Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
Me acompanhem no meu:
Twitter: @cinemaanosluz
Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com
Chegamos a um final de semana gelado no RS. Convenhamos nada melhor do
que ficar em casa e assistir um filme na TV com uma panela cheia de pipoca para
comer, porém, não custa se agasalhar bastante para ir ao cinema e curtir as
principais novidades. Prometheus chega aos cinemas, em sessões de pré-estreia,
prometendo fazer barulho e dividir opiniões tanto do publico como da critica,
Roman Polanski une um elenco estelar paraDeus da Carnificina e para
garotada (e grandinhos também) Madagascar 3: Procurados, vem para provar,
porque as animações são as melhores em termos de 3D. Confiram as estreias.
Pre-estréia: Prometheus
Sinopse: O filme une uma equipe de cientistas e exploradores em uma
jornada que testará os limites físicos e mentais coloncando-los em um mundo
distante onde eles descobrirão as respostas para nossos dilemas mais profundos
e para o grande mistério da vida.
Deus da Carnificina
Sinopse: Em Nova
York, o casal Nancy e Alan Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz) vai até a
casa de Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly). O motivo do
encontro: o filho do primeiro casal agrediu o filho do segundo. Eles tentam
resolver o assunto dentro das normas da educação e civilidade, mas, aos poucos,
cada um perde o controle diante da situação.
O quarteto é composto de
personalidades muito diferentes: Kate Winslet interpreta Nancy Cowan, mulher
acostumada à elegância e à cordialidade, tendo sempre que se desculpar pelo
comportamento inadequado de seu cínico marido, Alan Cowan, interpretado por
Christopher Waltz. O outro casal é composto por Michael Longstreet (John C.
Reilly), um homem acostumado à imagem de bondoso, mas que esconde um temperamento
mais forte do que se esperava, e Penélope Longstreet (Jodie Foster), uma mulher
guiada por rígidos princípios morais. Então a luta psicológica começa...
Madagascar
3 - Os Procurados
Sinopse: Em MADAGASCAR 3
Alex Marty Melman Gloria Rei Julien Maurice os pingins e os chimpanzés
encontram-se na Europa como integrantes de um circo itinerante numa tentativa
de retornar a Nova York.
Para Sempre
Sinopse: O filme acompanha Kim e Krickitt Carpenter um casal que sofreu
um grave acidente de carro logo após o casamento e Kim ficou em coma por algum
tempo. Quanto desperta ela não se lembrar de nada ocorrido em sua vida nos
últimos meses. Os dois terão de reconstruir todo o amor após o acidente.
Sinopse: O caçador Eric foi contratado pela
Rainha Má para encontrar a Branca de Neve que escapou de seu castelo. Contudo
quando ele descobre que o objetivo de sua patroa não é só recapturar mas também
assassinar a jovem ele passa a ajudá-la em sua fuga dando início a uma perigosa
aventura.
Existem filmes, que antes
mesmo de estrear, ganham uma opinião errada vinda do publico, que por vezes,
acabam por condenar as obras antes mesmo de assistir. Infelizmente Branca de Neve e
o Caçador não escapara de um julgamento redondamente errado, pois todos estão
acreditando, que essa nova adaptação do conto dos irmãos Grimm, seja uma versão
“Crepúsculo Branca de Neve”, unicamente por ser estrelada pela atriz daquela
saga, Kristen Stewart. Diferente do que o publico acredita, o filme lembra muito
mais a proposta apresentada por Guilherme Del Toroem o Labirinto do Fauno,
do que os vampiros que brilham no sol, sendo que nada lembra aquela saga, nem
mesmo o possível triangulo amoroso que surge lá pela metade da trama e que
acaba se tornando dispensável.
Produzido pelos mesmos
produtores de Alice No País das Maravilhas, o filme carrega um visual e
narrativa de tamanha ousadia, que é de se espantar que seja dirigido por um
diretor estreante, que é Rupert Sanders, mais conhecido como criador de vídeo games
como Halo 3. As passagens conhecidas pelo publico estão todas lá, mas tudo moldado
de uma forma, que difere e muito das outras adaptações que o conto teve ao
longo das décadas (como a versão clássica da Disney), lembrando muito mais o
universo do Senhor dos Anéis, onde seres fantásticos criam vida, mas de uma
forma suja e realista, como se realmente aquele universo mágico (porém sombrio)
pudesse existir. Os personagens, tão conhecidos pelo publico, estão todos presentes,
mas de uma forma tão diferente, como se agente não os reconhecesse em um
primeiro momento. Contudo, carregam os aspectos que todos nos conhecemos, porém,
apresentados por uma abordagem muito mais adulta e realista.
