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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Cine Dica: Em Cartaz: 'O Farol' - No limiar da loucura

Sinopse: Thomas Wake trabalha como guardião de um farol. Ele contrata o jovem Ephraim como ajudante. Com o passar dos dias, o rapaz demonstra uma curiosidade quase incontrolável em relação ao que se passa naquele local.  

Robert Eggers chamou atenção do público e da crítica com o seu filme "A Bruxa" (2015), obra que deu muito o que falar, ao tirar o cinéfilo de sua zona de conforto e fazendo o mesmo testemunhar algo bem imprevisível. O filme transitava entre horror fantástico e psicológico e nos dando assim uma experiência pouco vista dentro do gênero. Eis que então o cineasta repete a dose no filme "O Farol",  fazendo a gente se perguntar sobre o pior que poderá acontecer a seguir, uma vez que o realizador consegue fazer com que não desviemos o nosso olhar.
A trama se passa no início do século XX, onde Thomas Wake (Willem Dafoe), responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.
Os primeiros segundos do filme já nos dão uma dica do que virá a seguir. O filme nos é apresentado com uma tela quadrada, alinhado com uma fotografia em preto e branco suja e sintetizando o clima mórbido que irá impregnar o cenário logo em seguida. Aliás, o cenário em si me lembrou muito o ótimo filme húngaro "Cavalo de Turin" (2011), de Béla Tarr, mas cujo os desdobramentos de ambas as tramas ressoam diferentes uma da outra.
No melhor estilo "pós terror", o filme ganha contornos de horror psicológico, cuja as situações que acontecem na tela podem ser, ou não, frutos de uma mente fragmentada. Com apenas um cenário e dois personagens, o filme vai cada vez se tornando mais claustrofóbico na medida em que a trama avança e tornando a convivência de ambos no mesmo local insuportável. Por alguns momentos, por exemplo, o mistério em torno do farol fica em segundo plano, pois os dois protagonistas se destacam por possuírem personalidades distintas e segredos para serem revelados logo em seguida. Tanto Willem Dafoe como Robert Pattinson estão impressionantes em cena e na medida em que a trama avança seus personagens vão cada vez mais abraçando o limiar da loucura. Robert Pattinson, aliás, nos brinda no que talvez seja a melhor interpretação de sua carreira e provando que a sua participação na franquia "Crepúsculo" foi um mero acidente de percurso. O confronto verbal de ambos em cena é em vários momentos tenso e fazendo do cenário se tornar mais claustrofóbico e degradante para ambas as partes.
Mas assim como ocorreu em clássicos do gênero de horror como, por exemplo, "O Iluminado" (1980), o verdadeiro mostro da trama talvez não se encontre dentro do armário, mas talvez em uma mente humana que transita entre a realidade e a loucura. Claro que o cineasta brinca com a nossa perspectiva com relação ao que acontece na tela, mas também nos dá a possibilidade de tirarmos as nossas próprias conclusões com relação aos desdobramentos da trama. O ato final é corajoso em sua proposta, mas assim como ocorreu em "A Bruxa", irá fazer muitos se perguntarem o que aconteceu dentro da história.
"O Farol" é um filme incomodo, imprevisível e são graças a esses ingredientes que o tornam tão  imperdível. 


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Cine Dicas: Estreias Do Final De Semana (02/01/20)

'Frozen 2'

Sinopse: Quando eram crianças, Elsa e Anna escutaram do pai a história sobre uma floresta encantada, impossível de penetrar. Anos mais tarde, quando adultas, Elsa começa a escutar um chamado deste lugar misterioso.

'O Farol' 

Sinopse: Thomas Wake trabalha como guardião de um farol. Ele contrata o jovem Ephraim como ajudante. Com o passar dos dias, o rapaz demonstra uma curiosidade quase incontrolável em relação ao que se passa naquele local.  

O Caso Richard Jewell 

Sinopse: Nas olimpíadas de 1996, Richard trabalha como voluntário no evento. Ele  encontra uma mochila abandonada embaixo de um banco. Após alertar a polícia local, descobre-se que nela está uma bomba. Ele consegue salvar as pessoas, mas acaba se tornando o principal suspeito. 


