Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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MOSTRA NA SALA P. F. GASTAL
HOMENAGEIA ODETE LARA, UMA DAS GRANDES ATRIZES DO CINEMA
BRASILEIRO
A Sala P. F. Gastal da Usina do
Gasômetro (3º andar) dedica a partir de terça-feira, 26 de março, uma pequena
mostra em homenagem a Odete Lara, uma das mais importantes atrizes do cinema
brasileiro. A mostra reúne quatro títulos, que estão entre os principais
momentos da filmografia da atriz: Absolutamente Certo, de Anselmo Duarte,
Bonitinha, mas Ordinária, de J. P. de Carvalho, Copacabana me Engana, de
Antônio Carlos da Fontoura, e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.
Nascida em São Paulo, em 1928,
Odete Lara teve uma infância e uma adolescência difíceis (tanto sua mãe quanto
seu pai se suicidaram, deixando-a sozinha, pois era filha única). Desde cedo
chamou a atenção por sua beleza, o que lhe valeu o convite para trabalhar como
manequim. Logo começa a atuar no teatro, no elenco do célebre TBC. A passagem
para o cinema se dará naturalmente. Seu primeiro filme será a comédia O Gato de
Madame, de 1956, ao lado do cômico Mazzaroppi. Após atuar em várias chanchadas,
que exploravam sobretudo a sua beleza, o momento de virada acontecerá com Noite
Vazia (1964), de Walter Hugo Khouri, no qual comprova seu talento dramático. A
partir daí, se torna uma das atrizes mais requisitadas do cinema brasileiro,
atuando sob a direção de nomes como Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha,
Antônio Carlos da Fontoura, Cacá Diegues e Bruno Barreto, entre outros. Na
metade da década de 70, decide abandonar a carreira artística, e passa a se
dedicar ao budismo.
A mostra dedicada a Odete Lara tem o
apoio da Programadora Brasil, projeto do Ministério da Cultura destinado à
difusão do cinema brasileiro, e pode ser conferida em três sessões diárias, às
15h, 17h e 19h.
Mais
informações e horários das sessões, vocês conferem na pagina da sala clicando aqui.
Nos dias 26 e 28/Março; 02 e
03/Abril, estarei participando do curso "O que é um Documentário?",
criado pelo Cena Um e ministrado pelo jornalista Rafael Valles. Enquanto os
dias da atividade não chegam, por aqui, estarei postando sobre últimos
documentários nacionais e internacionais que eu assisti nos últimos anos.
5x Pacificação
Sinopse: Para contar a história das
UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas do Rio de um modo diferente
do que se vê nos noticiários, os produtores Cacá Diegues e Renata de Almeida
Magalhães abraçaram o projeto de quatro diretores de "5x Favela -- agora
por nós mesmos", para que as UPPs fossem examinadas de dentro, do ponto de
vista dos que moram nas comunidades.
Num determinado momento do clássico
Matar ou Morrer, a personagem de Grace Kelly pergunta para o dono de um hotel,
porque ele não gosta do marido dela, que é o xerife local da cidade (Gary
Cooper)? A resposta é mórbida, pois o dono do estabelecimento respondeu que
ganhava muito mais na cidade, quando não havia o xerife Cooper e quando a
bandidagem controlava as redondezas. Essa cena me veio à mente imediatamente ao
assistir esse documentário, quando um dono de um bar na favela do alemão, disse
que ganhava bem mais, quando os bandidos e o universo do trafico dominavam
aquela região, até é claro a chegada da invasão da policia e do UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).
Os produtores Cacá Diegues e Renata
de Almeida Magalhães decidiram destrinchar esse novo universo apresentado na favela,
entrevistando tanto pessoas satisfeitas com essa nova situação, como também
aquelas que estavam a anos acostumados com aquela realidade em que a
criminalidade dominava o território. Se por um momento ficamos chocados por declarações
de pessoas que preferem como era antes, por outro devemos compreender que
aquele mundo em que eles viviam já durava há anos e sempre um mundo novo é difícil
de acostumar num primeiro momento. Principalmente com suas novas regras
impostas pela lei, que para o bem ou para o mal, será algo para o bem
futuramente para os dois lados da mesma moeda.
