melhores e mais queridos astros do cinema de terror. 
Michael Gwynn, que vive Karl Immelman também tem uma interpretação ótima como o monstro da vez, em todas as suas facetas, desde a dor do pós operatório, a felicidade em ter um corpo novo funcional, até sua degeneração física, mais um excelente trabalho de maquiagem de Phillip Leakey (também responsáveis por outros clássicos da Hammer), e surgimentos dos instintos assassinos e até canibais (como a cena em que ele saliva ao ver o corpo de sua primeira vítima no chão) que começam a tomar conta de seu ser.
O final de A Vingança de Frankenstein é incrível, sendo um dos primeiros finais realmente abertos de uma franquia de terror até então, mostrando Frankenstein, ou melhor, agora Dr. Frank (sério, ele deveria começar a ser mais criativo com seus nomes falsos) e Kleve, no epílogo, em Londres, prontos para continuar suas pavorosas experiências, com uma deixa escancarada para uma nova continuação.

 

A Múmia (1959)



Sinopse: Stephen Banning (Felix Aylmer) e seu filho John (Peter Cushing) viajam ao Egito, em busca das relíquias arqueológicas do túmulo da Princesa Ananka (Yvonne Furneaux). Mesmo avisados quanto ao risco que corriam, ignoraram tais ameaças e profanaram a cripta, acordando de seu sono milenar Kharis (Christopher Lee), sacerdote condenado a vigiar eternamente o túmulo, gerando uma série de terríveis acontecimentos.


Versão muito superior se comparada à clássica produção de 1931 da Universal. Terence Fisher realmente tirava leite de pedra, pois mesmo com poucos recursos que o estúdio tinha, o diretor criava todos os elementos para se fazer uma história cheia de suspense.
E como não poderia deixar de ser, Peter Cushing e Christopher Lee voltam juntos em cena. Esse último sendo á própria Múmia e está completamente assustador, muito mais que o próprio Boris Karloff que interpretou o mesmo personagem anos antes. Os melhores momentos da trama ficam na parte onde mostra a verdadeira origem da múmia e sua maldição. A produção renderia mais dois filmes do mesmo gênero, mas sem ligação alguma com esse, muito menos por possuir a mesma qualidade deste que atualmente é muito bem lembrado.

 

As Noivas de Drácula (1960)



Sinopse: Mantido cativo por sua mãe em seu castelo, o Barão Meinster recebe a ajuda de uma jovem e incauta professora, que o liberta, sem saber que o rapaz era na verdade um vampiro. O Dr. Van Helsing novamente entra em ação na sua caça para libertar todos os discípulos de Drácula da terrível maldição do vampirismo.


Continuação de Drácula: O Vampiro da Noite. Apesar do título e ser mencionado pelo narrador no início do filme, Drácula não da às caras nesta produção, muito embora, os elementos que fizeram do filme anterior um grande sucesso estão lá, como o clima gótico, castelos sinistros e benditas tavernas onde se encontra sempre algumas pessoas do vilarejo, que na maioria das vezes são sempre covardes perante o assunto de vampiro. 
Do filme original, retorna Van Helsing e novamente interpretado pelo ótimo Peter Cushing que sabe transmitir toda a segurança que o personagem passa para as pessoas que estão em perigo na história. Terence Fisher que, antes não só havia feito o filme anterior da serie Drácula, como também outros de sucesso para o estúdio, logicamente foi chamado para fazer o que melhor sabia na época, um filme gótico, que funciona ainda hoje, mesmo visto para alguns que acham o filme um tanto que inocente, pelo fato do bem e do mal serem bem definidos na trama, ou seja, na época que vampiro bom era vampiro morto.



A Maldição do Lobisomem (1961)



Sinopse: Bebê indesejado, nascido na noite de Natal, caiu uma terrível maldição. Criado por Don Alfredo, o jovem Leon passa a sofrer transformações com a chegada da lua cheia. Só o amor verdadeiro e a compreensão podem salvá-lo de seu terrível destino.


Diferente de outras produções que sempre deixam claro a origem da besta, aqui existe certa dúvida do porque do homem virar fera. Para começar, á historia possui duas partes e a primeira que mostra a trajetória de um pobre mendigo que, por sua vez, perde a razão e acaba estuprando uma garota que dava algo para comer numa prisão. Grávida, á vitima é a colhida, mas logo morre no parto e o que gera um menino que futuramente viraria a se tornar um lobisomem.
No decorrer disso, é levantada inúmeras teorias sobre a origem da maldição, mas é o próprio espectador que devera tirar suas próprias conclusões. Novamente, é Terence Fisher que comanda esse espetáculo gótico e que revelou até então um desconhecido talento, Oliver Reed. Ator com uma forte expressão e que viria a fazer dentre outras coisas, atuar em uma caprichada adaptação dos Três Mosqueteiros. 
Curiosamente, A Maldição do Lobisomem foi à única investida do estúdio Hammer com relação ao mostro. Contudo, é uma produção muito bem lembrada por ser muito bem caprichada, mesmo com os poucos recursos da época.

  

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