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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Cine Especial: Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão: FINAL

É amanhã que começa o curso Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão, criado pelo Cine Um e ministrado pelo escritor e crítico de cinema Rodrigo Gerace. Portanto, eu encerro por aqui as minhas postagens especiais que antecede essa atividade. Contudo, gostaria de encerrar de uma forma especial e cutucando um assunto que aconteceu ainda neste ano sala do Cinebancários de Porto Alegre.

Foi no dia 27/06/16, e o filme em questão que estava sendo exibido era Queer Fiction, uma obra experimental, onde eram exibidas inúmeras situações onde o sexo explícito era o principal chamariz. O problema é que nem todo mundo estava gostando do que estava assistindo, ao ponto de alguns frequentadores se levantarem, pegarem o extintor de incêndio do local, jogando água nas pessoas que estavam assistindo e jogando até mesmo na tela do cinema e quase a danificando. Isso acabou gerando muita polêmica na época, por vezes, desnecessária.
Todo cinema que se preze é uma área cultural, da qual merece ser preservada e dando direito para as pessoas irem assistir os mais diversos assuntos. Infelizmente esse é somente um pequeno exemplo de como ainda existem pessoas que não conseguem debater determinados assuntos com a mente aberta e acabam respondendo com agressão e até mesmo destruição de patrimônio cultural. Querendo ou não, o sexo é algo que faz parte do nosso dia a dia e ele é praticado das mais diversas formas atualmente, assim como também é usado e inserido dentro da literatura, música e cinema.
Se você não gosta do que vê simplesmente saia, mas não destrua o que não é seu. Abaixo, segue a minha crítica sobre o filme que foi exibido naquela época e que dá uma dimensão dos motivos que levaram a esse protesto desnecessário.


 QUEER FICTION

Sinopse: Inúmeras tramas onde se explora inúmeras interpretações vindas do desejo do sexo.
Em 1996, David Cronenberg lançou Crash - Estranhos Prazeres, onde mostrava uma sociedade futurista, da qual provocava acidentes de carro propositalmente e para logo em seguida fazerem sexo em meio aos ferros contorcidos. Embora polêmico, o filme recebeu o Prêmio Especial do Júri em Cannes. No principio pode-se achar um tanto exagerado o fetiche retratado nesse filme, mas há pessoas que eu conheço, por exemplo, que fazem tatuagens no corpo unicamente para sentir prazer através da dor.
Essa relação de sexo ao estremo, dor e fetiche são vistos em alguns filmes até recentemente como Ninfomaníaca ou Anticristo, onde se explora o prazer, mas ao mesmo tempo a mutilação do corpo. Esses filmes e outros me vieram à cabeça ao assistir ontem no Cinebancários (27/06/16) o filme experimental, anarquista e pornográfico QUEER FICTION onde através de inúmeros contos se retrata todas as expressões do desejo ao extremo. Criado por cineastas e fotógrafos como Alexandre Medeiros e Daniel Selao, o filme é uma verdadeira mistura, desde contos vagamente lineares, para o surrealista e se aproximando até mesmo ao movimento cyberpunk. 
Com uma fotografia na maioria das vezes granulada, ou em preto e branco, as tramas não se passam numa cidade identificável e sintetizando um clima de cidade abandonada, ou livre para fazer quaisquer tipos de libertinagem. Não há exatamente histórias com começo, meio e fim, muito menos nomes ou conversas entre os personagens, mas sim o sexo puro explicitamente, moldurado de uma forma que possa ser apreciada, criticada e analisada por aqueles que procuram algo de diferente para ser visto. Uma espécie de Marquês de Sade contemporâneo, mas feito de uma forma amadora, porém com uma idéia na cabeça de provocar aqueles que assistem.
Na realidade não é muito diferente do que se vê num filme pornô caseiro, mas pincelado de uma forma que gere interpretações, como do real motivo dessa ligação entre pele e máquina, objeto e carne e por fim prazer e dor. Aliás, o filme é acompanhado a todo o momento por uma trilha sonora eletrônica pesada, inquietante e nem mesmo quando se toca Beethoven num determinado momento isso diminui essa sensação, pois o disco que toca o clássico cria um barulho que incomoda propositalmente. É um filme que incomoda, mas ao mesmo tempo se podem encontrar metáforas nas entrelinhas.
A cena (a mais polêmica da sessão de ontem) entre duas garotas vestidas de meninas e fazendo sexo com um urso de pelúcia, para logo em seguida esse último ser esfaqueado por elas, talvez  seja uma representação da transição, ou morte da inocência, para a vida adulta e estar a par dos desejos que sente em seu interior. Não é fácil é claro tirar uma base de tudo que se vê na tela, principalmente para aqueles que não se identifiquem com todos os atos sexuais imprevisíveis vistos. Portanto é um projeto para ser visto com a mente aberta, ou se chocar perante até onde os desejos da carne podem chegar.
Com inúmeras cenas que mais parecem quadros provocantes, mas em movimento constante, QUEER FICTION nasceu para chocar, mas com o fetiche de querer que a gente seja obrigado a pensar no que vê além da luxuria constante e que incomoda muita gente.  

Leia também: Parte 1, 2, 3, 4, 5 e 6
 
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