A rainha má, por exemplo,
tem todos os motivos por ser o que é (e explicados rapidamente num flashback) e
todas as suas motivações se tornam criveis, graças à interpretação assombrosa
de Charlize Theron. A vencedora do Oscar de melhor atriz por Moster: Desejo
Assassino, interpreta uma rainha má diferente de tudo que agente já viu,
apresentando uns trejeitos de uma verdadeira psicopata, que não mede esforços
para manter sua beleza (através da vida das pessoas) e para conseguir seus
objetivos, que aqui, não é somente matar Branca de Neve por ser a mais bela,
mas também, para adquirir o seu coração e ganhar juventude eterna. De longe,
Charlize Theron é a melhor interprete de todo longa e desejo que a academia se
lembre desse seu desempenho no ano que vem. Contudo (por incrível que pareça), Kristen
Stewart até que esta bem como Branca de Neve, fazendo até mesmo agente se esquecer
que ela esta na famigerada saga dos vampiros que brilham no sol, mas logicamente,
sua interpretação se empalidece perante Theron, mas acho que nem mesmo ela
imaginava que a oscarizada se empenharia tanto para ser a vilã.
Talvez, o que mais
diferencia dessa adaptação das outras, é de dar maior destaque ao caçador, que
segundo o conto, foi encarregado de matar Branca de Neve. Aqui, Chris Hemsworth
esta bem à vontade em um papel de caçador e guerreiro, que acaba por ajudar
Branca de Neve em sua jornada, mas do jeito que a carruagem anda, pode esperar
por mais personagens semelhantes que o ator australiano se encarregara de interpretar,
pois além desse, ele é mundialmente conhecido como Thor. O mesmo não pode ser
dito do insosso príncipe, que aqui é interpretado de uma forma insossa por Ian
McShane. Mas se há um príncipe dispensável, pelo menos há oito anões (e não
sete) talentosos, onde cada um tem suas características e personalidades muito
bem construídas. Isso graças ao fato, de todos serem excelentes atores ingleses,
que embora estejam pequenos e carregados de maquiagem, suas interpretações se
sobressaem facilmente. O bando é formado por Ian McShane(Piratas
do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas), Johnny Harris (O Retrato de Dorian
Gray), Bob Hoskins (Brazil: O Filme), Toby Jones (O Nevoeiro), Eddie Marsan (Sherlock
Homes 2), Brian Gleeson (Despertar dos Mortos), Ray Winstone (Os Infiltrados) e
o divertido Nick Frost (Todo Mundo Quase
Morto). Com um bando de anões desse porte, podemos facilmente perdoar, há
presença de um príncipe sem sal.
Com todos esses bons ingredientes em um único caldeirão,
até que podemos perdoar o fato, de os criadores pecarem no ato final, ao agilizar demais
a trama e solucionar tudo de uma forma tão rápida, que nos faz sentir aquela
famigerada sensação de que alguma coisa faltou, o que é uma pena. Pois com uma
historia bem construída, fotografia, edição de arte, figurinos impecáveis e um
elenco de primeira, o tão conhecido, “viverão felizes pra sempre” poderia ter sido muito melhor planejado.
Nos dias 16 e 17 de Junho, estarei participando do curso HISTORIA DO CINEMA BRASILEIRO, criado pelo CENA UM e ministrado pelo jornalista Franthiesco Ballerini. E enquanto os dois dias não vêm, por aqui, falarei um pouco desse universo verde amarelo do nosso cinema.
O PAGADOR DE PROMESSAS
Sinopse: Zé do Burro
(Leonardo Villar) e sua mulher Rosa (Glória Menezes) vivem em uma pequena
propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé
atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma
promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho,
Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar
uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de
madeira. Mas a via crucis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua
mulher se engraçar com o cafetão Bonitão (Geraldo Del Rey) e ao encontrar a
resistência ferrenha do padre Olavo (Dionísio Azevedo) a negar-lhe a entrada em
sua igreja, pela razão de Zé haver feito sua promessa em um terreiro de
macumba.