Embora o documentário foque ao máximo
todo o lado positivo dessa pacificação, por outro fica a sensação no ar, que
sempre a qualquer momento pode tudo voltar como era antes. Mas é claro que isso
somente irá acontecer se caso a boa vontade e determinação dos mesmos que criaram
essa pacificação, venha a desaparecer conforme o tempo passe.
CineBancários estreia longa nacional
com trama sobre violência urbana
O CineBancários lança com
exclusividade a partir de 26 de março o longa nacional Disparos, de Juliana
Reis, tenso drama sobre violência urbana, valorizado por seu excelente elenco e
pela fotografia de Gustavo Hadba, um dos mais competentes profissionais da área
no cinema brasileiro.
A trama de Disparos, inspirada em
fatos reais, mostra o envolvimento de um fotógrafo (Gustavo Machado) em um caso
de violência pela cidade ao ser assaltado por motoqueiros, que são atropelados
por um carro não identificado. Após recuperar sua câmera, ele percebe que
precisa voltar ao local para encontrar o seu cartão de memória. Questionado por
um policial (Sílvio Guindane), ele é acusado do crime por omissão de socorro e,
consequentemente, é levado a uma delegacia. Lá precisa lidar com Freire (Caco
Ciocler) e Gomes (Thelmo Fernandes), que não estão dispostos a facilitar a
situação para ele.
A diretora
Juliana Reis, estreante no formato longa-metragem, consegue construir uma trama
que evita o velho clichê dos mocinhos contra bandidos, criando uma tensa
narrativa sobre um embate moral. De um lado, o fotógrafo arrogante que foi
vítima de assalto. Do outro, o policial que prolonga a investigação ao máximo
como resposta à postura superior do primeiro. É a partir deste conflito, sem
uma única bala ser disparada – o título é uma referência ao disparo das
máquinas fotográficas e também uma ironia em relação ao tema principal –, que o
longa-metragem é apresentado. Disparos revela uma direção segura, que ma ntém a
atenção do espectador desde o início. Também chama a atenção do espectador a
habilidade da diretora em tirar bons desempenhos de seu elenco, formado por atores
de talento comprovado, como Gustavo Machado, Caco Ciocler e Sílvio Guindane.
Mais informações e horários das sessões, vocês conferem na pagina da sala clicando aqui.
Sinopse: Na
Rússia de 1874, Anna Karenina (Keira Knightley), jovem aristocrata casada com
Karenin (Jude Law), um alto funcionário do governo, envolve-se com o Conde
Vronsky (Aaron Taylor-Johnson), oficial da cavalaria filho da Condessa Vronsky
(Olivia Williams), chocando a alta sociedade de São Petersburgo.
Embora o
cinema e o teatro sejam artes de entretenimento distintas, ambas possuem atores
e atrizes que atuam em historias fictícias. Existem casos da união dessas duas
artes, mas nenhuma me surpreendeu mais do que essa: a mais nova versão do clássico
de Leon Tolstoi. Dirigido com empenho pelo cineasta Joe Wright (Orgulho e
Preconceito), boa parte da trama se desenrola em um palco, onde elenco entra e
sai de acordo com a mudança de cenário, que quando ocorre não existe cortes e
simplesmente as coisas transcorrem com total normalidade, sendo que os atores
prosseguem com suas interpretações sem mais nem menos. Se num primeiro momento
isso possa parecer um tanto estranho, á formula nos fisga rapidamente, tornando
o ritmo da trama dinâmico e muito bem orquestrado. Talvez essa forma de contar
essa trama, seja uma espécie de representação da forma que vivia a sociedade aristocracia
russa daquele período, em que as aparências (aparentemente) politicamente
corretas, eram uma forma de representação dos bons costumes que as pessoas
criavam umas com as outras, para então sempre se manterem na mesma roda.
Claro que
tudo isso muda, quando Anna Karenina (Keira Knightley, competente) começa a ter
um caso com o jovem Vronsky (Aaron Taylor – Johnson) e chega ao ponto de
abandonar o próprio marido Karenin (Jude Law, espetacular) e filho. Diferente
da versão clássica estrelada por Greta Garbo, aqui a personagem, pode até ser
um tanto ambígua, mas não vitima, sendo que ela não mede esforços para manter
essa relação, ao ponto de perder a boa aparência que tinha perante a sociedade
russa. Outro ponto a favor dessa versão
é terem tornado os personagens masculinos mais humanos, onde não escondem as
suas falhas e fraquezas perante a uma situação que foge de seu controle.