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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

NOTA: 'Feliz 2020' - Que derrotemos o fascismo e fortalecendo o nosso cinema e a cultura como um todo



2019 será lembrado como um ano em que o Brasil sofreu com diversos retrocessos em vários setores e com a cultura não poderia ter sido diferente. Escancarando o fato que não entende nada de cultura e cinema brasileiro, o Presidente Bolsonaro cortou recursos, desprezou o nosso cinema e ameaçando até mesmo na extinção da ancine e que da qual, infelizmente, será comandado por um evangélico disposto a censurar tudo por ele. O pior disso é ver o Presidente querer frear os recursos para os realizadores unicamente por acreditar que o Brasil não faz bons filmes.
Isso comprova a sua mentalidade limitada, da qual não busca informação e que, não tenho menor dúvida, pouco se esforça em ler a nossa história cinematográfica. Com relação a isso, deixo essa imagem acima para fortalecer a nossa fonte de conhecimento com relação ao nosso cinema brasileiro. Os críticos de cinema da Abraccine, alinhado com o Canal Brasil, lançou nos últimos anos uma coleção chamada "100 melhores" que fala um pouco sobre a história do nosso cinema brasileiro e destacando as principais obras que entraram para a nossa história. Dizer que o Brasil não sabe fazer filmes não só demonstra uma falta de informação, como também se comprova o seu desden contra o nosso patrimônio cultural.
Que 2020 enfrentemos esse fascismo, para então derrota-lo e fortalecer a nossa sétima arte que merece e sempre merecerá respeito. A gente só perde quando a gente desiste e, ao menos da minha parte, não desistirei de apreciar e defender uma arte que sempre amei.  

Feliz 2020 para todos que nasceram nesse maravilhoso país de "Bacurau" e boas sessões de cinema para todos nós.   


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Cine Especial: Retrospectiva 2019 - Os 10 melhores filmes nacinais do ano

Bacurau

2019 foi o ano em que o cinema brasileiro mostrou a sua força descomunal através de diversos filmes, cujo o teor político e social chamou atenção do público e da crítica. Ao mesmo tempo, infelizmente, o cinema brasileiro sofreu e sofrerá ainda mais nas mãos desse governo fascista que é de Bolsonaro, pois existe a possibilidade de a Ancine ser extinta, ou controlada por um dos seus doutrinadores e inserir a famigerada censura. Cabe a união de intelectuais e do público que apoia e protege a nossa cultura e cujo o nosso cinema brasileiro pertence a ela e a nossa história.
Confira abaixo a lista dos melhores filmes brasileiros do ano. 

1º 'Bacurau' 
"Bacurau" é o melhor filme brasileiro destes últimos anos e que no futuro ele falará muito sobre esses tempos atuais e nebulosos dos quais nós vivemos. Leia mais clicando aqui. 

2º 'Vida Invisível'
"A Vida Invisível" é sobre a força, amor e a vida de duas mulheres contra o machismo e de uma realidade moldada por um conservadorismo hipócrita e venenoso.  Leia mais clicando aqui. 

3º 'Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar'
"Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar", é a síntese do vampirismo do capitalismo e do qual anseia por somente estarmos não despertos. Leia mais clicando aqui. 

4º 'Democracia em Vertigem' 
"Democracia em Vertigem" é um soco no estômago para aqueles que se encontram despertos e que desejam que a história recente do Brasil não seja nada mais do que um terrível pesadelo.  Leia mais clicando aqui. 

5º 'Cidade dos Piratas' 
"A Cidade Dos Piratas" é um dos filmes políticos mais corajosos desse ano, ao retratar um Brasil sendo moldado pelo preconceito, medo, destruição e da incompetência vinda dos poderosos de plantão. Leia mais clicando aqui.     

6º 'Temporada' 
“Temporada” é um dos mais belos filmes desse início de ano do nosso cinema brasileiro.  Leia mais clicando aqui.     

7º 'No Coração do Mundo'
"No Coração do Mundo" traz o melhor do nosso cinema brasileiro e do qual nos dá muito orgulho.  Leia mais clicando aqui. 

8º 'Clube dos Canibais'
"O Clube dos Canibais" fala de um Brasil sendo devorado pelos poderosos e cujo os mesmos estão se devorando uns aos outros.  Leia mais clicando aqui.     

