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Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 68 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Cine Especial: Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão: Parte 1



Nos dias 22 e 23 de outubro eu estarei participando do curso Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão, criado pelo Cine Um e ministrado pelo escritor e crítico de cinema Rodrigo Gerace. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei relembrar um pouco dos principais filmes do cinema explicito, dos quais não só nos excita como também nos provoca e nos faz pensar. 
 Os Primeiros Anos

Até onde eu sei os primeiros anos do cinema não havia exatamente histórias sendo mostradas na tela, mas sim situações simples sendo vistas nela, que vão desde pessoas sentadas almoçando como também se vestindo. É curioso observar que, mesmo numa época mais conservadora, havia mais liberdade de se fazer inúmeras situações até mesmo constrangedoras na tela. Os primeiros filmes de sexo visto numa tela de cinema, por exemplo, datam mais ou menos nos primeiros anos do nascimento da sétima arte.
Na minha pesquisa eu consegui assistir um dos primeiros filmes de sexo explicito do cinema, cuja data de sua criação ainda é um mistério. Esse vídeo foi postado pelo blog Setaro`s Blog e pode ser conferido clicando aqui. 
 
 A ousadia renasce 

Já nos anos trinta, até metade dos anos sessenta, o cinema (principalmente o americano) vivia de regras rígidas devido à censura. Nos anos 40, por exemplo, era comum ver em filmes americano casais que dormiam em camas separadas e que jamais se poderia filmar o vaso sanitário dando descarga para se ter uma idéia. Foi a partir dos anos sessenta que, gradualmente, a censura começou a perder o fôlego, principalmente porque não sabiam mais vencer a genialidade de certos cineastas como Alfred Hitchcock. 
 Mas foi a partir da bombástica cena final de  Bonnie Clyde (1967) que o cinema perdeu de vez a sua inocência. Em seguida veio 1969, ano que trouxe pérolas como Sem Destino e Perdidos na Noite, obras que, não somente inauguraram por definitivo a "Nova Hollywood", como também seria uma espécie de prelúdio sobre o que viria na década seguinte.    

Laranja Mecânica (1971)
Baseado no livro de Anthony Burgess, de 1962, o filme emprega imagens violentas e perturbadoras que estão relacionadas com a psiquiatria, delinquência juvenil, gangues de jovens, e outros assuntos sociais, políticos e econômicos em uma Grã-Bretanha futurista. O filme consagrou o jovem ator Malcolm McDowell, cujo seu personagem Alex é uma das figuras mais marcantes da sétima arte. Além de cenas fortes de violência vista na tela, o filme possui uma engenhosa cena de sexo explicito, sendo ela apresentada sem cortes, mas exibido de uma forma tão rápida para os nossos olhos que acabou sendo um dos momentos mais imprevisíveis e divertidos vistos na tela.
   
Garganta Profunda (1972)
Se faltava ousadia em caso de sexo nos filmes já citados, o clássico Garganta Profunda veio para mexer com os alicerces da sociedade americana da época. Um dos primeiros filmes pornôs a ter uma trama, desenvolvimento de personagens e valores altos de produção, Garganta Profunda se tornou cult, não apenas alterando a cultura sexual dos Estados Unidos, como chegou a influenciar a política do país na década de 1970, em relação à liberdade sexual, e inspirando o codinome do delator do Caso Watergate. Com um custo de apenas 25 mil dólares, se tornou um dos filmes mais lucrativos da história.Ele estreou em abril de 1972 num cinema da Rua 42, em Manhattan, Nova York, com o tempo arrecadou só nos EUA cerca de 20 milhões de dólares.
A partir daí, o cinema de sexo explicito com tramas se tornou popular durante a década de setenta. Contudo, se havia falta de algo chocante e transgressor, isso tudo veio desse filme abaixo.
Pink Flamingos (1972)
A trama narra a trajetória de Divine, uma drag queen que quer recuperar o título de pessoa mais podreira da região em que vive. Ao mesmo tempo, um casal de doidos que sequestra mulheres, faz um empregado engravidá-las e vende seus filhos…para alimentar um mercado de vendas de drogas na porta de escolas. E os personagens (muito) esquisitos não param por aí. Tem Mama Edie, a mãe de Divine, uma velha que fica num berço e tem um apetite imenso para ovos; Crackers, filho de Divine, que tem um estranho apetite sexual por galinhas; e Cotton, que gosta de ver Crackers se satisfazendo com as galinhas e com toda a mulher que tem o azar de cruzar com o caminho dele.
Até hoje muitos consideram um dos filmes de pior espécie da história, mas que conseguiu ganhar os ares de cult e elementos é o que não faltam, já que o filme é um verdadeiro tapa na cara contra as pessoas que ainda vendiam o politicamente correto dentro dos EUA naquela época. Existe a lenda que o seu cineasta John Waters filmou a trama em apenas dois dias e ao preço de apenas R$ 10 mil dólares. E se a pessoa que assisti consegue assistir a esse filme até o seu final, aguarde para o banquete de fezes canino do qual ninguém consegue escapar de uma sensação de ânsia de vomito.
Já do outro lado do mundo, mais precisamente na Itália...

120 Dias de Sodoma (1975)
Inspirado no conto Os 120 Dias de Sodoma, do Marquês de Sade, o filme é dirigido por Pier Paolo Pasolin,do qual quis fazer uma denúncia do domínio fascista na Itália usando como base esse livro. A história se passa numa mansão, na província de Salò, na Itália, para onde são levados à força 16 jovens; sendo 8 mulheres e 8 homens, a mando de quatro libertários fascistas, que pretendem usá-los como base para as maiores bizarrices sexuais. Logo que chegam à mansão, são lidas as normas da jornada que está para começar. Elas basicamente dizem que os presos devem fazer tudo que for ordenado e quem sair da linha morrerá mais cedo.
O filme é dividido em 3 partes intituladas “O Círculo de Manias”, “O Círculo da Merda” e “O Círculo do Sangue”. Salò é um filme chocante pelas cenas cruéis, mas somente para quem está desacostumado com esse tipo de filme. Se a pessoa assistiu a Pink Flamingos acima, por exemplo, irá encarar esse filme com certo preparo psicológico. Contudo se havia uma proposta de passar uma crítica política isso não há muito no filme, pois ela meio que se perde em inúmeras situações que testam o nosso estômago.
 
Por fim, encerro essa postagem aqui convidando vocês para a próxima, da qual será publicada em breve e que abordará o fato de como o Cinema Explicito estrangeiro afetou a nossa Pornochanchada na época.





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