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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cine Especial: STAR TREK: Parte 1

Com a chegada de Além da Escuridão: Star Trek nos cinemas, vamos voltar um pouco no passado e relembrarmos as primeiras aventuras da tripulação U.S.S Enterprise no cinema.   
  
STAR TREK - O Filme(1979) 

Sinopse: Um fenômeno alienígena de poder e tamanho descomunal se aproxima da Terra, destruindo tudo em seu caminho. A única nave que pode enfrentar esta força letal que ameaça a Terra é a U.S.S. Enterprise. O lendário comandante James T. Kirk (William Shatner) é convocado para a missão, mas um perigo não previsto pode destruir a U.S.S. Enterprise e toda a sua tripulação.
  
Todo mundo sabe que até hoje existe uma rivalidade entre as franquias Star Trek e Star Wars através dos milhares de fãs que existem pelo globo, mas acredito que num certo ponto uma franquia não viveria sem a outra. Quando o primeiro Star Wars de George Lucas se tornou um fenômeno em 1977, muitos estúdios imediatamente começaram a tirar da gaveta roteiros que pudessem levar ao cinema uma aventura espacial, sendo que a loucura para ganhar dinheiro era tão grande, que o estúdio da Metro teve a capacidade de jogar o 007 no espaço no filme O Foguete da Morte. Mas enquanto os demais estúdios não sabiam em que direção ir, a Paramount já sabia qual era o seu caminho: desengavetar um projeto antigo de Star Trek.
Inicialmente projetado para ser um filme piloto que daria então a largada para uma nova temporada, os engravatados do estúdio mudaram então radicalmente o projeto, injetando um orçamento muito mais gordo e convocando o cineasta Robert Wise (Noviça Rebelde) para comandar o espetáculo. Com uma tacada de mestre, o estúdio convocou todo o elenco da serie original. Até mesmo Leonard Nimoy, que já naquela época não queria reprisar novamente o papel que marcaria para sempre em sua carreira.
Embora o nascimento do filme tenha acontecido devido a Star Wars, a primeira aventura para o cinema da tripulação da U.S.S Enterprise vai para um caminho bem diferente: se na super produção de George Lucas ia para um caminho em que mais lembrava os seriados de aventura de antigamente, Star Trek - O filme vai para uma trama mais cerebral, em que representa o que foi as três temporadas televisivas como um todo. O ato final, em que é revelada a verdadeira origem do ser que ameaça a vida na terra e suas reais intenções, nada mais é do que uma representação da principal mensagem da franquia: ir aos mais longínquos confins do universo.
Embora não tenha sido o filme que todos esperavam, Star Trek - O Filme serviu de ponta pé inicial para novas aventuras que viriam nos anos seguintes no cinema e que para nossa sorte duraria até hoje.        
  
STAR TREK II - A Ira de Khan  

Sinopse: Decidido a ter em mãos uma poderosa arma que transforma totalmente um planeta, o perigoso Khan busca descobrir seu segredo se infiltrando na própria Federação.

Embora com um orçamento reduzido, Star Trek II – A Ira de Khan é disparado o melhor filme da franquia até hoje e muitos motivos é o que não falta: o vilão Khan, que é magistralmente interpretado pelo ator Ricardo Montalban (Ilha da Fantasia), rouba a cena do filme ao passar uma aura de pura ameaça, intelecto, mas que não esconde certo desequilíbrio, devido ao puro ódio que sente por Kirk e sua nave. Outro ponto que merece ser destacado é o fato dos produtores terem sido engenhosos em explorar até então alguns aspectos ainda inéditos da franquia, como a lealdade e amizade forte que Spock e Kirk têm um pelo outro, culminando nos melhores momentos quando ambos estão juntos em cena. O filme seria também bastante lembrado ao destacar o famoso teste de Kobayashi Maru, que acabaria por então revelando uma conduta equivocada de Kirk em seu passado durante o seu treinamento para ser capital.
Mas nada disso se equipara ao final da trama, onde nossos heróis ficam num beco sem saída, perante as artimanhas de Khan, que não só deseja destruir há todos, como também se apoderar para si do projeto Gênesis. Com isso, o publico fã é brindado com um dos melhores e mais tristes momentos de toda franquia, onde Spock parte para o sacrifício para salvar a vida de seus amigos, numa seqüência que até hoje o publico vai as lagrimas. Com isso, filme se encerra com chave de ouro, o que poderia ser também o ponto final para todas as aventuras desses personagens. Mas como toda boa ficção que se preze, sempre existe uma solução para trazer velhos amigos de volta, e os segundos finais do longa nos da um belo gancho do que viria a seguir muito em breve. 


