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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Franz'

 Nota: Filme exibido para os associados no dia 30/08/26

Sinopse: O filme acompanha Franz Kafka em diferentes momentos de sua vida, da infância aos anos de maturidade, abordando seus conflitos familiares, relacionamentos e o trabalho burocrático que dividia espaço com sua verdadeira vocação literária.

Franz Kafka foi um dos maiores gênios da literatura mundial, cujo reconhecimento pleno só veio após sua morte precoce. Entender as raízes de sua obra exige uma análise profunda — mesmo que, por vezes, até os estudos mais dedicados arranhem apenas a superfície. "Franz" (2025) opta por uma abordagem que se envereda para o lado humano do escritor, oferecendo uma clara noção de suas motivações ao conceber determinadas histórias.

Dirigida por Agnieszka Holland, a trama acompanha Kafka desde a infância em Praga até sua morte na Áustria, no período pós-Primeira Guerra Mundial. Testemunhamos seus primeiros passos na escrita, a difícil relação com o pai — que exigia sua dedicação ao escritório de seguros —, o início da amizade com seu editor Max Brod e os complexos relacionamentos amorosos com Felice Bauer e Milena Jesenská. Aos poucos, fica claro para aqueles ao seu redor que ninguém é capaz de controlá-lo.

Holland constrói uma linha narrativa peculiar, em que passado, presente e futuro se cruzam sem prévio aviso, exigindo atenção constante do espectador. Acompanhamos a infância dura do protagonista e seu amadurecimento ao colocar em prática o que verdadeiramente anseia, mesmo quando vai contra as expectativas paternas. Nesse aspecto, cabe destacar a atuação de Peter Kurth, que constrói uma figura paternal autoritária, mas de forma surpreendente, revelando uma dinâmica entre pai e filho muito mais complexa do que se poderia imaginar.

Além disso, a cineasta surpreende ao colocar o protagonista diante do próprio futuro: vemos Kafka observar pessoas do século XXI contemplando seu legado em um museu. Em minha leitura, Holland cria um paralelo com a forma como o escritor enxergava o mundo — através de seus textos, é possível vislumbrar suas expectativas em relação ao futuro, quase nenhuma delas agradável. Embora obstinado em seguir seu destino, é inegável que ele não via com bons olhos o amanhã que se avizinhava, especialmente com a ascensão nazista a partir de 1933.

Curiosamente, os personagens próximos a Franz quebram a quarta parede para relatar, sob suas próprias perspectivas, as ações do escritor e seus passos seguintes, à medida que ele frustrava as expectativas de todos. Embora seja um recurso bastante explorado no cinema recente, aqui ele cumpre a função de dar ritmo à narrativa, ainda que pontualmente passe a sensação de que algumas passagens poderiam ser dispensadas. Nesse apuro técnico guiado pela direção, Idan Weiss busca construir um Kafka próprio, alinhado à proposta autoral da cineasta.

Talvez o filme desaponte apenas os leitores mais fervorosos do autor, já que seus livros não ganham um aprofundamento direto, ficando em segundo plano ao longo do longa. Há de se notar, contudo, que boa parte de suas criações se deu em um momento no qual a humanidade se desgastava com os impactos da Primeira Guerra e já se desenhava para um segundo conflito ainda mais devastador. Mesmo partindo antes dessa tragédia, Kafka parecia antever o que viria pela frente, inserindo em suas páginas não apenas fragmentos de si mesmo, mas também a trilha fraturada de toda uma geração — que as seguintes tentariam compreender por meio de seus livros e em museus de história.

"Franz" é poderoso em sua proposta, ainda que corra o risco de ser visto como aquém do esperado por quem busca uma transposição direta de seu grandioso legado literário.

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Cine Dica: “Olhares alemães” apresenta novos e consagrados diretores do cinema de língua alemã

Entre os dias 31 de agosto e 10 de setembro, a Sala Redenção, em parceria com o Goethe-Institut Porto Alegre, apresenta a mostra “Olhares alemães”. Com entrada franca e aberta à comunidade em geral, a programação reúne sete longas-metragens recentes de diretores consagrados e de nomes em ascensão no mundo cinematográfico.

A programação tem início no dia 31, segunda-feira, às 16h, com “Sissi e eu” (2023), segundo filme de Frauke Finsterwalder. A produção atualiza a história da rainha Sissi da Áustria por meio de uma narrativa de amor sáfico. Às 19h do mesmo dia, é a vez de “Undine” (2020), de Christian Petzold, um dos expoentes do movimento cinematográfico contemporâneo conhecido como Escola de Berlim. Na trama – que rendeu o Urso de Prata de Melhor Atriz para Paula Beer –, uma guia do Museu de Berlim e um mergulhador criam um vínculo intenso ao passo que ela enfrenta um antigo romance difícil de superar.

