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Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 69 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Cine Especial:HORROR NO CINEMA BRASILEIRO:Parte10



Sim, o gênero de horror existe no Brasil e ele será tema do próximo curso de cinema, criado pelo Cine Um e ministrado pelo Jornalista, crítico, historiador e pesquisador dedicado a tudo que se refere ao cinema de horror mundial Carlos Primati. O curso ocorre nos dias 29 e 30 de Agosto no Cine Capitólio.  Enquanto os dias da atividade não chegam, irei postar por aqui sobre os filmes de horror que eu tive o privilegio de assistir, seja em DVD ou no cinema.

 

Trabalhar Cansa(2011)



Sinopse: Helena (Helena Albergaria) é uma dona de casa que resolve abrir um mini mercado. Tudo vai bem até Otávio (Marat Descartes), seu marido, perder o emprego. A partir de então estranhos acontecimentos tomam conta do local, afetando o relacionamento do casal com a empregada doméstica.

 

 Há algo de podre na Dinamarca!



Essa frase me veio na cabeça quando assisti pela primeira vez Trabalhar Cansa, obra dos cineastas Juliana Rojas, Marco Dutra. Vindo dos curtas experimentais, a dupla se arrisca ao criar um suspense, que oscila entre o drama e o sobrenatural, sendo que nesse ultimo caso, a situação é muito mais sugerida do que explicita, o que torna a obra ainda mais interessante.  

Na verdade o filme vai mais para um terror psicológico também, já que o casal central  Helena e Otávio (Helena Albergaria e Marat Descartes) se colocam em teste de força física e mental: ela decide abrir um mercadinho e administrá-lo, mas ele perde o emprego de gerente e começa a sua via cruz para conseguir um novo emprego. Não tem como não se identificar com eles, principalmente com Otávio que passa por entrevistas de emprego, que para nós que já atravessamos isso numa  parte da vida, é duramente real, para não dizer patético e depressivo. 
 No final, a situações de ambos afetam um ao outro, pois Helena começa a ficar meio que obcecada em se tornar bem sucedida no seu mercadinho, nem que para isso tenha que ser dura perante os seus empregados, que temem pelo desemprego e venham á passar por uma nova via cruz em busca de algo novo. Mas algo afeta Helena, pois há algo de estranho no ar, desde um cachorro que ameaça sempre morder ela, como também um cheiro de esgoto, que por sua vez começa a transbordar no piso do local. A situação piora, quando uma parede começa a mostrar sinais de vazamento interno, ou de algo escondido por de traz dela.
Todas essas situações são filmadas de uma forma que pareça que há algo de sobrenatural, tanto no mercadinho, como também na própria casa do casal. Mas tudo é apresentado de uma forma ambígua, nós fazendo levantar inúmeras interpretações sobre o que realmente está acontecendo. Se fôssemos simplificar, o filme seria uma espécie de critica ao capitalismo, que torna o mundo lá fora uma verdadeira terra selvagem, onde somente o mais forte e persistente sobrevive.
Sendo assim, os pontos de suspense, que sugere algo de sobrenatural, seria apenas algo para acrescentar, para tornar a atmosfera da vida daquelas pessoas muito mais opressora a partir do momento que surgiram os problemas. Ou então, há realmente algo por de trás da cortina, mas devido aos problemas do dia a dia que eles passam, esse mistério acaba meio que sendo deixado de lado por eles. Mesmo quando eles o encaram no ato final da trama, que por sinal é genial.
Com minutos finais que sintetizam a verdadeira selva da disputa para uma vida bem sucedida profissionalmente, Trabalhar Cansa surpreende por nós colocar a par dos nossos medos internos. Não da possibilidade de haver um bicho papão embaixo da nossa cama, mas por estarmos sujeitos a um dia nos submeter a passar por uma realidade dura, que por vezes mastiga e nós cospe fora.
  

REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR(2010)



Sinopse: Um liquidificador pensa e narra essa história. Ele também conversa com sua proprietária Elvira uma senhora já da terceira idade. Logo descobrimos que os dois Elvira e liquidificador são cúmplices de um crime: o assassinato de Onofre o marido de Elvira que depois foi moído no liquidificador. Num tom de humor negro e sarcasmo ficamos conhecendo como o liquidificador adquiriu vida ao ser reformado por Onofre quando o casal era dono de um pequeno bar a Vitamina da Elvira. A história do casal é intercalada com o medo que Elvira tem de ser descoberta pela polícia e o aconselhamento e reflexões do sábio eletrodoméstico.


 Se há uma coisa que eu sempre prego, é que não importa se o filme tenha isso ou aquilo de efeitos visuais, sonoros, ou se a imagem sai da tela, isso pouco importa. O que é importante é ter, acima de tudo, uma ideia para criar uma historia genial que está feito e esse filme de André Klotzel é uma prova disso. Protagonizado, pela voz marcante de Selton Mello (Cheiro do Ralo) através de um liquidificador, onde ele fica acompanhando o dia a dia dos seres humanos, principalmente dos seus donos, o filme é uma analise do comportamento humano que por vezes age de uma maneira imprevisível e que por isso cria momentos inusitados nos quais o aparelho vai aprendendo a lidar.
A trama começa a partir do desaparecimento do marido (Germano Haiut) e com isso sua esposa Elvira (Ana Lúcia Torre, ótima no papel) decide procurar a policia para falar a respeito  sobre o desaparecimento, mas ela acaba se tornando a principal suspeita e com isso é vigiada de perto pelo detetive Fuinha (Aramis Trindade engraçadíssimo e um excelente desempenho). Durante o filme, nos simpatizamos com a senhora Elvira e suas conversas com o aparelho, mas aos poucos, a trama vai descascando inúmeras camadas de sua personalidade, assim como a de outros personagens, como no caso da vizinha e do marido da Elvira. Com isso, o filme é uma verdadeira aula de reflexão de que às vezes nos não nos conhecemos mesmo, mas tudo embalado em forma de humor negro que não há como deixar de soltar um riso, principalmente nos momentos que o Fuinha entra em cena.
Com um final que deixa em aberto para fazer com o que o espectador imagine o que viria depois, o filme é mais uma grata surpresa do nosso cinema brasileiro e mais uma prova que não precisa de orçamentos estourados para se criar uma boa trama.




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