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Cine Dica: CONVITE: Pré-estreia A MEMÓRIA QUE ME CONTAM com a presença de Lucia Murat e Irene Ravache


O CineBancários realiza no próximo dia 13 de junho, às 18h30, a pré-estreia do novo longa-metragem da diretora Lucia Murat, A memória que me contam. Após a sessão, Lucia participa de um debate com o público, mediado pelo jornalista e crítico de cinema Marcelo Perrone, em companhia da atriz Irene Ravache, uma das protagonistas do filme.

18h30 - retirada de senhas
19h30 - exibição do filme

Uma das mais atuantes realizadoras do cinema brasileiro, Lucia Murat dirigiu filmes como Que bom te ver viva, Doces poderes, Brava gente brasileira, Quase dois irmãos e Uma longa viagem (vencedor de vários prêmios no Festival de Gramado de 2011, incluindo melhor filme). Neste novo título, a diretora volta a abordar um de seus temas preferenciais: a violência contra os militantes de esquerda durante a ditadura militar.

A memória que me contam é um drama irônico sobre utopias derrotadas, terrorismo, comportamento sexual e a construção de um mito. Narrado como um quebra-cabeça, numa sequência de emoções e sensações, o filme expõe as contradições de um grupo de amigos que resistiram à ditadura militar e que se reencontram na sala de um hospital por causa de Ana, uma antiga companheira que está morrendo. Ex-guerrilheira, ícone da esquerda, ela é o último elo desse grupo e aparece no filme apenas nas lembranças dos companheiros, como se nunca tivesse saído dos anos 60, jovem, linda e perigosamente frágil. A personagem, vivida pela atriz Simone Spoladore, é baseada em Vera Sílvia Magalhães, ex-guerrilheira e uma das responsáveis pelo sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick no Rio de Janeiro, em 1969. Considerada um mito pela esquerda brasileira, Vera faleceu em dezembro de 2007. Já Irene Ravache interpreta a personagem de uma cineasta, claramente inspirada em Lucia Murat, que antes de se dedicar ao cinema militou contra a ditadura militar, foi presa e torturada. Ainda no elenco, destaque para a presença do ator italiano Franco Nero, que se tornou conhecido como o protagonista do “western spaghetti” Django e recentemente foi visto também emDjango Livre, de Quentin Tarantino.

Após a sessão de pré-estreia no dia 13, A memória que me contam entra em cartaz no CineBancários a partir de 21 de junho, em três sessões diárias, às 15h, 17h e 19h.
A memória que me contam, de Lucia Murat. Brasil/Argentina/Chile, 2012, 100 minutos. Com Simone Spoladore, Irene Ravache, Clarisse Abujamra, Otávio Augusto e Franco Nero. Ficção.

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terça-feira, 11 de junho de 2013

Cine Dica: Em DVD e Blu-Ray: Um Alguém Apaixonado


Sinopse: Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem universitária que vive em uma grande cidade no Japão. Um dia ela está ao lado de uma amiga em uma boate, quando um homem (Denden) se aproxima dela e lhe pede que vá visitar um colega. Ela reluta a princípio, dizendo que precisa encontrar sua avó que veio do interior, mas acaba aceitando. Colocada em um táxi, ela segue em viagem tendo apenas um endereço e um telefone, sem saber quem irá encontrar.

