"Tatame”, drama ambientado em Campeonato Mundial de Judô no Irã, e “Criadas”, da brasileira Carol Rodrigues, são as estreias de 11 de junho no CineBancários
Drama esportivo que acompanha atleta iraniana pressionada a abandonar a competição por razões políticas divide a programação com longa nacional que expõe traumas provocados por resquício escravocrata. O CineBancários exibe, na cinesemana de 11 a 17 de junho, os filmes “Tatame”, drama esportivo e político ambientado em campeonato mundial de judô, e “Criadas”, trama dirigida por Carol Rodrigues que perpassa dores comungadas por pessoas negras no Brasil. O iraniano “O Bolo do Presidente” segue em cartaz na sala da Casa dos Bancários.
TATAME
Inspirado em tensões reais da geopolítica contemporânea e exibido no 80º Festival de Veneza, “Tatame” é apresentado como o primeiro longa-metragem codirigido por um israelsense (Guy Nattiv, vencedor do Oscar de curta-metragem por “Skin”, de 2018) e uma iraniana (Zar Amir Ebrahimi, melhor atriz no Festival de Cannes por “Holy Spider”, de 2022).
Durante o Mundial de Judô, a atleta iraniana Leila (Arienne Mandi) enfrenta um dilema político e moral: o regime de seu país exige que ela abandone a competição ou simule uma lesão para evitar um possível confronto com uma judoca israelense. Sob pressão da treinadora Maryam (Zar Amir) que viveu traumas semelhantes no passado, Leila se recusa a ceder. O que começa como uma ordem burocrática escala rapidamente para ameaças diretas à segurança e às famílias de ambas, transformando a busca pela medalha em uma luta desesperada por liberdade e integridade própria e de seus familiares em Teerã.
Assim, Tatame articula com eficiência a tensão de uma competição esportiva com o suspense de um thriller político, explorando os limites da autonomia individual diante de estruturas de poder. O dilema central — seguir competindo ou ceder à coerção — não é tratado apenas como um recurso dramático, mas como um impasse ético que atravessa toda a narrativa.
Fotografado em preto e branco, com câmera móvel e próxima aos corpos das atletas, o longa transforma as lutas em cenas de alta tensão cinematográfica, evitando o registro meramente documental. O longa recebeu o Brian Award, prêmio especial do Festival de Veneza concedido a longas que promovem valores como direitos humanos, democracia e liberdade de consciência sem distinção de gênero ou posições religiosas. Em 2024, a mesma distinção foi para “O Quarto ao Lado”, de Pedro Almodóvar.
CRIADAS
É com a imagem de “A Redenção de Cam”, do artista espanhol Modesto Brocos, símbolo maior do mito da democracia racial brasileira, em chamas, que “Criadas”, primeiro longa-metragem de Carol Rodrigues, começa. Mas o efeito reverse motion (de reversão), com o fogo reconstituindo o quadro, indica que o reencontro das primas Sandra (Mawusi Tulani), negra retinta, e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), negra de pele clara não obedecerá às linearidades. Como engenheira, a primeira retorna à casa em que foi criada junto da prima, hoje uma chef de cozinha, à procura de fotos de sua mãe Ivone (Ivy Souza), então empregada na residência da prima Olívia (Sarito Rodrigues), durante a infância delas.
Esse é o fio condutor da trama que perpassa dores comungadas por pessoas negras no Brasil, em maior ou menor escala, graças ao colorismo e aos resquícios do sistema escravocrata tão presentes nas relações estabelecidas entre patroas x funcionárias do lar. E, no filme, com o agravante de que elas pertencem ao mesmo núcleo familiar.
Em meio ao acerto de contas com as feridas racistas de seu passado, as primas Sandra e Mariana começam a conviver, na casa onde cresceram, com forças sobrenaturais resistentes às suas novas posições sociais. As duas também são visitadas por suas versões ainda criança, interpretadas, respectivamente, por Vitória Marques Rodrigues e Alice de Jesus Feitosa. Com expressões infantis marcantes, ora de frustração, ora de descontentamento, elas delimitam os lugares sociais que cada uma podia ocupar naquele período.