Outro destaque da mostra é “Paris calligrammes” (2020), da diretora Ulrike Ottinger – uma das principais vozes da vanguarda e do Novo Cinema Alemão dos anos 1970. O documentário é um poema audiovisual que tem Paris como protagonista. Em pouco mais de duas horas, a cineasta rememora a época em que morou na cidade, na década de 1960.

Em homenagem a Alexander Kluge, conceituado diretor, crítico social e escritor que faleceu em março deste ano, aos 94 anos, a Sala Redenção apresenta “Happy Lamento” (2018) em sessão única no dia 3, quinta-feira, às 16h. O documentário musical, concebido por Alexander junto ao filipino Khavn de la Cruz, é uma miscelânea inusitada de elementos aparentemente distantes: elefantes elétricos, artistas circenses, Elvis Presley, King Kong e luas azuis.

A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. A mostra “Olhares alemães” tem apoio do Goethe-Institut Porto Alegre.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

domingo, 30 de agosto de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – 'Viver'

Sinopse: Um funcionário público de Londres tem dificuldade para manter a ordem sob montanhas de trabalho burocrático. Sobrecarregado e solitário em casa, sua vida se torna um drama quando um diagnóstico médico indica que ele tem pouco tempo de vida.  

Akira Kurosawa foi um dos maiores gênios do cinema japonês, mas construiu sua carreira dialogando não apenas com a cultura de seu país. O clássico "Viver" (1952), por exemplo, é inspirado na novela russa "A Morte de Ivan Ilitch", escrita por Liev Tolstói em 1886. O que Kurosawa fez foi transpor a trama para o Japão do pós-guerra, que ainda buscava recuperar sua autoestima.

Mas, se Kurosawa buscava inspiração em outras culturas, seus próprios longas-metragens serviram de modelo para o Ocidente. Se "A Fortaleza Escondida" (1958) inspirou o nascimento de dois personagens clássicos da franquia "Star Wars" (iniciada em 1977), por outro lado, "Os Sete Samurais" (1954) ganhou sua refilmagem norte-americana no faroeste "Sete Homens e Um Destino" (1960). "Viver" (2022) é uma adaptação britânica do clássico japonês que, ao beber muito de sua fonte original, permite ao público atual conhecer essa história tocante.

Dirigido por Oliver Hermanus, o filme acompanha Williams (Bill Nighy), um funcionário público veterano de uma repartição burocrática encarregada da reconstrução da Grã-Bretanha após a Segunda Guerra Mundial. Williams empurra papelada em um escritório do governo até o dia em que é diagnosticado com uma doença fatal. Viúvo, ele esconde a condição de seu filho adulto, passa uma noite de devassidão na companhia de um escritor boêmio e passa a evitar o trabalho. Porém, uma ex-colega de trabalho animada, Margaret, o inspira a encontrar significado em seus dias restantes.

Assim como o clássico de Kurosawa, o filme retoma o conto russo transposto para uma Londres do pós-guerra. A escolha funciona muito bem, já que a trama retrata não apenas um protagonista em crise, mas uma sociedade londrina ainda em recuperação de um conflito mundial devastador. Além disso, Oliver Hermanus acerta ao não atualizar a história para os dias atuais, preservando uma premissa que perderia força em tempos de tecnologia desenfreada.

Por conta disso, o longa possui um visual que remete à era de ouro do cinema: a proporção de tela em 1,33:1 (formato mais quadrado) evoca a linguagem cinematográfica anterior à popularização do Widescreen, consolidado a partir do clássico "O Manto Sagrado" (1953). A fotografia, com cores quentes, busca inspiração na estética clássica do Technicolor — recurso marcante de produções como "O Mágico de Oz" (1939). Ou seja, é um filme que reúne elementos tanto para os interessados pela literatura russa quanto pelos admiradores do cinema de Kurosawa e da era clássica da sétima arte.

A premissa em si é uma velha conhecida dos cinéfilos, mas ganha novo frescor com a atuação impecável de Bill Nighy. Versátil, Nighy é figura conhecida pelos fãs de grandes franquias como "Piratas do Caribe" (2003–2017), mas também brilha em produções mais intimistas, como "Enquanto Houver Amor" (2019). Aqui, sua atuação se distancia da interpretação marcante de Takashi Shimura no clássico de 1952, ganhando luz própria sob a direção precisa de Oliver Hermanus.

