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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Wanda'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 29/03/26

"Wanda" (1970), o único longa-metragem escrito e dirigido por Barbara Loden, que também estrela como a personagem-título, é um filme fácil de assistir. Um retrato de uma vida esvaziada da capacidade de encontrar significado e prazer, a personagem titular de Wanda vagueia sem direção, acabando por se envolvendo com um ladrão de bancos insignificante e tornando-se sua cúmplice passiva. Mas este não é um thriller policial no estilo de "Bonnie e Clyde" (1967); não há ganchos de gênero, nem referências explícitas a outros filmes ou obras de arte. A referência mais próxima talvez seja o cinema independente pioneiro de John Cassavetes. Comparações com Badlands, de Malick, ou outros filmes de "fuga" como o já mencionado "Bonnie e Clyde" do início da Nova Hollywood se mostram um tanto deficientes ou inúteis. "Wanda" não é simplesmente o oposto de Hollywood. Não se posiciona conscientemente contra a máquina dos sonhos, mas parece existir em um plano completamente diferente.

"Wanda" é uma imersão no espaço mental existencial da personagem-título, para quem a vida deixou de ter propósito — em seus papéis como mãe ou esposa, em sua vida nacional ou cívica. O filme começa com Wanda, apresentada inicialmente dormindo em um sofá e, em seguida, caminhando lentamente até o tribunal em meio à enorme indústria de carvão que circunda o bairro. No tribunal, ela casualmente entrega a guarda de seus dois filhos pequenos ao marido, concedendo-lhe o divórcio. Posteriormente, sem conseguir encontrar emprego, Wanda se envolve com uma série de homens que conhece em bares, eventualmente se apegando ao "Sr. Dennis" (Michael Higgins), quando o confunde com um barman durante um assalto a um bar.

Como um registro da desolação americana, "Wanda" é um filme único. Em seu registro de imagens e sons e filmagens granuladas em 16mm, parece uma caminhada por um registro dos fracassos da contracultura pós-anos 60 e dos primórdios do declínio industrial americano. Sequências memoráveis, pelo menos no que diz respeito a conferir ao filme seu senso único de tempo e lugar, ocorrem em um shopping center, antecipando o consumismo zumbi tedioso de Dawn of the Dead, de Romero (outra história ambientada na Pensilvânia), e outra no "parque temático" cristão evangélico de baixo orçamento do pai do Sr. Dennis. O filme termina após um assalto mal sucedido, com Wanda sem encontrar resolução para sua crise existencial e talvez à beira de se perder para sempre.

"Wanda" é única — e este é o aspecto sobre o qual você mais lê — por ser feita por uma mulher, escrevendo, dirigindo e estrelando. Essas histórias de mal-estar e perda existencial são geralmente totalmente masculinas e, por esse motivo, "Wanda" ressoa como um documento importante simplesmente por conceder a uma mulher essa atenção central. Mas não é apenas a mesma velha história com uma mulher como protagonista. Eu não conseguiria imaginar a mesma história estrelada por um homem. O filme questiona as expectativas da feminilidade americana de meados do século XX, questionando como deveria ser a relação da mulher com sua família e sociedade, ao mesmo tempo que mostra como a associação entre passividade e feminilidade pode desafiar, em vez de afirmar, as expectativas existentes. 


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