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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'A Febre'

Sinopse: Justino, 45 anos, é guarda de segurança no porto de Manaus, Amazonas. Enquanto sua filha se prepara para estudar medicina em Brasília, Justino é dominado por uma febre misteriosa. 

O índio visto no cinema brasileiro é sempre retratado de acordo como ele realmente é ou como ele foi antes da chegada do homem branco. Porém, em "Serras da Desordem" (2006), da diretora Andrea Tonacci, vemos o povo indígena mantendo as suas raízes, mas tendo efeitos negativos com ajuda do homem branco, onde o ato final sintetiza muito bem isso. "A Febre" (2019) mostra o índio atual tentando adentrar a civilização, mas ao mesmo tempo adquirindo a tentação de retornar as suas raízes antes que seja tarde.

Dirigido pela documentarista Maya Da-Rin, a história fala sobre Justino (Regis Myrupu), um índio de Manaus, Amazonas que há 20 anos vive na cidade grande, trabalhando agora como segurança no porto local. Sua filha Vanessa (Rosa Peixoto) trabalha em um posto de saúde e acaba de passar para a faculdade de Medicina, na Universidade de Brasília. Insegura entre seguir seu sonho e deixar seu pai, ela precisa ainda lidar com uma estranha febre que subitamente aparece. Paralelamente, uma série de estranhos ataques a animais ganha destaque na TV local.

Embora a trama se passe em Manaus, a cineasta optou em retratar a real interação entre os indígenas, falando a sua própria língua e criando um verdadeiro contraste quando Justino se encontra no cenário onde ele trabalha. Com um olhar quase documental, a cineasta é perfeccionista neste quesito, ao retratar de forma minuciosa o real habitat da população indígena quando a própria se encontra quase encravada no universo do homem branco. Porém, é através dos diálogos entre eles que constatamos que há um desejo em manter, ou retornar para as suas raízes e para assim resgatar o que havia se perdido no passado.

Curiosamente, tanto Justino como a sua filha Vanessa são dois lados da mesma moeda em situações distintas, mas que se assemelham quando o assunto é dar um novo passo na vida. Enquanto Vanessa vive na corda bamba na escolha de ir ou não para faculdade, Justino tenta se manter em seu emprego, mas o desgaste e a febre que lhe atinge o faz repensar sobre qual é o seu real caminho. Ao mesmo tempo situações obscuras surgem de forma gradual, onde há uma transição de momentos verossímeis com o folclore indígena e que mexem com interior de Justino.

Logicamente, ao ver o filme, não há como não fazer um paralelo com a trama com a situação em que o Brasil atual vive em virtude de um desgoverno e do papel do coronavírus em tudo isso. Ao vermos Justino começar a ficar doente e o estado pouco dando crédito com relação a isso, constatamos que a trama pode ser interpretada como prelúdio com a crise sanitária vista agora em Manaus, mesmo que de forma indireta, mas que nos faz pensar na situação toda. Por conta deste quadro, na reta final da trama, testemunhamos um Justino tomando a sua própria decisão, não graças ao estado, mas sim para consigo mesmo e, talvez, tenhamos que fazer o mesmo do nosso jeito se quisermos continuar sobrevivendo.

"A Febre" talvez seja lembrado nos próximos anos sobre o quanto o cinema brasileiro alertou sobre a crise sanitária em que vivemos e como o povo indígena sofreria com o descaso do homem branco.   

Onde Assistir: Netflix. 

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