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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 30 de abril de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos' - Fuga, Escolhas e Crenças

Sinopse: Ihjãc é um jovem do povo Krahô, aldeia indígena localizada em Pedra Branca, no interior do Brasil. Depois de ser surpreendido pela visita do espírito de seu falecido pai, ele se sente na obrigação de organizar uma festa de fim de luto, comemoração tradicional da comunidade. 

Dirigido pelo casal João Salaviza e Renée Nader Messora, além de vencedor do Prêmio do Júri da mostra Um Certo Olhar, no último Festival de Cannes, o filme se concentra no índio atual, do qual busca o seu lugar no mundo, em meio ao caminho entre a cultura original e a adquirida dos não índios. Em sua aldeia Pedra Branca, no Tocantins, Ihjãc é um pacato pai de família. Na cidade sertaneja de Itacajá, onde se hospeda numa Casa de Apoio para índios, ele aprecia jogos eletrônicos, música atual como qualquer pessoa do local. Sua mulher, Kotô Krahô, joga futebol, pinta as unhas e participa de conversas de namoro com as amigas, como qualquer outra jovem se for comparada a uma vinda da cidade grande.
A partir de uma longa convivência com os Krahô, Renée criou a história ficcional desempenhada por Ihjãc, Kotô e seus entes próximos, num modelo que se diferencia e muito do praticado por Vincent Carelli e seus discípulos. Renée e João dividiram quase todas as funções técnicas e de criação, enquanto os índios interpretam seus papéis como atores. Logicamente, principalmente por ser uma história baseada em casos verídicos vindos da tribo, a trama fictícia nos reserva uma relação pessoal com o mundo real vivido por eles. Curiosamente, o universo vindo da aldeia se chocando com a realidade vindo da civilização criada pelo homem branco se faz nascer um filme com um tom cujo o gosto é pouco degustado para os amantes do cinema brasileiro atual.
Enquanto no local indígena o ritmo segue de forma gradual, as sequências vistas na cidade ganham dimensões de uma obra quase documental. Curiosamente o lado folclórico, ou melhor dizendo sobrenatural, assombra o protagonista quase sempre e fazendo com que ele se sinta sempre em uma corda bamba com relação as escolhas que ele vem a tomar em sua cruzada. Dito isso, testemunhamos profissionais da cidade impotentes perante a um protagonista que não sabe ao certo o que quer para si mesmo e se movendo de acordo com suas crenças e temores vindos de si próprio.
Curiosamente, embora os realizadores tenham protestado pela demarcação das terras indígenas quando o filme era exibido em Cannes, a obra coloca assuntos políticos nas entrelinhas, para não dizer que, como um todo, fica em cima do muro com relação a determinados assuntos. Porém, há duas menções com relação ao massacre realizado por fazendeiros em 1940 e a uma placa de demarcação atingida por tiros. No demais, a trama se concentra nas escolhas do jovem protagonista e em sua derradeira consequência que virá no ápice da obra.
Transitando entre a magia e realidade, "Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos" sintetiza a própria confusão mental do seu protagonista e o que difere muito de muitos indígenas que buscam entender a sua própria realidade em tempos de mudanças. 


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