Critica aos políticos
(pré-ditadura militar), a igreja católica, a policia e á imprensa. A peça de
Dias Gomes recebe um tratamento dramático que mantém viva a força dos
personagens e a discussão sobre á influencia da religião na sociedade. Interpretações
inesquecíveis e sinceras do casal central. Tanto Leonardo Villar como Gloria
Menezes estão ótimos em seus respectivos papeis, assim como Dionísio Azevedo,
que passa a todo o momento, uma representação hostil e atrasada da igreja católica.
Anos mais tarde, a
peça ganharia uma mini-serie para a TV, transmitida pela Rede Globo, mas nada que
se compare ao resultado final desse filme e de como ele mexeu com os
sentimentos das pessoas na época. Palma de Ouro no Festival de Cannes e
finalista ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Curiosidade: Após o
recebimento do prêmio em Cannes, o diretor e a equipe do filme que viajou até o
Festival foi recebida com um desfile público em carro aberto, ao desembarcar no
Brasil.
Sinopse: Em 1945, Don Corleone (Marlon Brando) é o chefe
de uma mafiosa família italiana de Nova York. Ele costuma apadrinhar várias
pessoas, realizando importantes favores para elas, em troca de favores futuros.
Com a chegada das drogas, as famílias começam uma disputa pelo promissor
mercado. Quando Corleone se recusa a facilitar a entrada dos narcóticos na
cidade, não oferecendo ajuda política e policial, sua família começa a sofrer
atentados para que mudem de posição. É nessa complicada época que Michael (Al Pacino),
um herói de guerra nunca envolvido nos negócios da família, vê a necessidade de
proteger o seu pai e tudo o que ele construiu ao longo dos anos.
Baseado no romance deMario Puzo,
adaptado por ele e pelo diretorCoppola,
é um espetáculo grandioso e belíssimo, que empresta um tom épico e inédito nos
filmes de gângster. Pontuado por diversas cenas clássicas, tem um elenco
impecável, uma fotografia primorosa (cortesia deGordon WillisdeManhattan)
e trilha sonora inesquecível deNino
Rota, conduzida pelo maestroMarmine
Coppola, pai deFrancis.O próprio cineasta dirigiu duas
seqüências que deram continuidade a saga (74 e 90) e uma montagem dos dois
primeiros filmes para ser apresentado para a TV. Vencedor de 3 Oscar.
Curiosidade:Francis Ford Coppola e Mario Puzo, autores do
roteiro do filme, evitaram a todo custo utilizar a palavra "máfia"
nos diálogos dos personagens.
O PODEROSO
CHEFÃO: Parte II
Sinopse:Início
do século XX. Após a máfia local matar sua família, o jovem Vito (Robert De
Niro) foge da sua cidade na Sicília e vai para a América. Já adulto em Little
Italy, Vito luta para ganhar a vida (legal ou ilegalmente) para manter sua
esposa e filhos. Ele mata Black Hand Fanucci (Gastone Moschin), que exigia dos
comerciantes uma parte dos seus ganhos. Com a morte de Fanucci o poderio de
Vito cresce muito, mas sua família (passado e presente) é o que mais importa
para ele. Um legado de família que vai até os enormes negócios que nos anos 50'
são controlados pelo caçula, Michael Corleone (Al Pacino). Agora baseado em
Lago Tahoe, Michael planeja fazer por qualquer meio necessário incursões em Las
Vegas e Havana instalando negócios ligados ao lazer, mas descobre que aliados
como Hyman Roth (Lee Strasberg) estão tentando matá-lo. Crescentemente paranóico,
Michael também descobre que sua ambição acabou com seu casamento com Kay (Diane
Keaton) e até mesmo seu irmão Fredo (John Cazale) o traiu. Escapando de uma
acusação federal, Michael concentra sua atenção para lidar com os seus inimigos.
Flashbacks interrompem
a narrativa, para mostrar o surgimento do impérioCorleone.Ninguem emHollywoodacreditava, masCoppolaconseguiu fazer uma continuação
ainda melhor que o filme original. O diretor eMario Puzocriaram uma emocionante complemento do
primeiro filme, revelando detalhes que explicam o comportamento dos
personagens. Esse amargo e irresistível vaivém no tempo, que cobre três décadas
e três gerações da famíliaCorleone,
forma também um grande e romântico painel sobre o EUA do século XX. Oscar de
melhor filme, direção, roteiro adaptado, ator coadjuvante (Robert De
Niro, perfeito como o jovemVito
Corleone), trilha sonora e direção de arte.