Acima de tudo, é um filme que nos ensina a saborear a vida, mesmo quando estamos na reta final. Até lá, cabe a cada um colocar em prática suas virtudes ocultas, revelando uma faceta até então inédita para os outros. Ao final, o gesto do protagonista pode parecer simples, mas carrega um significado profundo para que outras pessoas possam desfrutar de momentos mais felizes.

Com um desfecho tão tocante quanto o do clássico de Kurosawa, "Viver" é um belo exemplo de obra que sabe se repaginar para conquistar uma nova geração de espectadores.

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Cine Dica: Próximo Cineclube Torres - "Kasa Branca"

 Sessão Vitrine Filmes Petrobras no Cineclube Torres, segunda-feira, dia 31 às 20h, com o filme brasileiro "Kasa Branca" (2024) de Luciano Vidigal.

Segue a comemoração dos 15 anos do cineclube com um dos filmes independentes brasileiros mais premiados dos últimos tempos.  Dé é um adolescente negro da periferia do Rio de Janeiro. Ao descobrir que sua avó está na fase terminal da doença de Alzheimer, procura seu melhores amigos para enfrentar o problema e proporcionar dignidade e alegria à avó nos seus últimos dias. No papel da avó, a extraordinária bailarina e atriz Teca Pereira, ganhadora este ano em Gramado do Kikito de melhor atriz protagonista.

No Festival do Rio, Kasa Branca foi agraciado com quatro prêmios, entre os quais o de Melhor Direção para Luciano Vidigal, que se tornou-se o primeiro diretor negro a vencer na categoria."Kasa Branca é um marco no cinema brasileiro contemporâneo, tanto pela sensibilidade com que aborda temas complexos quanto pela excelência técnica e artística em sua realização" (Rodrigo França, Metropolis).

O projeto nacional Sessão Vitrine Petrobras permite a distribuição de produções audiovisuais brasileiras independentes estimulando a formação de público e a democratização do cinema brasileiro, de forma descentralizada. O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Sobre o Filme: Em um determinado momento de "O Vento Frio que a Chuva Traz" (2015), há uma mensagem subliminar com relação ao futuro do Brasil em tempos que antecederam o advento da extrema direita no país. Passado estes tempos temos então uma sensação sobre qual o próximo passo, independente de qual classe a pessoa pertence. "Kasa Branca" (2025)  é sobre uma geração perdida entre os altos e baixos no coração do RJ.

Dirigido por Luciano Vidigal, o filme conta a história de Dé (Big Jaum), Adrianim (Diego Francisco) e Martins (Ramon Francisco), três adolescentes negros que vivem na periferia da Chatuba, em Mesquista, no Rio de Janeiro. O filme inspirado em histórias reais apresenta a relação de cuidado e amor entre Dé e sua avó Dona Almerinda. Sem nenhuma estrutura familiar, o rapaz é o único encarregado de cuidar da idosa, que vive com Alzheimer, e da subsistência dos dois.

Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui. 

Serviço:

O que: Exibição do filme "Kasa Branca" (2024) de Luciano Vidigal (Brasil)

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 31/8, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Sangue Ruim'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 22/08/26

Se há uma palavra que melhor define Leos Carax, essa palavra seria peculiaridade — algo que senti claramente ao assistir a "Holy Motors" (2012) e compreender a dimensão de sua visão autoral como um todo. Em seus filmes não há nada convencional, mas sim uma espécie de experimento constante usado como pretexto para explorar os melhores recursos cinematográficos disponíveis. Talvez, essa sua forma de fazer cinema não pretenda meramente contar uma história, mas sim fazer com que o público sinta a própria linguagem cinematográfica.

Em seu clássico "Sangue Ruim" (1986), adentramos a história de Alex (Denis Lavant) e Anna (Juliette Binoche), que se conhecem no coração de uma Paris desprovida de amor, cujas cores quentes dos anos oitenta surgem sufocadas por um constante temor. Tudo se passa em um futuro distópico ameaçado pelo vírus STBO, que mata casais que se relacionam sem sentimento. Qualquer semelhança com o pavor da AIDS naquela época não é mera coincidência.