Quando se é cinéfilo, você sempre fica vasculhando os principais filmes de cineastas autores, pois você sabe muito bem que sempre irá encontrar algo de bom e fora do convencional. Mas por mais que a gente se esforce, nem tudo podemos assistir devido à falta de tempo, e no meu caso levou tempo para finalmente conhecer o cineasta iraniano Abras Kiarostami. Fui conhecê-lo somente no filme Copia Fiel, que desde já esta entre os melhores filmes da ultima década e novamente ele surpreende, do outro lado do mundo, com o seu Um Alguém Apaixonado.
O filme é sobre os encontros e desencontros de pessoas em uma Tóquio movimentada, barulhenta e cheia de luz, que faz com que esses elementos se misturem com os próprios personagens, fazendo tanto chamar atenção deles como a nossa também. O fio condutor começa a partir de uma garota de programa (Rin Takanashi), que por sua vez vai atender na casa de um idoso (Tadashi Okuno), mas devido a um imprevisto e outro, eles dão de encontro com o namorado ciumento da primeira. Assim como Copia Fiel, em alguns momentos os personagens começam a se passar por outras pessoas, cuja razão está no fato de fugirem de uma difícil realidade, mas que no final das contas terão que encará-las doa o que doer.  
Assim como Copia Fiel, os personagens começam a tirar as suas mascaras na reta final da trama e ter que encararem eles próprios, mas assim como naquele filme, Abras Kiarostami deixa o final em aberto e fazendo com que a historia continue em nossas mentes. Pode isso não agradar a todos, mas nunca é demais a gente imaginar o que viria depois para os protagonistas que nos deixam em uma projeção.         

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cine Dica: Em Cartaz: Faroeste Caboclo


Sinopse: João (Fabrício Boliveira) deixa Santo Cristo em busca de uma vida melhor em Brasília. Ele quer deixar o passado repleto de tragédias para trás. Lá, conta com o apoio do primo e traficante Pablo (César Troncoso), com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego como carpinteiro. Em meio a tudo isso, conhece a bela e inquieta Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Marcos Paulo), por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), que coloca tudo a perder.

Por mais que a gente tente enterrar o passado, ele acaba sempre nos encontrando e fazendo com que a gente caia novamente no poço de hábitos maliciosos que não nos levam há lugar algum.  Baseado na musica clássica de Renato Russo, acompanhamos a cruzada de João (Fabrício Boliveira), que fica dividido entre o mundo trafico do seu primo (o sempre ótimo César Troncoso) e de uma vida normal ao lado do seu amor Maria Lúcia (Isis Valverde), fazendo desde então viver numa roleta russa, no qual tanto irá prejudicá-lo, como também aqueles próximos a ele. Claro que já vimos esse filme antes: Os Bons Companheiros, Fogo contra Fogo e dentre outros são bons exemplos, mas diferentes dessas obras, o cineasta René Sampaio injeta um clima de tragédia grega, nos fazendo realmente temer pelo destino trágico dos personagens principais, pois quando assistimos, temos a sensação do mundo real e cru em que eles vivem.
Para não tornar tudo tão pesado, Sampaio injeta seu lado autoral vindo dos comerciais de TV, criando então cenas engenhosas em que a câmera surge em lugares dos mais imprevisíveis. Bom exemplo é quando o protagonista relembra o seu passado, e a cena começa dentro de um poço, onde assistimos então todo o percurso do balde cheio d’água  até a chegada na superfície. Porém, Sampaio se arrisca ao homenagear explicitamente Sergio Leone, aonde em certo momento chegamos até mesmo ouvir uma trilha semelhante que era composta pelo mestre Ennio Morricone que fazia para o diretor Italiano. Embora talvez funcione para o publico leigo, eu acredito que o cinéfilo de carteirinha irá achar um tanto que estranho, ou até mesmo um momento pálido e sem inspiração do cineasta, que deveria ter feito algo diferente no ato final da trama. Porém, isso é contornado pelo teor dramático e pelo destino dos seus protagonistas, que para o bem ou para o mal, se distancia e muito do convencional do cinema brasileiro atual. 

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Cine Dica: CineBancários estreia filme sobre processo criativo do poeta e compositor Siba


O CineBancários estreia no dia 11 de junho o longa Siba - Nos Balés da Tormenta, dirigido pelos gaúchos Caio Jobim e Pablo Francischelli. O filme faz um registro do processo de criação de “Avante”, disco mais recente do poeta e compositor pernambucano Siba, lançado em janeiro deste ano. Este é o primeiro longa realizado pela DobleChapa Cinematografia, produtora fundada pelos dois diretores no início de 2011, a partir da parceria firmada nos anos de 2009 e 2010, com o programa “Pelas Tabelas”. Veiculado pelo Canal Brasil, a série apresentou 58 compositores da geração atual da música brasileira em 26 episódios.
Ao retomar a guitarra e afastar-se do universo do maracatu e da ciranda - ritmos tradicionais da música brasileira, que nortearam seu trabalho nos últimos 10 anos, o músico, poeta e compositor Siba passa por um conflitante processo de redefinição de sua geografia criativa, mesclando referências urbanas e manifestações tradicionais brasileiras. Rock, música africana e poesia da mata norte do Brasil se misturam durante o processo de criação de “Avante”, disco produzido por Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado, que surge para demarcar o novo território artístico do músico pernambucano.

