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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Taego Ãwa e Crônica da Demolição

 TAEGO ÃWA



Sinopse: Através de cinco fitas VHS com registros dos índios Ãwa, mais conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia, achadas numa faculdade, que os irmãos deram início ao projeto. A partir daí, encontraram outros materiais e foram em busca daquele povo, investigando a fundo a origem e a trajetória dos Ãwa até aqui, inclusive o passado de enfrentamento com os brancos, o histórico de reclusão, a luta por demarcação de território e pela restituição das terras.



A saga do povo indígena Avá canoeiro é aqui exibida um documentário realístico sobre a capacidade de força de vontade daqueles que nunca se deixaram abater pelas às inúmeras invasões e violações ao seu território Taego Ãwa, se tornando por isso um povo nômade desde pelo menos o século XVIII. Hoje os Avá formam um grupo de no máximo  vinte pessoas, divididos em dois grupos, Araguaia e Tocantins. O documentário da cineasta Marcela Borela e seu irmão Henrique Borela surge a partir de velhas fitas Vhs e fotografias raras encontradas na UFG de registro de contatos de diferentes épocas com os Avá, que após uma aglutinação imensa de material decidem então realizar o filme. Uma tarefa árdua que, desde o primeiro contato da equipe com a comunidade, a própria criação de produção a então árdua tarefa de edição de um material imenso com o montador Guile Martins, o filme nasce a partir de inúmeros obstáculos.
Taego Ãwa está distante dos demais documentários corriqueiros, no sentido informacional, sobre a luta dos Avá, fazendo com que o espectador de primeira viagem sinta uma lacuna forte de compreensão da situação, e essa também parece ser a proposta principal da obra, instigando assim a confrontação desse conhecimento e fazendo com que o cinéfilo procure mais informações sobre o que foi assistido. É talvez uma obra mais próxima do que chamamos “documentário observacional” do qual o filme possa ser compreendido de que esteja  intimamente ligado à relação entre os criadores e os protagonistas sendo observados. Não se ouvem em nenhum momento as palavras dos realizadores colocando perguntas e direcionamentos aos Avá, ainda que essas tenham acontecido, e o filme consegue ter uma verossimilhança que impressiona e sendo cada vez mais rara de ser vista em outras obras.
O que mais impressiona também no documentário é a forma como ele cria um espaço ao povo Avá de volta aos seus berços de nascença um questionamento sobre elas, como numa das cenas mais inesquecíveis, da qual vemos a família fazendo suas pinturas tradicionais com tinta de jenipapo, e o ancião da tribo, Tutal, falecido ano passado, tira a roupa que estava vestindo pra fazer a pintura corretamente e diz que não tem vergonha de estar sem roupa, pois faz parte de suas raízes de origem. Esse momento traz a simbologia de toda aculturação violenta pela qual sofrem os povos indígenas como um todo, descendentes e os verdadeiros donos do território brasileiro que foram ininterruptamente massacrados e desapropriados desde os primeiros anos do descobrimento do Brasil. 


 

CRÔNICA DA DEMOLIÇÃO



Sinopse: Por meio dos materiais de arquivo e de entrevistas com pessoas envolvidas no caso, Crônica da Demolição reconstrói 70 anos de história da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) e do Palácio Monroe. O filme conta com uma centena de fotos antigas e 26 filmes de arquivo - incluindo um raro registro a cores da demolição do palácio - resultado de um ano de pesquisa em mais de 30 acervos e instituições. Suas filmagens foram realizadas no Rio de Janeiro - lançando um novo olhar sobre o centro da cidade - no Senado Federal, em Brasília, e em Uberaba, na fazenda que hoje abriga um portão e os leões do palácio.



A demolição do Palácio Monroe é ponto de partida para o  documentário dirigido e roteirizado por Eduardo Ades. O longa levanta o debate sobre assuntos relacionados à arquitetura de ontem e hoje, patrimônio histórico e vida pública. Com uma pesquisa precisa entre depoimentos, imagens raras de arquivo, notícias publicadas e passadas naquele período, Crônica da demolição faz uma viagem no tempo da arquitetura da cidade carioca.  Começando  pelo Rio de Janeiro do final do Império, quando a cidade se baseava no modelo arquitetônico da capital da França, Paris, cunhado nos preceitos da Belle Époque. A intenção era modernizar a capital brasileira, até então o Rio, com o objetivo de torná-la conhecida pelo resto do mundo. É por esse pensamento que o Palácio Monroe é construído. Grandes cúpulas e pilastras cilíndricas, colocadas de forma assimétrica para a sustentação da obra, davam ao Palácio um ar majestoso e incomum. O projeto foi criado para um concurso de arquitetura internacional e mais tarde foi trazido para o Brasil. Serviu então como sede do Senado Federal. Era significativo por ser o primeiro prédio de grande porte no Rio de Janeiro construído após a República. Localizava-se em frente a Cinelândia, na Avenida Rio Branco.
A montagem de Crônica da Demolição nos coloca diante de uma esquizofrenia de paisagens possíveis em um lugar tão peculiar que é a capital carioca. Uma sequências sobrepõe croquis arquitetônicos, imagens de arquivo e planos da cidade em nosso tempo, percebe-se o quanto o homem constrói, destrói, reconstrói. Crônica da demolição é também uma crônica sobre a liberdade e a arbitrariedade humana sob a paisagem. Durante os depoimentos, o que se nota é o total descaso em relação ao patrimônio histórico e a vida pública nas cidades, mas a argumentação não é feita de forma de persuadir e aí está o grande acerto deste documentário, uma preocupação com a colocação das falas para criar um discurso narrativo condizente e instigante, não partindo de julgamentos, mas fazendo com a gente reflita e faça uma comparação com aquele período e com relação algo parecido que acontece em nosso presente. 
Sendo assim, O Palácio Monroe é colocado como uma espécie de protagonista do  filme. Um personagem que não fala, mas existe. Para quem nunca tinha ouvido falar sobre ele, fica uma espécie de nostalgia e curiosidade. Em que tempo vivemos? Só podemos assim imaginá-lo a partir das memórias vivências de quem o conheceu. A pergunta é uma: por que exatamente o Palácio Monroe foi destruído? Diante de tantas respostas mal contadas, o filme busca encontrar explicações sobre inúmeras perguntas e das quais tão cedo não irão se calar. 

 
 
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