Curiosidade:Para se preparar para o papel, Robert De Niro
viveu durante certo período na Sicília. Ele faz parte do grupo de atores que
ganhou um Oscar falando a maior parte de seus diálogos numa língua diferente da
inglesa (os demais foram Sophia Loren, Roberto Benigni e Marion Cotillard).
Sinopse: O filme acompanha o
envolvimento virtual do jovem Daniel com Alice, uma desconhecida. Mesmo sem
nunca tê-la visto Daniel apaixona-se de forma obsessiva. Conversam diariamente
pelo msn, e até quando longe do computador, ele sente-se conectado a ela. Mas Alice
possui segredos. A revelação de uma verdade surpreendente faz com que Daniel
entre em desespero. Uma série de eventos se inicia, conduzindo os personagens
por caminhos desconhecidos, perigosos e sem volta.
Sempre paramos para perguntar para nos mesmos, como
era antes, quando agente não tinha celular, ou outros meios tecnológicos que
fazem parte de nossas vidas atualmente e que dificilmente conseguimos nos
desvencilhar deles. Esse meu pensamento, imediatamente me veio a mente, ao assistir
Alice Diz:, do diretor estreante Beto Rôa, que com um orçamento minúsculo
(pouco mais de 40 mil reais) cria um filme, que é um reflexo de nosso mundo contemporâneo
e que acaba levantando inúmeras reflexões.
A historia deDaniel (Daniel
Confortin, otimo), com sua relação virtual (pelo MSN) com Alice, nada
mais é do que um retrato de nos mesmos, nos relacionando cada vez mais atualmente,
com pessoas que conseguimos nos relacionar somente pela internet, ao ponto, de
não sabermos nos comunicar com o mundo real, ou muito menos com as pessoas que
cruzam em nossas vidas. Bom exemplo disso é na cena em que Daniel observa as
mulheres que ele cruza, seja na rua ou em um ônibus, que embora demonstre
desejo em se comunicar com elas, ele simplesmente não consegue achar uma forma dele
investir na ocasião, tendo muito mais afinidade e saber se abrir, com uma garota
que ele nem sequer viu ainda pessoalmente. O filme cria certo suspense sobre a
verdadeira origem de Alice, tanto, que ao decorrer do filme, Daniel fica
assistindo um filme B dos anos 50 na TV, sobre o domínio das maquinas contra os
homens. Embora não fique muito claro, se as cenas que aparecem desse filme
sejam realmente reais, ou se elas estejam somente passando na imaginação já
conturbada de Daniel, que começa a cada vez mais ficar angustiado e paranóico sobre
quem é Alice. O filme visto na TV pode ser interpretado como uma metáfora sobre
a situação que acontece na trama, ou simplesmente uma referencia de uma década (anos
50), muito mais paranóica do que há que vivemos. Fica para o espectador que assiste
criar sua própria interpretação sobre esses momentos.
E a situação piora, quando gradualmente ele descobre
o que Alice é realmente. Embora a revelação sobre a origem de Alice, possa soar
um tanto que exagerada, ela corresponde muito bem com a proposta que o filme
quer passar para o espectador. Vivemos
num mundo atual, onde cada vez mais nos afastamos das outras pessoas e de nos
mesmos. Sendo que, acabamos por esquecer como agente se relacionava antes, e
com isso, não desfrutamos mais por completo, dos dias que vivemos como
antigamente e mesmo agente se dando conta disso, pode já ser muito tarde. Além de ser uma ótima historia cheia de
camadas de interpretação, Beto Rôa cria um verdadeiro jogo de câmeras, onde por
muitas vezes, precisamos ter a máxima atenção, pois o filme é cheio de inúmeros
detalhes simbólicos para serem ou não decifrados.
Com uma fotografia belíssima e montagem caprichada,
ALICE DIZ: é um pequeno e grande filme, que merece ser descoberto pelo grande publico
que tem interesse de assistir uma sessão, onde um filme lhe consegue passar
sentimentos, fazer levantar inúmeros questionamentos sobre a trama e consigo próprio.
Em
cartaz: CineBancários
(General Câmara, 424), Porto Alegre. Sessões: 15hs, 17hs e 19hs. O filme fica
em cartaz até o dia 13 de Junho.