Vale lembrar,
que as versões anteriores sempre sofriam uma readaptação quando a obra era
levada as telas, devido a sua longa trama. Mas aqui, Joe Wright foi abiu ao
inserir uma sub-trama de um romance mais suave: do fazendeiro Levin (Domhnaill
Gleeson), que não deseja fazer parte desse universo de aparências, com a
personagem Kitty (Alicia Vikander). Se esse pequeno romance pode-se esperar um
final feliz, o mesmo não se pode dizer do triangulo amoroso da trama principal,
sendo que as escolhas e conseqüências de ambos os personagem levam há um
caminho sem volta. Vitimas das aparências impostas pela sociedade? Ou vitimas
de seus atos impulsivos? Cada um que assiste tira suas próprias conclusões!
Nos dias 26 e 28/Março; 02 e
03/Abril, estarei participando do curso "O que é um Documentário?",
criado pelo Cena Um e ministrado pelo jornalista Rafael Valles. Enquanto os
dias da atividade não chegam, por aqui, estarei postando sobre últimos documentários
nacionais e internacionais que eu assisti nos últimos anos.
VOU RIFAR MEU CORAÇÃO
Sinopse: Assinado por Ana Rieper, o
documentário Vou Rifar Meu Coração utiliza a obra dos principais nomes da
música popular romântica - também conhecida como música brega - para falar
sobre o imaginário romântico, erótico e afetivo do brasileiro.
O grande acerto desse documentário
de Ana Rieper, foi ter escolhido as pessoas certas, acertar no tom das
declarações dessas pessoas que vai do bem humorado ao mais puro desabafo. O
documentário tem inicio focando as origens da musica brega, mais precisamente
sobre os cantores e suas motivações que os levaram a cantar esses tipos de
musicas. De todos os entrevistados, Vando é o que mais não se intimida em
explicar, sobre as origens de suas musicas de sucesso, sendo que elas estão ligadas
a sua vida amorosa do passado, que de uma forma ou de outra acaba em amor não
correspondido ou traição.
Alias, Vando é de um grupo de
geração de cantores, que decidiram não somente criar musica que contavam suas
vidas amorosas, como também era uma forma de laçar o publico em geral que iria
se identificar com elas. Mesmo reconhecendo que a musica não é aquelas coisas
ou simplesmente brega, as pessoas entrevistadas reconhecem que se vêem em
varias letras famosas e não tendo nenhum tipo de vergonha de ter ouvido e
chorado junto com elas. O grande acerto da cineasta foi fazer a transição sobre
as origens da musica brega, para focar os depoimentos de pessoas, cuja suas
vidas poderiam gerar outras melodias semelhantes, através de suas historias de
corações partidos e de uma grande bagagem para contar. O que vemos na tela, são
pessoas humildes, humanas, sem papas na língua e não tendo nada para esconder.
A sorte da diretora, foi ter pegado como exemplo, o depoimento do ex prefeito
Osmar, que mesmo tendo tido uma relação fora do casamento durante 33 anos, e
ter gerado filhos e netos do outro lado, ele ainda tenha a capacidade de chamar
a outra nesta altura do campeonato de amante e focar a esposa como a sua
prioridade.
O que
vemos, é a declaração de um ser humano reconhecendo os seus erros, que não
deseja que outros façam o mesmo e que sente no fundo o sofrimento das suas
mulheres que surgem na tela com as marcas das dores do passado que ainda as
assombram. São momentos como esse e outros, que o publico em geral se vê na
tela, compreendendo as pessoas que surgem, com seus erros e acertos e sem poder
julgá-las se estão certas ou erradas. Pois no final das contas, há de todos nos
cometermos erros semelhantes, mesmo quando não admitimos abertamente para
outras pessoas. Para um documentário, cujo ponto de partida era descobrir as
origens das musicas bregas, a proposta foi muito mais longe do que se poderia
imaginar, e nos meros mortais com nossos inúmeros erros e defeitos, temos mais
do que agradecer.