Contudo, não é apenas de forma metafórica que o realizador constrói sua narrativa: ele convida o público a imergir em uma trama onde os recursos visuais se tornam parte integrante — e de forma alguma gratuita — do enredo. O protagonista Alex sente-se isolado em uma realidade mórbida, na qual qualquer passo em falso afeta quem está ao seu redor. Mesmo recém-saído de uma prisão onde esteve por quinze meses, a liberdade não se traduz em libertação, mas em um novo patamar de sua própria solidão.

Curiosamente, Alex possui o talento da ventriloquia e usa esse dom para se comunicar quando seu lado exausto já se encontra saturado do mundo que o cerca. Diante de um futuro incerto, ele retoma o contato com velhos conhecidos de seu falecido pai, cuja morte deixou uma dívida com uma mulher estrangeira que agora o assombra. Sua missão passa a ser roubar de uma clínica a cura para o vírus, para que os parceiros de seu pai a vendam e quitem o débito o quanto antes.

Nessa missão quase suicida, Alex conhece Anna, namorada de um dos parceiros do seu pai. Ela desperta nele um sentimento incomum de carinho que contagia também quem assiste. No entanto, ele ainda nutre sentimentos por sua namorada (interpretada por Julie Delpy) e anseia por fugir, viajando sem rumo até que os pneus gastem. Mas a fuga de Alex não é apenas do mundo real; há nele um desejo de escapar para dentro da própria mente em momentos em que o diretor tem muito a dizer, cabendo a cada espectador compreender a sua maneira.

Naquela que é uma das melhores sequências do filme, o protagonista corre em um ritmo frenético ao som de Modern Love, de David Bowie — cena histórica que serviria de inspiração, anos mais tarde, para um momento marcante no genial "Frances Ha" (2012). O diretor, por sua vez, faz questão de focar a câmera na plenitude dos rostos de Juliette e Julie, cujos olhares dizem muito mais do que meras palavras. Vale salientar que este foi um dos primeiros grandes papéis de Juliette Binoche no cinema; sua delicadeza em cena já deixava transparecer a complexidade de atuações marcantes que viria a construir ao longo de sua exemplar carreira.

O lado transparente de sua personagem revela tanto uma pessoa gentil quanto inocente perante uma realidade por vezes opressora. Uma de suas primeiras cenas que chama a atenção é quando ela surge caindo de paraquedas desacordada, como se o protagonista se visse na obrigação de salvá-la, vislumbrando ali a chance de um recomeço. É fascinante notar como eles formam um raro exemplo de casal cinematográfico que não se consolida fisicamente em cena, o que torna a conexão entre eles ainda mais preciosa.

Ao final, o protagonista encontra um destino cruel, mas não sem antes deixar uma marca de seu sangue no rosto de Anna. O sangue não a contamina; pelo contrário, funciona como um impulso que a faz libertar-se e correr sem rumo. Ambientada em uma pista de pouso, a cena final de Juliette torna-se antológica, pois Leos Carax nos passa a nítida impressão de que ela está abrindo as asas e voando.

Leos Carax cria, portanto, um longa-metragem à frente do seu tempo, no qual a paixão não reside apenas no amor carnal, mas em sentimentos que lutam para não serem doutrinados por uma realidade cheia de regras. O espectador pode até esperar por uma consumação romântica tradicional, mas recebe a entrega de uma paixão lírica e profundamente humana, embalada por toda a genialidade e peculiaridade que o diretor emana.

"Sangue Ruim" é o amor sob o olhar único de Leos Carax — uma obra cuja linguagem nada convencional a torna verdadeiramente inesquecível.

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Cine Dica: Sessão dupla no Clube de Cinema: Mostra de Cinema Metropolitano (29/08) + "Franz" (30/08)


Neste final de semana, teremos sessão dupla no Clube de Cinema!

No sábado (29/08), às 10h da manhã, nos reunimos na Cinemateca Capitólio para uma sessão especial em conjunto com o Circuito de Cinema Metropolitano RS. Serão exibidas duas produções recentes realizadas na Região Metropolitana (Enquanto a Partida Durar, de Léo Moura, e Companheiro de Viagem, de Adriano Legionário), além de Au Revoir Shirlei, clássico do cinema gaúcho da década de 1990, acompanhado de uma apresentação inédita de seu making off. Após a sessão, haverá ainda um bate-papo com o diretor do filme, Gilberto Perin, e a produtora executiva Alice Urbim.