Nos dias 16 e 17 de Junho, estarei
participando do cursoHISTORIA DO CINEMA BRASILEIRO, criado peloCENA UM e ministrado pelo jornalistaFranthiesco Ballerini. E enquanto os dois dias não vêm, por aqui, falarei um pouco
desse universo verde amarelo do nosso cinema.
O BANDIDO DA LUZ VERMELHA
Sinopse: Jorge, um
assaltante de residências de São Paulo, apelidado pela imprensa de
"Bandido da Luz Vermelha", desconcerta a polícia ao utilizar técnicas
peculiares de ação. Sempre auxiliado por uma lanterna vermelha, ele possui as
vítimas, tem longos diálogos com elas e protagoniza fugas ousadas para depois
gastar o fruto do roubo de maneira extravagante.
Rogério Sganzerla, em
seu segundo trabalho como diretor (o primeiro foi o curta Documentário de 1966)
realiza um filme surpreendente, usando e abusando com o mito da crônica policial
paulistana dos anos 60. Seu filme é uma espécie de “faroeste do terceiro mundo”,
caótico e desconexo. Com sua linguagem
visual muito a frente do seu tempo, O Bandido da Luz Vermelha pode ser visto
como o ponto de transição entre a estética do Cinema Novo (influenciado pela nouvelle
vague do cinema francês) e a ruptura do Cinema Marginal. Um clássico inesquecível
e que foi relembrado novamente, graças à sua seqüência, intitulada Luz das Trevas.
Na devastada cidade de Nanjing em 1937 o perigo das ruas fez com
que um grupo inimaginável de refugiados se reunisse em uma igreja: um bando de
crianças em estado de choque algumas sedutoras e provocantes cortesãs e um
renegado americano que se passa por padre para salvar aprópria pele. Ou que pensa que se salvará. Emboscados por
saqueadores ao longo dos próximos dias eles vão lutar não apenas para
sobreviver, mas também para fazer o que parece ser impossível nestas
circunstâncias - compreender e confiar um no outro.
Zhang Yimou já é um diretor que entrou para
historia do cinema, ao criar tramas emocionantes, que acabam se casando muito
bem com cenas deslumbrantes (como Herói e Lanternas Vermelhas). Com Flores do
Oriente, ele cria um verdadeiro espetáculo visual, sobre o horror que assolou
em Nanjing em 1937, em que os japoneses invadiram a cidade, deixando mais de
200 mil mortos e mais de 20 mil mulheres estupradas e mortas. Não é a toa que a
rivalidade entre os chineses e japoneses é sentida até hoje, sendo que isso é muito bem
sentido na tela, pois ZhangYimou não se importa nem um pouco, em retratar os
japoneses como verdadeiros monstros e sem nenhum escrúpulo.
Baseado num romance de Geling Yan, o filme
possui interessantes elementos, que lembram muito bem um faroeste, pois temos o forasteiro
(Bale), que se refugia na igreja, para mais tarde, se tornar defensor, tanto
das estudantes, como das prostitutas que chegam ao local, lideradas pela mais
bela do grupo,Yu Mo (Ni Ni).
Embora o filme comece alucinante, onde cada cena deixa o espectador em aflição,
por outro lado (ao decorrer das mais de duas horas de filme), a trama exagera
um pouco em temas como culpa e redenção, e simplesmente não convence na mudança
repentina do caráter dos protagonistas principais (Ni Ni e Bale).
Contudo, isso tudo é compensado, graças a uma produção
caprichada do cineasta, que mesmo nas cenas chocantes e incomodas, ele cria
poesia, com o direito há um belo casamento com a fotografia, edição de arte e
muitos truques de câmera lenta (que ele aprendeu muito bem em Herói).
Nos dias 16 e 17 de Junho,
estarei participando do curso HISTORIA DO CINEMA BRASILEIRO, criado pelo CENA
UM e ministrado pelo jornalista Franthiesco
Ballerini. E enquanto os dois dias não vêm, por aqui, falarei um pouco desse
universo verde amarelo do nosso cinema.
Deus e o Diabo na
Terra do Sol
Sinopse: Manuel
(Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo
coronel Moraes (Mílton Roda) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser
perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa (Yoná
Magalhães). O casal se junta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva),
que promete o fim do sofrimento através do retorno a um catolicismo místico e
ritual. Porém ao presenciar a morte de uma criança Rosa mata o beato.
Simultaneamente Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a
serviço da Igreja Católica e dos latifundiários da região, extermina os
seguidores do beato.