Siba - Nos Balés da Tormenta, de Caio Jobim e Pablo Francischelli.

Mais informações e horários das sessões, vocês encontram na pagina da sala clicando aqui.

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domingo, 9 de junho de 2013

Cine Dica: Em DVD e Blu-Ray: Indomável Sonhadora



Sinopse: Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma menina de apenas 6 anos de idade que vive em uma comunidade miserável isolada às margens de um rio. Ela está correndo o risco de ficar órfã, pois seu pai (Dwight Henry) está muito doente. Ele, por sua vez, se recusa a procurar ajuda médica. Um dia, pai e filha precisam lidar com as consequências trazidas por uma forte tempestade, que inunda toda a comunidade. Vivendo em um barco, eles encontram alguns amigos que os ajudam. Entretanto, o pai vê como única saída explodir a barragem de uma represa próxima, o que faria com que a água baixasse rapidamente e a situação voltasse a ser como era antes.

O cinema americano por muitas vezes sempre tentou camuflar em nunca mostrar o lado da miséria do seu país, mesmo que houvesse ao longo da historia algumas exceções (Vinhas da Ira?). Mas chegamos há um ponto que o publico exige cada vez mais de um cinema “pé no chão” e é ai que existem cineastas cada vez mais dedicados em apresentar esse outro lado da historia, como no caso deste diretor estreante Benh Zeitlin e com seu Indomável Sonhadora. Ambientado após o furação Catrina ter devastado os pântanos da Louisiana, acompanhamos o dia a dia de uma comunidade na miséria, que dentre eles se destaca Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) e seu pai (Dwight Henry), que não medem esforços para tentarem sobreviver em meio ao caos.
Praticamente durante todo o filme o foco principal é da relação entre pai e filha, onde ambos aprendem um pouco de cada um, desde saber enfrentar certos obstáculos, como também certas situações inevitáveis de não acontecerem, mas que é preciso ser encaradas. Hushpuppy por sua vez, para contornar a realidade crua que sempre surge em sua volta, por vezes acaba criando uma espécie de mundo mágico, no qual faz com que sinta mais forte. Portanto não se surpreenda se surgir do nada javalis gigantes, sendo que da a entender que é o espírito forte e indomável que ela tanto precisa despertar para encarar o mundo duro em que ela vive.         
Com pouco mais de uma hora e vinte de duração, Indomável Sonhadora é uma pequena perola sobre coragem, perseverança, amor e união ao seu próximo.  

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Cine Dica: Em DVD e Blu-Ray: Killer Joe - Matador de Aluguel


Sinopse: O jovem Chris Smith (Hirsch) é um traficante de drogas azarado que consegue deixar as coisas ainda piores quando contrata um surpreendentemente charmoso matador de aluguel, Killer Joe Cooper (McConaughey), para matar sua própria mãe. Sem dinheiro algum, Chris concorda em oferecer sua irmã mais nova, Dottie (Temple), como garantia sexual em troca dos serviços de Joe até receber o dinheiro do seguro de vida da mãe. Isso, é claro, se ele conseguir botar as mãos no dinheiro...