No domingo (30/08), nosso encontro é às 10h15 da manhã na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para uma sessão de Franz, filme da diretora polonesa Agnieszka Holland sobre a vida e a obra de Franz Kafka. O filme acompanha diferentes momentos da vida do escritor, de sua infância à idade adulta, passando por seus conflitos familiares, relacionamentos amorosos, trabalho e dedicação à literatura. Em vez de seguir uma narrativa biográfica convencional, a história combina passado e presente para aproximar o escritor de suas inquietações, especialmente o conflito entre seguir sua própria vocação e corresponder às expectativas que recaem sobre ele.


Confira os detalhes da programação:


SÁBADO (29/08, 10h)

Mostra de Cinema Metropolitano RS

📍 Local: Cinemateca Capitólio – Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre. Exibição dos filmes: Enquanto a Partida Durar, Companheiro de Viagem, Au Revoir Shirlei

🎤 Após a sessão, bate-papo com Gilberto Perin e Alice Urbim


DOMINGO (30/08, 10h15)

Franz

Polônia e República Tcheca, 2025, 127min

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz  – Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Direção: Agnieszka Holland

Roteiro: Marek Epstein

Elenco: Idan Weiss, Daniel Dongres, Jenovéfa Boková, Carol Schuler, Sebastian Schwarz, Katarina Stark, Peter Kurth, Ivan Trojan, Sandra Korzeniak, Aaron Friesz, Carol Schuler, Gesa Shermuly, Jan Budar, Josef Trojan

Sinopse: O filme acompanha Franz Kafka em diferentes momentos de sua vida, desde a infância até os anos de maturidade, passando por seus conflitos familiares, relacionamentos e pelo trabalho que dividia espaço com sua vocação literária.


Nos vemos no final de semana!

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Cine Dica: Em Cartaz — "Honestino"

Sinopse: Fusão entre documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da UnB. Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, tornando-se uma das centenas de pessoas desaparecidas na ditadura militar.

Filmes e livros existem para abrir janelas para o passado e resgatar histórias que não podem ser esquecidas. Como o brasileiro é conhecido por ter "memória curta", torna-se indispensável ler e assistir a obras que retratam o lado mais sombrio de tempos ditatoriais — os quais hoje, infelizmente, ainda encontram quem os defenda. "Honestino" (2026) é um filme necessário, sobretudo para alertar os desavisados sobre o que realmente foi o período da ditadura militar no Brasil.

Dirigido por Aurélio Michiles e estrelado por Bruno Gagliasso, o longa retrata a trajetória do líder do movimento estudantil da UnB, que se tornou uma das vítimas do regime. Brutalmente assassinado aos 26 anos, o Estado só reconheceu a responsabilidade por seu homicídio décadas depois. Ainda assim, a obra evidencia os traumas profundos deixados nos estudantes de Brasília.

Aurélio Michiles constrói uma curiosa transição entre a linguagem documental e a reconstituição de época. No campo da ficção, Honestino é interpretado por Bruno Gagliasso, cuja atuação serve como fio condutor pela jornada que o personagem percorre entre a transição democrática e os anos de chumbo. O ponto alto da produção é a maneira habilidosa como o diretor estrutura a narrativa.

As imagens transitam entre filmagens amadoras, arquivos de imprensa e fotografias históricas, ganhando uma força expressiva na tela. Além disso, a narrativa é costurada por depoimentos marcantes de familiares, amigos e companheiros de luta da época em que Honestino vivia na clandestinidade, mas continuava articulando a oposição ao regime. O documentário explora como o advento do AI-5, que perdurou por dez anos, tornou a repressão ainda mais violenta contra aqueles que ousavam se opor ao sistema.

O longa poderia ser facilmente rotulado como mais uma entre tantas produções atuais sobre os 21 anos de ditadura no Brasil. Porém, em tempos de desinformação, fake news e ascensão da extrema-direita no Brasil e no mundo, o filme se firma como uma peça urgente e relevante para quem busca conhecimento, lançando luz sobre figuras históricas que lutaram por transformações. A memória do brasileiro pode ser curta, mas iniciativas como esta são fundamentais para provocar um despertar em relação ao passado e ao presente que nos cerca.

"Honestino" equilibra ficção e documento histórico de forma precisa, revelando mais um capítulo indispensável da nossa história que jamais deve ser esquecido.

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Cine Dica: Cinesemana de 27 de agosto a 2 de setembro de 2026

A cinesemana de 27 de agosto a 2 de setembro marca a estreia de MUITO PRAZER, de Jorge Furtado. Em seu novo filme, o diretor gaúcho conta uma história sobre três jovens que tentam reabrir um motel decadente e apostam em estratégias pouco convencionais. Outras novidades são NOSSO SEGREDO, de Grace Passô, filme vencedor do Festival de Cinema de Gramado, e O APEGO, longa francês protagonizado por Valeria Bruni Tedeschi e que conquistou o prêmio César de melhor filme em 2026.