9º  'Inferninho'
"Inferninho" é sobre os excluídos do Brasil atual, mas que sobrevivem em meio aos destroços de sonhos quase inalcançáveis. Leia mais clicando aqui.

10º 'Divino Amor'
 “Divino Amor” é uma pequena obra contestadora e que experimenta contestar sobre o caminho em que o Brasil pode chegar. Leia mais clicando aqui.



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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Cine Especial: Retrospectiva 2019 - Os 10 melhores filmes estrangeiros do ano

Coringa

2019 será lembrado como ano em que muitos filmes caminharam de mãos dadas com os problemas reais que ocorrem pelo mundo e dos quais são dificieis  de serem ignorados. Golpes de estado, capitalismo desenfreado, divisões de classes e o retorno de preconceitos que antes estavam adormecidos. Esse é o século 21 em que nós vivemos e o cinema de qualidade não fica atrás com relação a isso.
Confira abaixo o meu top 10 dos melhores filmes estrangeiros e dos quais vocês podem conferirem as críticas que eu escrevi de cada um deles na época de suas estreias.   

1º 'Coringa'

"Coringa" é a obra mais corajosa de 2019, ao conseguir nos tirar da nossa zona de conforto e fazendo a gente refletir sobre os tempos complexos em que todos nós vivemos. Leia mais clicando aqui.


2º 'Parasita' 

"Parasita" é um dos melhores filmes do ano, ao nos dizer que estamos todos perdidos ao sermos consumidos pelo sistema do capitalismo e fazendo a gente se devorar uns aos outros.  Leia mais clicando aqui. 

3º 'O Irlandês'

"O Irlandês" é uma obra nascida da persistência de um grande cineasta e nós cinéfilos só temos que agradecer por não ter desistido dela.  Leia mais clicando aqui. 

4º 'Era uma Vez em… Hollywood'

 "Era uma Vez em... Hollywood" é um sopro de criatividade vindo de um cinema autoral que Quentin Tarantino nos proporciona e nada melhor do que agora em um momento em que a fábrica de sonhos se encontra viciada. Leia mais clicando aqui. 

5º 'Nós'

"Nós" é um filme que facilmente entrará para história do cinema e que sempre passará por novas releituras ao longo das décadas. Leia mais clicando aqui. 

6º 'Midsommar'

"Midsommar - O Mal Não Espera a Noite" é um verdadeiro soco que  Ari Aster nos dá novamente e a gente só agradece. Leia mais clicando aqui. 

7º '3 Faces'

"3 Faces", não é só um dos melhores filmes de Jafar Panahi, como também simboliza o cinema da resistência do Irã dos últimos trinta anos e do qual retratou o melhor e pior daquele povo. Leia mais clicando aqui. 

8º 'Dor e Glória' 

"Dor e Glória" é Almodóvar em sua essência, onde o próprio se despi-la na tela e revelando para nós a sua real pessoa. Leia mais clicando aqui.  



9º 'Vingadores – Ultimato'

“Vingadores - Ultimato” é um espetáculo cinematográfico até então jamais visto e que fará todos fãs rirem, chorarem, aplaudirem e fazendo todos saírem do cinema com a fé revigorada perante os obstáculos da vida.   Leia mais clicando aqui.  

10º 'História de um Casamento'

"História de um Casamento" é sobre os relacionamentos atuais em frangalhos, mas cujo amor que existia no passado jamais será esquecido.  Leia mais clicando aqui. 


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domingo, 29 de dezembro de 2019

Cine Dica: Cinemateca Capitólio - Recesso e Retorno

O Farol 

A Cinemateca Capitólio deseja a todas e todos um ano novo repleto de grandes filmes, momentos transbordantes e paixões intensas! A programação de filmes será retomada no dia 7 de janeiro com mostras, filmes em cartaz e sessões especiais! A partir de 7 de janeiro, a Cinemateca Capitólio apresenta a mostra 4x Costa-Gavras, com os quatro primeiros longas-metragens do realizador greco-francês Constantin Costa-Gavras, um dos nomes mais importantes do cinema político moderno. A mostra é uma realização da Coordenação de Cinema e Audiovisual de Porto Alegre, em parceria com a Embaixada da França, a Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e o Institut Français.
Na quinta-feira, 9 de janeiro, O Farol, aguardado novo filme do diretor Robert Eggers, entra em cartaz na Cinemateca Capitólio.No dia 10 de janeiro, a primeira edição do Projeto Raros de 2020 apresenta o clássico italiano Buio Omega, dirigido por Joe D’Amato.A Sessão Vagalume exibe nos dias 11 e 12 a animação brasileira Historietas Assombradas, de Victor-Hugo Borges.