William Friedkin se tornou que nem o vinho, que ficou melhor depois de velho. Essa é a melhor definição que posso dizer sobre ele, pois depois de ter feito sua obra prima O Exorcista na década de 70, parecia que a criatividade havia lhe escapado pelos dedos após aquele estrondoso sucesso. Mas eis que após estar numa idade em que alguns cineastas se aposentam, ele nos surpreende com o genial Possuídos na década passada e agora nos crava uma pequena perola que é Killer Joe e que será discutido por anos a fio.
Se fossemos resumir o filme como um todo, seria na realidade uma representação da degradação familiar texana, que somente mantém laços familiares por interesse, e quando existe dinheiro no meio, os laços de sangue se tornam meros detalhes. A partir do momento que Chris (Emile Hirsch, Natureza Selvagem) deseja que a sua mãe morra, para daí então ganhar uma grande quantidade de dinheiro para escapar de uma enrascada, se inicia  uma teia de eventos em que muitos personagens (querendo ou não) saírão do armário. Seu maior erro é contratar os serviços de Joe Cooper (McConaughey na melhor interpretação de sua carreira), um policial, mas matador profissional nas horas vagas, que além do dinheiro que irá cobrar pelos serviços, almeja também a irmã de Chris, Dottie (Juno Temple).
Falar mais seria estragar as surpresas que o filme apresenta, sendo o que eu posso dizer, é que Friedkin simplesmente descasca cada personagem principal da trama como se fosse uma cebola e revelando a verdadeira face da vida desregrada de cada um deles e que faz com que sejam levados para um caminho sem volta. Em meio há isso, o personagem de Cooper sempre se revela uma pessoa segura de si, agindo de forma profissional, mas jamais escondendo as camadas doentias que ele revela gradualmente ao longo da projeção. O ato final é de uma explosão só, onde a violência quase explicita e o terror psicológico que ele provoca, nos faz a gente se apertar na poltrona e ficar sempre imaginando qual serão o seu próximo ato ou grande perola que ele falara.
Embora pequeno, o elenco possui atores talentosos, pois além dos já citados, ainda inclui  Gina Gershon (Ligadas Pelo Desejo), como uma megera e interesseira madrasta da família e  Thomas Haden Church (Homem Aranha 3), um pai sem noção, mas que não esconde suas ambições. Por fim,  William Friedkin cria cenas impactantes, mesmo aquelas mais simples, como quando toda a família famigerada estão jantando numa mesma mesa, mesmo todos eles estando em frangalhos e com suas mascaras caídas e destruídas pelos seus atos. 

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cine Dicas: Estreias do final de semana (07/06/13)

O Grande Gatsby 

Sinopse: Nick Carraway (Tobey Maguire) tinha um grande fascínio por seu vizinho, o misterioso Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Após ser convidado pelo milionário para uma festa incrível, o relacionamento de ambos torna-se uma forte amizade. Quando Nick descobre que seu amigo tem uma antiga paixão por sua prima Daisy Buchanan (Carey Mulligan), ele resolve reaproximar os dois, esquecendo o fato dela ser casada com seu velho amigo dos tempos de faculdade, o também endinheirado Tom Buchanan (Joel Edgerton). Agora, o conflito está armado e as consequências serão trágicas.

Dentro da Casa 

Sinopse: Um pouco cansado da rotina de professor, Germain (Fabrice Luchini) chega a atormentar sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas) com suas reclamações, mas ela também tem seus problemas profissionais para resolver e nem sempre dá a atenção desejada. Até o dia em que ele descobre na redação do adolescente Claude (Ernst Umhauer) um estilo diferente de escrever, que dá início a um intrigante jogo de sedução entre pupilo e mestre, que acaba envolvendo a própria esposa e a família de um colega de classe. 

Depois da Terra 

Sinopse: Há 1000 anos, um cataclismo tornou a Terra um lugar hostil e forçou os humanos a se abrigarem no planeta Nova Prime, morando em naves espaciais. Depois de uma missão, o general Cypher Raige (Will Smith) retorna à sua família e ao filho de treze anos de idade (Jaden Smith). Mas pouco tempo após seu retorno, uma chuva de asteroides faz com que a nave onde moram caia na Terra. Com o pai correndo risco de morte, o jovem adolescente deverá aprender sozinho a domar este planeta, encontrando água, comida e cuidando de seu pai.
  
Mundo Invisível 

Sinopse: Doze diretores convidados pela organização da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo apresentam sua visão sobre a invisibilidade nos dias atuais, a partir de segmentos rodados na cidade de São Paulo.

O Que Traz Boas Novas 

Sinopse:Quando a professora de uma escola primária sofre uma morte trágica, o substituto escolhido é Bachir Lazhar, um imigrante argelino. Enquanto as crianças passam por um longo processo de luto, ninguém suspeita do passado doloroso do professor, ou do grande risco que Lazhar seja deportado a qualquer momento.