Segue em cartaz AS CORES DO TEMPO, trama na qual o diretor francês Cédric Klapisch proporciona uma delicada viagem pelo tempo a partir das memórias de uma jovem que viveu em Paris no final do século XIX. Também ganha mais uma semana de exibição o longa REFÉM POR UM FIO, em que o diretor Gus Van Sant recupera um drama policial que paralisou os Estados Unidos na década de 1970. O público ainda tem a oportunidade de conferir dois sucessos da nossa bilheteria: ACAMPAMENTO MIASMA - SEXO, ADOLESCÊNCIA E MORTE, um filme de terror slasher dirigido por Jane Schoenbrun; e O CONVITE, da diretora Olivia Wilde, sobre dois casais que discutem as relações.

Esta é a última semana para conferir A PROFESSORA DE PIANO, parceria da atriz Isabelle Huppert com o diretor Michael Haneke; e também os longas UMA INFÂNCIA ALEMÃ, do diretor FatihAkin, e HONESTINO, misto de documentário e ficção sobre o líder estudantil sequestrado pela ditadura militar brasileira

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Rio de Clarice'

Sinopse: Longa-metragem brasileiro que adapta cinco contos clássicos de Clarice Lispector para o cinema.

A palavra antologia refere-se a uma coleção de textos, músicas ou filmes reunidos em uma única obra. Quando procuro me lembrar do meu primeiro contato com esse tipo de estrutura, vem-me à mente os longas de horror do estúdio inglês Amicus, que, por sua vez, baseavam-se em clássicos literários ou até mesmo em HQs, como "Contos da Cripta". No "caso de Rio de Clarice" (2026), trata-se de um filme que explora o universo literário da escritora Clarice Lispector, tornando-se uma espécie de cartão de visita para aqueles que nunca leram seus contos.

Dirigido por Eunice Gutman, Maria Luiza Aboim, Taciana Oliveira, Barbara Kahane e Nicole Algranti, o filme reúne cinco adaptações dos contos da escritora em episódios comandados por essas cinco diretoras. Inspirando-se nas obras "Feliz Aniversário", "Mal-estar de um Anjo", "A Bela e a Fera", "Amor" e "Preciosidade", o filme explora o lado intimista de Clarice e o universo particular das mulheres.

Sem sombra de dúvida, a adaptação mais famosa da obra de Clarice Lispector para o cinema é "A Hora da Estrela" (1985), de Suzana Amaral, na qual a ingenuidade da protagonista faz com que nos identifiquemos de forma profunda. Uma das últimas adaptações a que eu havia assistido no cinema foi "A Paixão Segundo G.H." (2023), de Luiz Fernando Carvalho, que explorava a solidão e as divisões de classe afetando a protagonista em um verdadeiro jogo psicológico. Esses elementos narrativos são vistos novamente nesta nova adaptação.

Baseado nos contos da autora, as cinco diretoras conseguem retratar com certo êxito os aspectos de tempos mais conservadores, nos quais as mulheres buscam se colocar à frente daquela realidade sufocante. "Feliz Aniversário", por exemplo, é a representação de uma personagem não alinhada à hipocrisia familiar — uma família que se vende como perfeita, mas não consegue esconder seus "esqueletos no armário" ao longo da história. Em todos os episódios, a figura masculina fica em segundo plano, como se a presença dos homens fosse irrelevante ou até alienada perante a complexidade do universo feminino.

Particularmente, gostei muito do segmento "Mal-estar de um Anjo", graças à atuação da atriz Letícia Spiller. Inicialmente, a ex-paquita nunca havia me convencido como atriz, percepção que começou a mudar a partir de sua atuação no curta "O Pulso" (1997), dirigido por José Pedro Goulart. Aqui nesta trama, nota-se como a intérprete consegue nos transmitir toda a dúvida e confusão mental a partir do momento em que conhece outra personagem dentro de um táxi, fazendo disso o ponto de ignição para seus conflitos internos.

Em suma, são histórias sobre o papel das mulheres perante um mundo dominado por homens, onde os abusos moral e físico se fazem presentes, mas sem fazer com que elas sucumbam às sombras. Clarice Lispector talvez tenha visto desde cedo o lado duro desse universo cheio de regras, fazendo com que suas personagens se desprendam de correntes invisíveis impostas pela sociedade. Ao menos até aqui, as adaptações cinematográficas têm feito jus à sua força.

