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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Hamnet: A Vida Antes de Hamlet'

Sinopse: William Shakespeare e a sua esposa, Agnes, celebram o nascimento do seu filho, Hamnet. No entanto, quando a tragédia atinge e Hamnet morre ainda jovem, isso inspirou Shakespeare a escrever a sua obra-prima intemporal, Hamlet.

Em pouco tempo Chloé Zhao obteve um Oscar na prateleira de melhor direção pelo belo "Nomadland" (2020). A vitória foi o suficiente para ela embarcar em sua primeira produção de grande orçamento, "Eternos" (2021), sendo que o tempo passa e cada vez fica mais claro que é um dos filmes mais injustiçados do MCU. Eis então que a realizadora dá novamente a volta por cima através de "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" (2025). filme que explora as raízes da obra prima "Hamlet" de Shakespeare e cujo resultado acaba sendo surpreendente.

Na trama, conhecemos a origem da relação entre  Shakespeare  (Paul Mescal) e Agnes (Jessie Buckley). O que começa com uma espécie de conto de fadas logo começa a obter contornos sombrios quando o filho do casal, Hamnet (Jacbob Jupe) acaba falecendo devido a peste bubônica. A tragédia faz com que a família quase entre em declínio, mas Shakespeare usa dessa dor para obter a sua redenção.

Baseado no livro de Maggie O'Farrell, o filme transita tanto para fatos históricos, como também fictícios, já que ninguém obteve algo mais esclarecedor sobre a vida pessoal que o escritor teve com a sua esposa Agnes. Era fato, por exemplo, que o filho havia perecido devido aos tempos da peste, sendo que essa passagem dolorida do artista já havia sido explorada até mesmo pelo escritor Neil Gaiman quando criou as origens de "Sonhos de Uma Noite de Verão" para sua saga "Sandman". Aqui, porém, Chloé Zhao opta por algo mais verossímil com relação aos fatos, mas ao mesmo tempo explorando o lado fantástico que Shakespeare sempre prezava em seus contos.

Em todo o filme há um cuidado primoroso com relação a reconstituição de época, assim como também uma bela fotografia que sintetiza um clima de mistério lirico e que nos enche os olhos. O visual se casa com a personalidade de Agnes, uma mulher que vive através dos mistérios da natureza e sendo até mesmo vista como uma espécie de Bruxa para as demais pessoas. Porém, esse lado cheio de mistérios é o que atrai o até então jovem  Shakespeare e nascendo assim um relacionamento improvável, mas curioso para dizer o mínimo.  Paul Mescal e Jessie Buckley possuem uma química perfeita em cena, onde os seus respectivos personagens compartilham um para outro as suas visões distintas com relação ao mesmo mundo em que estão vivendo.

Mas o filme pertence realmente a Jessie Buckley, onde ela constrói para si uma Agnes de camadas complexas, mas que nos atrai pelo seu olhar a partir da forma que ela enxerga o mundo em que vive. Além disso, o seu olhar vai mais além, ao ponto de realmente ter uma noção sobre o significado da vida e da morte e tendo uma dimensão maior quando se entrega à dor devido a perda do seu filho. A cena, aliás, está entre os momentos mais angustiantes que eu presenciei no cinema recente e isso graças a sua atuação impecável, assim como também ao ótimo desempenho do pequeno ator Jacbob Jupe.

Curiosamente, Chloé Zhao não tem pressa na construção de sua narrativa, sendo que o primeiro ato pode até soar mais lento. Porém, a partir do momento que Shakespeare decide abraçar a sua escrita e o teatro é então que o filme se encaminha para momentos tortuosos que os personagens irão enfrentar e fazendo com isso prenda a nossa atenção até o fim. Tudo se torna ainda mais recompensador quando chega o terceiro ato da trama.

Se em "Shakespeare Apaixonado" (1998) é baseado na teoria que o escritor criou o seu clássico "Romeu e Julieta" através de uma relação proibida em que havia se envolvido, aqui as origens "Hamlet"  é através da morte do seu filho que ele buscou inspiração para um dos seus maiores contos. Porém, talvez não tenha sido uma forma para ele obter sucesso, mas sim meio para aliviar a sua dor e obter a chance de se despedir do seu filho que não obteve no passado. A peça apresentada no ato final não é somente um dos melhores momentos do filme como um todo, como também reforça a estupenda atuação de Jessie Buckley em cena e merecendo todos os prêmios que ela for indicada.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um dos melhores e mais emocionantes filmes que eu testemunhei neste início de ano e cujo seu ato final irá marcar a todos que forem apreciá-lo.  

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