GRADE DE HORÁRIOS
7 a 15 de janeiro de 2020

7 de janeiro (terça-feira)
14h – Crime no Carro Dormitório
16h – A Confissão
18h30 – Diante dos Meus Olhos
20h – Z

8 de janeiro (quarta-feira)
14h – Tropa de Choque: Um Homem a Mais
16h – Z
18h30 – Diante dos Meus Olhos
20h – Crime no Carro Dormitório

9 de janeiro (quinta-feira)
14h – A Confissão
16h30 – Tropa de Choque: Um Homem a Mais
18h30 – Diante dos Meus Olhos
20h – O Farol

10 de janeiro (sexta-feira)
14h – Crime no Carro Dormitório
16h – O Farol
18h30 – Diante dos Meus Olhos
20h – Projeto Raros: Buio Omega

11 de janeiro (sábado)
14h – Diante dos Meus Olhos
16h – Sessão Vagalume: Historietas Assombradas
17h30 – Z
20h – O Farol

12 de janeiro (domingo)
14h – Diante dos Meus Olhos
16h – Sessão Vagalume: Historietas Assombradas
17h30 – A Confissão
20h – O Farol

14 de janeiro (terça-feira)
14h – Tropa de Choque: Um Homem a Mais
16h – O Farol
18h30 – Diante dos Meus Olhos
20h – Sessão ACCIRS: Elefante

15 de janeiro (quarta-feira)
14h – Crime no Carro Dormitório
16h – A Confissão
18h30 – Diante dos Meus Olhos
20h – O Farol

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: ‘A Rosa Azul de Novalis’ - Atos e consequências

Sinopse: Marcelo, um dândi de cerca de 40 anos, possui uma memória inigualável. Revive lembranças familiares em sua cabeça e tem recordações de suas vidas passadas. 
Vindos do ótimo de "Lembro Mais dos Corvos", Gustavo e Rodrigo encaram o desafio de trazer uma nova originalidade para um filme e cuja a temática é parecida com a obra anterior deles. Simplificando, é o protagonista e seu cenário, enquanto se abre com o seu realizador. Aqui, há um ar melancólico, mas Marcelo Diorio constroe pontos particulares, que incluem um lado confrontador que nos pega desprevenidos e chegando a quase nos dar um soco. Isso por si só já dá um contorno ao filme em que faz que nos tire da nossa zona de conforto e fazendo com que até mesmo nos provoque e até mesmo  recuar o rosto.
É tudo mais explícito, onde o filme segue adquirindo pontos de contato com o protagonista, um homem que promove o isolamento contra o mundo, sexualmente convulsivo, com muitas memórias familiares e que na maioria delas se tornaram cicatrizes. Sua relação com suas memórias é o lado duro e nos dando a entender que seguem com ele como um todo. Curiosamente, Marcelo não possui vergonha alguma de se abrir, mas sim com o desejo de explicitar cada vez mais.
O cenário, por sua vez, emana o lado degradante, mas com sutileza, onde então se revela aos poucos o passado do protagonista e em uma cena bastante criativa. A história de Marcelo nesse momento se torna algo universal, independentemente de sua opção sexual, pois enxergamos ali uma pessoa marcada por magoas, desafetos e com segredos dentro do armário. Marcelo se torna a carta dentro do baralho para os realizadores desse filme, ao sintetizar um público sufocado cada vez mais por esses tempos de conservadorismo hipócrita e cheio de falsas promessas0.
Embora com excesso de cenas de sexo, elas criam um mosaico que o filme propõe desde o princípio. "A Rosa Azul de Novalis" é um projeto inquietante, mas sendo uma resposta contra esses tempos em que o indivíduo se sente sufocado por esse conservadorismo hipócrita e  intolerante.    


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