Sinopse: Paris, 1959. Um realizador desconhecido, um produtor aventureiro, um orçamento irrisório, uma equipa minúscula, e o projeto louco de rodar um primeiro filme em 20 dias com um embrião de roteiro sobre um marginal em fuga e a sua namorada.
Richard Linklater é um dos poucos diretores norte americanos que procura nos dizer algo independente de qual gênero. Se por um lado ele cria uma bela história de amor de sua trilogia pessoal a partir do filme "Antes do Amanhecer" (1995), por outro lado, ele surpreende em projetos que ele nos força a querer pensar como foi no caso de "Waking Life" (2001). "Nouvelle Vague" (2025) se encaixa perfeitamente com o que ele realizou em sua carreira, ao fazer a reconstituição das filmagens de um dos filmes mais importantes da história e que com certeza influenciou o seu modo de filmar no decorrer de sua carreira.
Na trama, acompanhamos os bastidores das filmagens de "Acossado" (1960) e que acabou se tornando um dos pilares do movimento Nouvelle Vague. Dirigido por Jean-Luc Godard, o até então crítico de cinema decide reunir amigos próximos da profissão para dirigir o seu primeiro longa-metragem, Porém, o desafio é grande já que o orçamento é apertado e tendo que ser rodado em apenas vinte dias.
Richard Linklater capricha ao fazer com que retornemos para Paris do final dos anos cinquenta e termos uma noção de uma metamorfose em que aquela sociedade estava passando e da qual poderia ser retratado no cinema. Jean Luc enxergava isso e queria criar algo que fugisse do convencional daqueles tempos. Quando assistiu ao filme "Os Incompreendidos" (1959), do seu amigo François Truffaut, foi então que ele sentiu o estalo.
Isso é muito bem retratado no primeiro ato do longa, onde Richard Linklater surpreende, não somente na reconstituição da época, como também em sua bela fotografia em preto e branco e na caracterização dos atores que está incrível. Guillaume Marbeck como Jean-Luc Godard surpreende, sendo que em nenhum momento ele tira os óculos escuros e que eram a marca registrada do realizador. O intérprete, por sua vez, nos espanta até mesmo ao saber transmitir todo o lado excêntrico, porém, genial do realizador que foi contra tudo o que estava acontecendo no ramo cinematográfico francês daqueles tempos.
Assim como foi em sua filmografia, Richard Linklater nos passa a impressão que "Acossado" foi um pouco de sua pessoa, ao colocar em prática um lado perfeccionista, mas que tem muito a dizer mesmo com as suas limitações. Portanto, todas as cenas me passaram a impressão que foram feitas com carinho e respeito ao clássico, ao fato que nos dá a impressão que estamos diante dos verdadeiros intérpretes que foram trabalhar em um projeto que parecia fadado ao fracasso. Se Aubry Dullin é a representação perfeita de Jean-Paul Belmondo, por outro lado, Zoey Deutch é a encarnação perfeita da inesquecível atriz Jean Seberg e que havia se tornado a musa daquele movimento cinematográfico.
Por conta disso, o filme de Richard Linklater é uma experiência deliciosa para os cinéfilos de plantão, mas que também agradará o público em geral, pois ele possui um humor refinado e bem convidativo. Não é sempre que assistimos a reconstituição de uma obra prima e neste caso o filme obtém o feito e com grande êxito. "Nouvelle Vague" não é somente uma carta de amor com relação ao clássico "Acossado", como também uma celebração à sétima arte como um todo.
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