"Rio de Clarice" é um convite instigante para aqueles que nunca adentraram o universo literário de Clarice Lispector, despertando o desejo de procurar seus livros no sebo mais próximo.


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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 27 de agosto a 2 de setembro

Mostra Hector Babenco, festival POADOC e últimas exibições de Futuro Futuro e Os Ruminantes na semana da Cinemateca Capitólio

A Cinemateca Capitólio encerra seu mês de agosto em alto estilo, realizando entre os dias 27 e 30 de agosto uma pequena mostra dedicada ao diretor argentino-brasileiro Hector Babenco (1946–2016), que completaria 80 anos em 2026. Autor de uma das mais importantes filmografias do cinema brasileiro, Babenco também teve uma breve passagem pelo cinema americano após o sucesso internacional de O Beijo da Mulher Aranha (1985), assinando duas grandes produções hollywoodianas, Ironweed (1987) e Brincando nos Campos do Senhor (1991). A mostra organizada pela Capitólio em homenagem ao diretor destaca justamente essa fase da carreira de Babenco, exibindo ainda os três títulos que o consagraram no Brasil, O Rei da Noite (1975), Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) e Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980). Todos filmes menos conhecidos das novas gerações de espectadores, há muito tempo não exibidos no cinema, e em versões restauradas, com cópias em DCP.

A mostra Hector Babenco 80 Anos é realizada em parceria com a HB Filmes e tem entrada franca, com distribuição de senhas 30 minutos antes das sessões. A mostra dedicada a Hector Babenco divide horários com os longas brasileiros Futuro Futuro e Os Ruminantes, em suas últimas exibições. A partir de terça-feira, a Cinemateca Capitólio recebe a programação do festival de documentários POADOC.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Muito Prazer'

Sinopse: Um motorista de aplicativo herda um motel em ruínas e se envolve em um esquema inusitado de gravação de clientes para sair das dívidas.

Em "Motel Destino" (2024), um foragido endividado se esconde em um motel e passa a conviver naquele universo proibido. Em "Pagando Bem, Que Mal Tem?" (2008), um grupo de amigos decide filmar filmes eróticos para pagar as contas. Una as duas ideias no mesmo longa e temos "Muito Prazer" (2026), comédia criativa de Jorge Furtado que fala muito sobre os tempos atuais, nos quais estamos cada vez mais sujeitos a ser capturados por câmeras indiscretas.

Na trama, conhecemos Rubem (Daniel de Oliveira), que herda o motel de seu falecido tio. No local ainda vive Grace (Luisa Arraes), ex-funcionária que também se encontra atolada em dívidas. Ao lado da especialista em vídeo Nalva (Samantha Jones), eles decidem usar o estabelecimento para filmar os clientes dentro dos quartos e faturar na internet — sem saber que isso é apenas a ponta do iceberg.

Jorge Furtado é aquele tipo de cineasta que sabe transitar por diversos gêneros, da comédia ao drama, passando pelos documentários. No caso do humor, ele alcança um tom refinado, alinhado a doses de reflexão que conquistam a nossa simpatia de imediato. Foi assim com o genial "O Homem Que Copiava" (2003) e com "Saneamento Básico", O Filme (2007) — este último, uma verdadeira aula sobre como realizar um longa de baixo orçamento com extrema criatividade. Em "Muito Prazer", a premissa não foge a essa regra.

Com pouco dinheiro no bolso, os protagonistas passam a produzir conteúdo adulto de forma indireta, utilizando os clientes do motel em ação e manipulando as imagens para deixar tudo mais interessante. É aí que mora a inteligência do diretor: criar um mosaico sobre até que ponto a imagem pode ser alterada hoje em dia, combinando velhos recursos de vídeo ao avanço da inteligência artificial no nosso cotidiano. O resultado é uma trama que dosa momentos de humor refinado com pitadas calientes, sem nunca soar grosseira ou apelativa.

Destaque para Daniel de Oliveira, um ator versátil que raramente explorou a veia cômica e que aqui surpreende em cena. Sua química com Luisa Arraes é outro ponto alto: a atriz constrói uma personagem inicialmente enigmática e carismática, que aos poucos revela suas reais facetas à medida que baixa a guarda para o protagonista. Embora o espectador preveja o rumo da relação, o casal central conquista do início ao fim.