Um dos filmes mais
representativos do cinema novo, conseguindo pela maioria dos críticos como o
melhor filme de Clauber Rocha. Vigorosos momentos de drama, aventura e poesia,
comentados pelas musicas de Heitor Villa Lobos e Sergio Ricardo. Atenção para o
magistral desempenho de Othon Bastos, como o cangaceiro Corisco, um dos remanescentes
de Lampião. Sempre quando surge em cena, suas palavras falam por si, como quando
batiza Manuel de Satanás.
Curiosidade: Foi
rodado nos municípios de Monte Santo, Feira de Santana, Salvador, Canché e
Canudos, todos no estado da Bahia. - Foi lançado no Rio de Janeiro em 10 de
julho de 1964, nos cinemas Caruso, Ópera e Bruni-Flamengo.
O Dragão da Maldade
Contra o Santo Guerreiro
Sinopse: Quando um
matador de cangaceiros é contratado para exterminar um bando e descobre nos
criminosos um idealista que o faz rever seus conceitos de vida.
Seqüência oficial de
Deus e o Diabo na terra do Sol, o filme é uma desconcertante mistura de oporá,
macumba, mas principalmente faroeste. O filme é trajado com aquela roupa típica
do western: a seca do Nordeste brasileiro constituída de homens duros e
impiedosos. Não é nenhuma surpresa ver isso, até mesmo porque o western
americano desencadeou muitas afluentes abraçadas por vários países distintos; o
Brasil abraçou o cangaço mergulhado na pobreza. Premio de melhor direção no festival de Cannes
em 1969.
TERRA EM TRANSE
Sinopse: O senador
Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de
Eldorado, um país localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens
que querem este poder, que resolvem enfrentá-lo.
Tido para alguns, como
a obra prima de Glauber, o filme pode ter envelhecido para outros, mas não há
como negar sua coragem histórica, pois o filme foi lançado em pleno período da
ditadura e a trama nada mais era que uma critica disfarçada daquele tempo. Considerado
clássico do Cinema Novo e vencedor do prêmio da critica em Cannes, é de difícil
entendimento para quem não esteja habituado com a integridade linguagem do
diretor.
Curiosidade: Em abril
de 1967 o filme foi proibido em todo território nacional, por ser considerado
subversivo e irreverente com a Igreja. Depois foi liberado, com a condição de
que se desse um nome ao padre interpetrado por Jofre Soares.
Sinopse: s detetives de Nova Iorque,
"Popeye" Doyle (Gene Hackman) e Buddy Russo (Roy Scheider) tentam
desmantelar uma rede de tráfego de narcóticos e acabam por descobrir a Operação
França. Mas, quando um dos criminosos tenta matar Doyle, ele inicia uma
perseguição mortal que o leva muito além dos limites da cidade
Um dos grandes filmes de ação dos anos
70, notável por sua celebre seqüência de perseguição de automóveis. Baseado no
livro de Robin Moore (inspirado em fatos reais), a trama realista retira todo o
glamour da atividade policial. Teve uma continuação e deu origem a um telefilme
Popeye Doyle (86), com Ed O Nell substituindo Hackman no papel titulo. Oscar de
filme, diretor, ator (Hackman), roteiro adaptado e montagem.
Curiosidade: Gene Hackman e
Roy Scheider fizeram patrulha com os policiais Eddie Egan e Sonny Grosso
durante um mês, antes do início das filmagens, para pegar melhor o espírito de
seus personagens. Posteriormente Egan e Grosso fizeram pequenas pontas como
supervisores da polícia.
Sinopse: Retrata a trajetória de
Jorge Bronze, conhecido pelo codinome Tudo-ou-Nada (André Guerreiro). Ele é
filho do famoso Bandido de Luz Vermelha (Ney Matogrosso), que assaltava casas
de ricos paulistanos e foi transformado em ícone pelo jornal Notícias
Populares. Por outro lado, aborda a vida de Luz Vermelha em um presídio de
segurança máxima, mostrando como ele lida com a fama de ser um dos criminosos
mais famosos do Brasil.
Nesta atual temporada, os cinemas de nosso país
são invadidos por super produções, que acabam tomando as atenções do publico
por vários meses e que acaba atraindo uma enorme fatia, em termos de bilheteria.
