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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Malcolm & Marie'

Sinopse: Ambientado em apenas uma noite, o filme acompanha as conversas e tensões crescentes de um casal formado por um cineasta em ascensão (John David Washington) e sua namorada atriz (Zendaya). 

Mike Nichols fez escola no cinema ao nos brindar com filmes em que retratava de forma realista a crise de um relacionamento. "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" (1966) foi o pontapé inicial do cinema norte americano ao sair da bolha do mundo perfeito que tanto os próprios passavam para o público e abrindo caminho para um cinema mais cru que viria nos anos seguintes dominado pela fase da “Nova Hollywood”. Porém, o que mais chama atenção nestes filmes é a sua limitação, ou seja, filmes que mostram uma história em um único cenário e deixando tudo muito mais tenso.

O cinema recente, por exemplo, nos brindou com filmes cuja as histórias se passavam em um cenário limitado e que, ao mesmo tempo, traziam elementos vindos do próprio cinema de Mike Nichols. Se por um lado Roman Polanski uniu essas duas fórmulas em "Deus da Carnificina" (2011), do outro, o filme francês "Qual É o Nome do Bebê" (2012) unia humor com as questões dos relacionamentos atuais em frangalhos. É aí que chegamos a "Malcolm & Marie" (2021), filme que se torna uma verdadeira montanha russa na medida em que os demônios interiores do seu casal central são colocados para fora.

Dirigido por Sam Levinson, da ótima série "Euphoria" (2019), o filme é ambientado em apenas uma noite, onde acompanhamos as conversas e tensões crescentes de um casal formado por um cineasta em ascensão chamado Malcolm (John David Washington) e sua namorada atriz Marie (Zendaya). Durante a conversa sabemos que eles estão voltando da festa de lançamento do seu filme, porém, Marie começa agir de uma forma estranha. A partir daí começa o jogo de gato e rato entre os dois.

Sam Levinson ganhou notoriedade com a série "Euphoria" e sendo produtor do elogiado "Pieces of a Woman" (2021). Em ambos os casos, são filmes que exploram ao máximo o lado psicológico dos seus personagens em momentos de tensão e de como são frágeis as barreiras que separam a sanidade do total descontrole. Neste último caso, ele é bastante contido em "Malcolm & Marie", porém, isso não diminui a tensão que vai crescendo na gente na medida em que o filme avança.

Na abertura, aliás, já dá sinais do que iremos testemunhar, onde o diretor cria um plano-sequência que faz com que não percamos o casal central de vista, mesmo quando ambos os casos estejam bastante distantes um do outro. Ao mesmo tempo, a bela fotografia em preto e branco me fez lembrar do subgênero “filmes noir”, onde era retratado mulheres fatais em casos policiais. Curiosamente, aqui não há caso policial, mas não deixa de ser curioso como em alguns momentos a tensão vai aumentando e não devendo em nada a esse subgênero.

Talvez, o que colabora ainda mais para ficarmos na expectativa com relação ao que irá acontecer, é pelo fato de o diretor focar em alguns momentos os rostos dos dois protagonistas, principalmente em momentos em que ambos dão uma pausa sobre o que estão falando e nos passando a sensação de que estão arquitetando sobre o que irão dizer na próxima fase conflito. A união perfeita de técnica com atuação de cena e da qual ganha a nossa atenção do começo ao final dela.

Fora o fato de testemunharmos um casamento em crise, é curioso observar como o filme dá espaço também ao criar uma crítica ácida contra a própria Hollywood, da qual se sustenta com filmes de grandes proporções, mas não dando muito espaço ao cinema autoral. Em um determinado momento, por exemplo, Marnie compara os cineastas como prostitutos, que precisam se vender ao sistema hollywoodiano para assim só depois dizer para o que veio. Um momento hilário, para não dizer trágico.

Fora a arte técnica orquestrada pelo cineasta, é notório salientar que o filme realmente funciona graças ao talento de ambos os interpretes em cena. Desde "infiltrados na Klan" (2018) John David Washington saiu da sombra do pai e nos brinda com atuações dignas de nota e provando que irá tão longe quanto o seu parentesco. Já Zendaya teve a sorte de obter os dois mundos, tanto do grande público, atuando nos dois últimos filmes do "Homem Aranha", como também obras autorais como "Euphoria" e se tornando o mais novo talento hollywoodiano.

Ambos em cena há um duelo verbal e quase físico, mas cuja as ações são contidas para jamais gerar nenhuma tragédia. Em determinado momento, por exemplo, Marie coloca Malcolm e nós em situação de encurralados, para depois ser revelado o seu lado engenhoso perante uma situação em que ela e ele estão jogando para procurar quem está com a razão com relação ao conflito. O que se tem é um jogo em que ambos revelam o seu lado pretensioso, tanto com relação ao relacionamento, como também ao universo hollywoodiano em que estão convivendo.

Acima de tudo, é um filme que sintetiza o desgaste dos relacionamentos, sejam eles matrimoniais ou não e cujo o individualismo está cada vez mais forte nestes tempos atuais. Os minutos finais ficam em aberto, mas dando a entender que, tanto o casal visto da tela, como os demais do mundo real, precisa se ajustar aos novos tempos e dos quais os mesmos estão cada vez mais confusos. Talvez os relacionamentos atuais não sejam duradouros, mas o que importa é saber o do porque eles começaram e manter ao menos isso de precioso.

"Malcolm & Marie" é um jogo de talentos, luz e trevas sobre os relacionamentos cada vez mais complexos deste mundo contemporâneo.  

Onde Assistir: Netflix

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