Odeio o Dia dos Namorados 


Sinopse: Débora (Heloísa Périssé) é uma publicitária que sempre privilegiou a carreira em detrimento de sua vida amorosa. Entretanto, ambas se misturam quando ela precisa trabalhar em uma importante campanha para o Dia dos Namorados cujo cliente é Heitor (Daniel Boaventura), seu ex-namorado, que foi dispensado por ela de forma humilhante. Diante desta situação, ela ainda precisa lidar com a inesperada visita do fantasma de seu amigo Gilberto (Marcelo Saback), que tenta fazer com que ela repense a vida e descubra o que as pessoas realmente pensam dela.


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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cine Dica: Em DVD e Blu-Ray: OS MISERÁVEIS

UM DOS MAIORES ESPETÁCULOS DO CINEMA RECENTE CHEGA A VENDA E LOCAÇÃO
 Leia a minha critica já publicada clicando aqui.

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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cine Dica: Em DVD e Blu-Ray: Era Uma Vez Eu, Verônica


Sinopse: Verônica (Hermila Guedes) tem 24 anos e acaba de terminar o curso regular de Medicina. Mora com o pai, José Maria, muito mais velho que ela. A mãe morreu quando ela era ainda pequena. A casa é cheia de discos de vinil antigos. No momento, Verônica não tem mais tempo para discos, para cantar músicas ou mesmo para noitadas com as amigas, pois trabalha em um ambulatório de Psiquiatria de um hospital público. Em uma dessas noites de volta para casa, Verônica, já cansada de tanto ouvir problemas alheios, decide usar o gravador, fiel companheiro das provas da faculdade, para narrar, em forma conto de fadas, os próprios problemas. E começa: Era uma vez eu, uma jovem, brasileira...

Por mais que a gente se esforce em ser alguém na vida, às vezes sentimos uma sensação de angustia, na qual tem a terrível sensação de que nos não nos encaixamos no mundo e não encontramos nenhum sentido em prosseguir. No mais novo filme do diretor Marcelo Gomes (Cinema Aspirinas e Urubus) temos a representação dessas sensações através da personagem  Verônica (Hemila Guedes), que embora tenha se tornado médica de um hospital publico, ela se sente infeliz no que faz, mesmo se esforçando ao máximo para ajudar pessoas com diversos tipos de problemas, seja físicos ou psicológicos. Ao mesmo tempo, cuida de um pai enfermo e das idas e vindas de um possível futuro marido (João Miguel).
Por mais que tente administrar o seu dia a dia com tudo isso, sentimos a todo o momento que Verônica quer mais é jogar tudo para o ar, sendo que a cena de abertura (onírica e com muita nudez) e dos últimos minutos de projeção representa os seus desejos interiores que a qualquer momento podem explodir. Gomes passa ao máximo para o espectador essa sensação que a protagonista sente a todo o momento, pois sua câmera jamais a perde de vista, causando então uma sensação de apreensão em nos, sobre qual será as atitudes dela....virtuosas ou libertárias?  
Um filme sobre cada um de nos em algum momento na vida, em que procuramos uma razão de prosseguirmos em linhas retas e sem perdermos as esperanças.     

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Cine Dica: Lançamento de livro e exibição de UP! no Projeto Raros

PROJETO RAROS ESPECIAL CEMITÉRIO PERDIDO DOS FILMES B: EXPLOITATION- UP! O EROTISMO ANÁRQUICO DE RUSS MEYER 

Nesta sexta-feira, 7 de junho, às 20h, o Projeto Raros da Sala P.F.Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) faz o lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation, seguido da exibição de UP!, de Russ Meyer. Após a sessão, haverá debate com os autores Cesar Almeida, Carlos Thomaz Albornoz, Marco A. Freitas e Cristian Verardi. Entrada Franca. Censura 18 anos.

UP!
 