Em meio a esse tiroteio, pelo menos, surge sempre um pequeno filme, que acaba
ganhando um publico fiel e que acaba por ser revisto inúmeras vezes. Dessa vez,
esse pequeno filme é uma produção brasileira, que não é só uma simples seqüencia
do clássico o Bandido da Luz Vermelha, mas é uma produção que fala por si.
Embora o filme possua a mesma estética
do filme original (com direito a cenas do clássico), o filme possui alma,
graças à direção inspirada de Helena Ignez (O signo da Luz), que além de não
fazer feio, perante o culto da produção de 1968, consegue tira
coelho da cartola, ao arrancar uma boa interpretação de Ney Matogrosso. Mais
conhecido por ser um dos mestres da musica brasileira, Matogrosso consegue
passar todo o peso e o inferno que o personagem passa encarcerado, com direito
a palavras em off durante o filme, cuja suas palavras são um reflexo do seu
estado de espírito. Muito embora, o elenco secundário não fica muito atrás, e André
Guerreiro Lopes simplesmente rouba a cena quando surge, ao interpretar o filho
do protagonista, com o codinome Ou tudo ou Nada, onde repete os passos do pai,
numa interpretação inspirada e cheia de energia de Lopes.
Ambos, tanto o pai como o filho, são
dois lados da mesma moeda, sendo que, não são apenas bandidos, mas espécies de
entidades que enfrentam de frente o sistema da sociedade atual, com o direito
de quebrar as suas regras e se sentirem livres para fazerem o que bem
entenderem. Embora o ato final caia num previsível momento, em que Ney Matogrosso,
solta à voz para uma canção, Luz das Trevascumpre o que promete, em não somente
fazer jus ao clássico, como também, surpreende em usar uma estética e
linguagem semelhante do final dos anos sessenta e que acaba funcionando ainda
hoje para as novas plateias.
Curiosidade: Em uma das cenas que o personagem João Acácio
(o bandido) fala sozinho através de uma pequena janela, Ney Matogrosso teve que
recorrer a um truque de cena onde o longo texto foi fixado em vários pontos
para que ele pudesse ler sem fixar o olhar somente num lugar.
Sinopse: O longa conta a história de Albert
Nobbs (Glenn Close) uma mulher que fingiu ser homem durante 30 anos para
conseguir trabalhar e sobreviver na Irlanda do século 19.
Fazia tempo que não via Glenn Close em um filme, muito menos
num papel tão bom e significativo. Há anos ela desejava atuar neste papel, e
antes tarde do que nunca, pois o seu desempenho esta entre os melhores de sua
carreira, onde ela constrói o personagem com dedicação e lhe confere traços
contidos que o tornam riquíssimo. Embora as adversidades que a protagonista
passa, soe por vezes ingênuos, o filme ganha pela ótima reconstituição de época
e por personagem fortes, que por vezes, roubam a cena da protagonista. Como no
caso de Janet Mcteer, que assim como o personagem principal, interpreta uma mulher
que se disfarça de homem, que trabalha
como pintor. Embora sendo coadjuvante, Janet rouba a cena a cada momento que
surge, isso graça a sua presença magnética.
Isso graças ao fato, de ser uma atriz mais de teatro do que cinema e não é a toa
que recebeu uma indicação ao Oscar.
Um filme sobre segredos, mentiras e condutas de pessoas,
numa época mais conservadora, mas que revelava a sua verdadeira face, para
aqueles que carregavam o mesmo fardo.
Nota: Embora o filme já esteja em DVD, o filme está também
em cartaz, na sala GNC Moinhos, rua Olavo Barreto Viana, 36, Porto Alegre, as 19h15min.
Sinopse:Cyril é um garoto de 12 anos que está em busca de seu pai,
que o abandonou em um lar para crianças. No seu caminho encontrará Samantha,
uma mulher que lhe oferece abrigo e carinho.
Os
diretores Jean Pierre e Luc Dardenne, criam com delicadeza, a jornada de um
menino em busca de um pai que o despreza e da gradual criação afetiva que surge
entre ele e uma dona de um salão de cabeleireiro. As interpretações dos atores
com seus respectivos personagens, são a chama que da vida nesta historia, que
por vezes lembra os clássicos Os Incompreendidos e Os esquecidos. Vencedor do
grande prêmio do Júri no Festival de Cannes, o filme infelizmente não foge de
certos furos no roteiro, como o conflito dispensável entre a moça e o namorado
e o ato final, que embora traga aflição, se resolve muito facilmente, mas nada
que atrapalha o ótimo resultado final desse grande filme.