O chamado de volta ao presente é feito no filme pela personagem Raquel, vivida pela angolana Rudimira Fula, então responsável pela limpeza da casa de Mariana. O retorno afrodiaspórico, por se tratar de uma imigrante, serve um outro ponto de vista territorial. Mulher sábia, ciente da dicotomia vivida naquele espaço pelas duas primas, faz de tudo para fazer seu trabalho e entrar e sair de lá sem sofrer qualquer tipo de prejuízo financeiro.
Diferentes camadas de luta encampadas por pessoas negras também atravessam as personagens em pautas como a invisibilidade no mercado de trabalho, a apropriação intelectual de quem não ocupa cargos de chefia, mesmo tendo competência e superformação para tal e recorrência de que duas pessoas negras ou mais raramente integram uma equipe, em ambientes corporativos montados no limite da cota racial. Subjetividades como a responsabilidade quase universal de honrar os antepassados, em geral, mães e avós, também são trazidas e é um sentimento compartilhado por Carol Rodrigues, que fez do filme uma declaração de amor a própria avó, Esméria, que partiu dessa dimensão 16 dias antes dela começar a rodar.
PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 11 A 17 DE JUNHO
ESTREIAS:
TATAME
EUA-Israel-Georgia-Inglaterra/Drama/2023/105min
Direção: Zar Amir Ebrahimmi e Guy Nativv
Sinopse: durante o mundial de judô, uma judoca iranaiana é ameaçada pelo comitê do próprio país, que quer que ela abandone a competição para não enfrentar uma atleta israelense. Sua permanência no troneio coloca em risco tambem sua família e a de sua treinadora, Maryam, uma ex-atleta.
Elenco: Arienne Mandi, Zar Amir Ebrahimi, Jaime Ray Newman, Nadine Marshall, Lir Katz, Ash Goldeh.
CRIADAS
Brasil/Drama/2025/105min
Direção: Carol Rodrigues
Sinopse: Sandra retorna à casa de sua prima Mariana em busca de uma foto de sua falecida mãe, que trabalhou ali como empregada residente para os pais de Mariana. Embora tenham sido criadas juntas, Sandra, negra de pele escura, e Mariana, negra de pele clara, viveram aquela casa de formas muito diferentes. Ao se reconectarem, memórias há muito enterradas tomam forma ao redor delas. Fantasmas da infância, da ancestralidade, de um amor que nunca foi embora completamente.
Elenco: Ana Flavia Cavalcanti, Mawusi Tulani, Sarito Rodrigues, Ivy Souza, Rudmira Fula
EM CARTAZ:
O BOLO DO PRESIDENTE
Iraque/Drama/2025/105min.
Direção: Hasan Had
Sinopse: No Iraque dos anos 1990, em meio à guerra e à falta de comida, o presidente determina que todas as escolas do país façam um bolo em homenagem ao seu aniversário. Lamia, de apenas 9 anos, tenta escapar da tarefa, mas acaba sendo escolhida entre os colegas. A menina, então, precisa recorrer à sua criatividade para conseguir os ingredientes e cumprir a missão de preparar o bolo imposto pelas autoridades.
Vencedor do prêmio Caméra d’Or para melhor filme de diretor estreante em Cannes e do prêmio do público da Quinzena dos Cineastas, também em Cannes.
Elenco: Baneen Ahmad Nayyef, Sajad Mohamad Qasem, Waheed Thabet Khreibat, Rahim AlHaj
HORÁRIOS DE 11 A 17 DE JUNHO
(não há sessões nas segundas)
15h: O BOLO DO PRESIDENTE
17h: CRIADAS
19h: TATAME (NO DIA 13/6, SÁBADO, NÃO HAVERÁ SESSÃO DE TATAME EM FUNÇÃO DO JOGO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO)
Ingressos
Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.
CineBancários
Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre
Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br
Amanda Zulke
CineBancários | SindBancários
(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484


Nenhum comentário:
Postar um comentário