Existe algo de anárquico na obra de Russ Meyer que eleva seu cinema além do erotismo fácil da exploração gratuita dos corpos. Na epiderme de seu trabalho corre um humor libertário, impregnado de violência, um deboche acurado que desestabiliza costumes e regras morais através de uma narrativa caótica que por vezes beira o nonsense. A profusão de corpos nus, de mulheres opulentas e homens priaprícos, serve como arma para desnudar desejos e perversões de uma sociedade castradora e hipócrita. A América de Russ Meyer clama secretamente por um gozo alucinante.
 ”Nada é obsceno desde que seja feito com mau gosto”, costumava dizer um provocativo Meyer.Um dos últimos trabalhos de sua carreira como diretor, Up! é uma obra crepuscular que somatiza características peculiares ao estilo de Meyer; para ele o sexo era um elemento superlativo. Mulheres de seios monumentais, homens brutos e apalermados ostentando ereções monstruosas, êxtase sexual constante, violência gráfica de tons cartunescos, tudo isso costurado por uma narrativa amalucada em prol da provocação e do deboche das convenções sociais e dos tabus sexuais.O olhar apurado de Meyer, que foi um notório fotógrafo da revista Playboy durante os anos 1950, capta planos inusitados, sempre valorizando os fartos seios de suas atrizes,  enquanto realiza com furor sequências de humor, violência e erotismo.

 Kitten Natividad, uma de suas atrizes fetiche, funciona como um coro grego para narrar a estranha trama whodunit que se desenrola em meio a maratona sexual promovida pelas personagens de Up!. Quem matou Adolf  Schwartz? Um Hitler genérico adepto de práticas masoquistas que é castrado por um peixe colocado criminosamente em sua banheira. Esse enigma pouco interessa às personagens, que preferem se dedicar a incessantes e divertidas aventuras sexuais invés de se preocupar com o assassinato. Enquanto Paul (Robert McLane) e Sweet Lil Alice (Janet Wood) gozam bucolicamente em meio aos campos, Margo Winchester (Raven De La Croix), a garçonete local, enlouquece os homens transformando-os em verdadeiros predadores sexuais, e o xerife Homer Johnson (Monty Bane), despreocupado com o crime, prega a lei a sua maneira, utilizando mais seu pênis do que sua arma.A cena de abertura com Adolf  Schwartz sendo alegremente sodomizado por um membro descomunal e submetido a sessões de sadomasoquismo, é uma verdadeira zoação de Russ Meyer (ex-combatente e fotógrafo da 2° Guerra Mundial), não apenas com a figura histórica de Hitler, mas com todas as autoridades morais que impestam nossa sociedade pregando de forma ditatorial éticas sexuais hipocritamente castradoras. A sequência histérica, onde um lenhador brutamontes de apetite sexual descontrolado tenta violentar Margo Winchester, culminando num hilário banho de sangue após uma luta envolvendo  machados e uma motoserra, é um exemplo da insanidade narrativa de Meyer, que mescla habilmente os gêneros, indo prontamente do erotismo ao mais puro grand guignol.
 Carl Jung disse que ”o cinema torna possível experimentar sem perigo, toda a excitação, paixão e desejo que deve ser reprimida numa humanitária ordem de vida”, e o erotismo libertário e provocador  proposto pelo cinema de Meyer tende a corroborar essa afirmação, tendo o sexo e o humor como as mais poderosas armas de subversão.

(Cristian Verardi - texto originalmente publicado no livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation. Ed. Estronho).



Mais informações, vocês conferem na pagina da sala clicando aqui. 

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terça-feira, 4 de junho de 2013

NOTA: EM BREVE NO MEU BLOG...


Não importa se a pessoa for fanática ou não, Star Trek faz parte do imaginário de várias gerações, sendo aquelas que assistiram (ou deram uma espiada) a série de TV ou aquelas que assistiram aos filmes que deram continuidade as aventuras da tripulação da nave Enterprise. Com a proximidade de mais um novo capitulo das aventuras de Kirk, Spock e companhia chegando ao cinema, em breve postarei sobre cada filme que a tripulação original (e mais adorada) estrelou nas telonas.
Enquanto isso deixo abaixo o que é para mim a cena mais emocionante de todos os filmes já feitos ate aqui. 

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Cine Dica: Em DVD e Blu-Ray: O Mestre


Sinopse: Ao término da Segunda Guerra Mundial, o marinheiro Freddie Quell (Joaquin Phoenix) tenta reconstruir sua vida. Traumatizado pelas experiências em combate, ele sofre com ataques de ansiedade e violência, e não consegue controlar seus impulsos sexuais. Um dia, ao acaso, ele conhece Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman), uma figura carismática e líder de uma organização religiosa conhecida como A Causa. Reticente no início, ele se envolve cada vez mais com este homem e com suas ideias, centradas na ideia de vidas passadas, cura espiritual e controle de si mesmo. Freddie torna-se cada vez mais dependente deste estilo de vida e das ideias de seu Mestre, a ponto de não conseguir mais se dissociar do grupo.