Sinopse: Quando
Oscar Diggs (James Franco), um inexpressivo mágico de circo de ética duvidosa é
afastado da poeirenta Kansas e acaba na vibrante Terra de Oz, ele acha que
tirou a sorte grande, até encontrar três feiticeiras, Theodora (Mila Kunis),
Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams), que não estão convencidas
de que ele é o grande mágico que todos estão esperando. Relutantemente
envolvido nos problemas épicos que a Terra de Oz e seus habitantes enfrentam,
Oscar precisa descobrir quem é bom e quem é mau antes que seja tarde demais.
Revisitar
um clássico sempre pode se tornar uma grande armadilha, principalmente um clássico
de magnitudes que valem ouro como O Mágico de Oz. A produção de 1939 esta entre
os melhores representantes, daquela que muitos consideram a era de ouro do
cinema, mas coube a Disney entrar nesse desafio de revisitar aquele universo,
mas respeitar a sua essência. Claro que muito disso se deve da nova onda de
filmes de contos de fadas que andam fazendo sucesso atualmente, sendo que a própria
casa do Mickey tem um grande sucesso recente desse gênero no currículo (Alice
no País das Maravilhas).
Baseado nos
primeiros contos de sucesso de L. Frank
Baum, o filme mostra as aventuras do mágico de araque Oz (James Franco) e o que
levou a ser o grande mágico e rei das cidades das Esmeraldas daquele mágico lugar.
Já no inicio, o filme presta uma bela homenagem ao clássico de 1939, sendo que
os primeiros minutos que mostram o personagem fazendo suas mágicas, tudo é
apresentado numa bela fotografia em preto e branco e com a tela reduzida,
representando muito bem como os filmes eram apresentados naquele tempo. Quando Oz
cai nesse mundo mágico, a cor finalmente aparece e a tela se estica, apresentando
belas imagens coloridas que salta os olhos.
Até esse ponto,
sentimos um pouco o lado autoral do diretor Sam Raimi (Uma Noite Alucinante),
mas não espere as tão famosas marcas registradas do diretor (como a câmera vertiginosa),
sendo que não é uma produção dele, mas sim de um grande estúdio que almeja
ganhar um grande lucro com a produção. Se a intenção é essa, pelo menos
capricharam em inúmeros momentos do projeto, no qual pode agradar tanto os
adultos como as crianças. Muito embora não seja um filme que se pode exigir
muito da interpretação do elenco, principalmente do seu protagonista: James Franco
como Oz, por alguns momentos da entender que os produtores erraram feio na sua
escolha, pois em muitos momentos sua atuação é exagerada, para não dizer
caricata. Mas acredito que isso talvez tenha sido intencional, pois a todo o
momento Oz interpreta algo que não é, mas que aos poucos terá que escolher um
caminho, de ser um altruísta, ou falsário até o fim.
Mas se o
protagonista desaponta pelo menos os coadjuvantes que o seguem roubam a cena,
como a garota de porcelana (Joey King) e o macaco Finley (Zach Braff) que se
tornam a parte cômica e emocional do filme. Já o trio de bruxas é de altos e
baixos: por mais elegante que esteja Rachel Weisz parece mais estar no piloto automático,
interpretando a bruxa malvada Evanora, grande arquiteta do golpe de estado na
cidade das Esmeraldas. Já Mila Kunis oscila
numa interpretação perfeita, para caricata, ao interpretar Theodora, a tão
famosa bruxa verde do clássico de 1939, sendo que nos primeiros minutos em que
ela é apresentada, fica até meio difícil de acreditar que a personagem se
tornaria a clássica bruxa. Mas quando acontece isso, o lado caricato da
personagem surge, mas somente para se casar perfeitamente com aquela imagem da bruxa que nos foi apresentado na década de 30. Já Michelle Williams está
perfeita no papel de Glinda, uma moça cheia de doçura e bondade, que serve como
contraponto para as armações de Oz.
Com começo,
meio e fim bem previsíveis, embora redondinhos, OZ, O Mágico e Poderoso é diversão garantida
para toda a família e ao mesmo tempo pura nostalgia, para aqueles cinéfilos que
tanto respeitaram o grande clássico da era de ouro do cinema.
NOTA: Por
ser um filme dirigido por Sam Raimi, era mais do que lógico que o seu amigo de
longa data Bruce Campell (o Ash da trilogia Uma Noite Alucinante) estaria no
elenco. Mas ele está todo maquiado e quase irreconhecível, portanto boa sorte para
aqueles que descobrirem onde ele está.