Depois de Sangue Negro, todos estavam esperando novamente um projeto ousado vindo da mente de Paul Thomas Anderson e novamente este não decepciona. Alardeado como o filme que conta as origens da Citologia, a trama não se entrega as raízes dessa seita como um todo, mas sim em seus protagonistas cheios de intensidades e que são capazes de mudar a vida das pessoas próximas há elas. Quem necessita de uma mudança radical é Freddie (Joaquin Phoenix espetacular) que após o termino da Segunda Guerra Mundial, se vê perdido no mundo, com tendências explosivas e impulsos sexuais descontrolados (o inicio representa bem isso).
Tudo muda quando encontra Lancaster (Hoffman, ótimo como sempre), que é líder de uma organização religiosa chamada A Causa e passa ajudar Freddie para encontrar um caminho na vida. Pessoalmente, embora eu seja católico, sempre fui contra essas organizações religiosas que cada vez mais cresce no mundo, pois sempre há um dedo podre nos bastidores desses cultos. Porém, talvez querendo fugir de qualquer polemica, Thomas Anderson jamais deixa explicito os lados negativos que ocorre em A Causa, mas sim retrata como um movimento, onde o principal objetivo é fazer as pessoas se desprenderem do que as levam no fundo do poço. Porém, o cineasta é hábil na sutileza em retratar que as coisas não são bem assim, através de momentos explosivos do Mestre, principalmente quando se vê sendo julgado por aqueles que não entendem a sua causa. Ou então pela personagem de Amy Adams, que embora represente o lado maternal da trama, não esconde certo ar de loucura vindo de seus olhos e demonstrando total fanatismo, muito embora contido.
Com cenas espetaculares em que os protagonistas agem das formas mais imprevisíveis (principalmente vindas do personagem de Phonenix), O Mestre pode até não ser superior a obra anterior do diretor, mas entra facilmente na lista dos melhores filmes produzidos no inicio dessa nova década.     

Leia também tudo sobre as obras do diretor clicando aqui. 

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cine Dica: Em Cartaz: O ABISMO PRATEADO


Sinopse: Violeta (Alessandra Negrini) é uma dentista de 40 anos, casada e com um filho adolescente, que está pronta para começar mais um dia em sua rotina, entre seu consultório, a academia e um novo apartamento em Copacabana. Parece ter uma vida dos sonhos, até que recebe um recado no celular, o que muda drasticamente seu cotidiano, fazendo com que ela passe por uma dolorosa experiência, durante a qual busca entender a situação, andando pelas ruas do Rio de Janeiro.

No mais novo filme do cineasta Karim Aïnouz, O Abismo Prateado traz Alessandra Negrini em sua melhor performance no cinema.O tema é o mesmo de outras obras já apresentadas pelo diretor como o  Céu de Suely (2005) em que o abandono é o que assombra os seus protagonistas. Violeta (Alessandra), uma dentista de 40 anos da Zona Sul do Rio, casada e com um filho adolescente, recebe um recado na secretária eletrônica. É o marido (Otto Jr.), com quem ela vinha mantendo uma relação aparentemente estável, do ponto de vista sexual inclusive (numa cena bem sensual), dizendo que não a ama mais e que vai embora para Porto Alegre.
O cineasta então foca o drama da protagonista, que num momento busca o paradeiro do seu amor, e em outro  momento segue caminhando sem rumo pelas ruas do Rio e caindo na balada. A câmera do diretor fisga com maestria o espírito em frangalhos de Violeta em sua jornada, sendo que dois  momentos impressionam: a que começa em uma boate e termina na beira da praia, com belas imagens das ondas do mar, simbolizando a idéia da protagonista buscar novas praias para melhorar a sua vida, ou pelo menos buscar algo para fazer algum sentido em sua jornada. 
No percurso para o aeroporto, para onde ela vai de carona com um pai (Thiago Martins) e sua filha pequena (Gabi Pereira), começa a se sentir melhor consigo mesma, em momentos singelos e se descobrindo um pouco, em novas camadas até então desconhecidas de sua pessoa. Embora pouco divulgado e distribuído em poucas salas, Abismo Prateado é mais um pequeno e belo filme do nosso cinema nacional que merece ser descoberto pelo grande publico. 

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