Em suma, Jorge Furtado constrói uma narrativa repleta de simbolismos familiares a quem acompanha os debates sobre o sexo explícito no ambiente virtual. O mérito do longa é nos lançar nesse universo não pelo choque, mas pela provocação: faz refletir sobre como o tema se tornou banal e corriqueiro, a ponto de nem o conservadorismo atual conseguir silenciá-lo. Ou aceitamos o mundo como ele é, ou continuamos acreditando na cegonha.

"Muito Prazer" é um belo exemplo de como o humor pode ser inteligente sem descambar para o apelo fácil — mesmo quando decide espiar o que acontece entre quatro paredes.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 27 DE AGOSTO A 02 DE SETEMBRO

"Muito Prazer", novo filme de Jorge Furtado, e "Nosso Segredo", de Grace Passô, estreiam no CineBancários dia 27 de agosto crédito_Fabio Rebelo_Muito Prazer_Daniel de Oliveira, Luisa Arraes e Samantha Jones.

“Muito Prazer”, nova comédia de Jorge Furtado estrelada por Luisa Arraes, Daniel de Oliveira e Samantha Jones, estreia dia 27 de agosto às 19h no CineBancários. O longa, que acompanha a história de três amigos que se envolvem em um esquema inusitado para escapar das dívidas, divide a programação com “Nosso Segredo”, de Grace Passô, que estreia na sessão das 17h. 

Estrelado por Luisa Arraes (“Grande Sertão”), Daniel de Oliveira (“Cazuza”) e Samantha Jones (“Renascer”), “Muito Prazer” acompanha um trio que tenta salvar um motel decadente em plena era digital e acaba diante de uma pergunta tão inusitada quanto contemporânea: "como fazer um motel sobreviver em um mundo onde os algoritmos parecem entregar todas as fantasias sem que ninguém precise sair de casa?”

Rubem (Daniel de Oliveira) herda um antigo motel do seu tio, uma propriedade que ele acredita estar abandonada. Ao chegar no local, ele encontra Grace (Luisa Arraes), ex-funcionária do estabelecimento, que vive no imóvel fechado. Para quitar as dívidas de ambos, eles decidem reativar o “Motel Pérola”, e, com a ajuda de Nalva (Samantha Jones), desenvolvem um plano inesperado para salvar o estabelecimento.

“O cinema brasileiro tem uma longa tradição de comédias, sempre foram os filmes de maior público e de maior bilheteria, desde o tempo das chanchadas da Atlântida até hoje. Entre os 50 filmes brasileiros de maior bilheteria do século XXI, 33 são comédias,” lembra Jorge Furtado sobre um histórico do cinema brasileiro, que revela o potencial do gênero. E continua: “Eu gosto muito de comédias, e espero que esse filme, 'Muito Prazer', seja muito bem recebido pelo público”. Uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre em coprodução com a Globo Filmes, o longa traz ainda em seu elenco Drica Moraes (“Pérola”) e Felipe Velozo (“Mar do Sertão”). A distribuição é da Elo Studios.

Após estreia no Festival de Cinema de Gramado, "Nosso Segredo", primeiro longa dirigido por Grace Passô, chega ao CineBancários.

Depois de uma trajetória de destaque em importantes festivais internacionais, o primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô chega ao cinema da Casa dos Bancários. Filmado em Belo Horizonte, "Nosso Segredo" acompanha uma família que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada integrante enfrenta o luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de transformar a forma como todos atravessam esse processo. 

O elenco reúne Robert Frank, Ju Colombo, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Marisa Revert e Juan Queiroz, além das participações especiais de Mateus Aleluia, referência histórica da música brasileira como integrante dos Tincoãs, e da cantora e compositora Tássia Reis, grande nome da música contemporânea brasileira, ambos estreiam como atores pela primeira vez no cinema. Selecionado para a mostra Perspectives, dedicada a cineastas em seu primeiro longa-metragem no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), 

"Nosso Segredo" reafirma Grace Passô como uma das vozes mais potentes da criação artística brasileira contemporânea, agora também na direção de cinema. Após a estreia mundial na Alemanha, o filme passou por importantes festivais na França, Uruguai, Argentina e Jordânia, consolidando sua trajetória internacional antes de chegar ao público brasileiro.

A trilha sonora original é assinada por Amaro Freitas, um dos pianistas brasileiros de maior reconhecimento internacional na atualidade. Vencedor do Prêmio Paul Acket, concedido pelo tradicional North Sea Jazz Festival, além do Prêmio APCA e do Prêmio Multishow, o músico também foi indicado ao Grammy Latino e é presença constante nos principais festivais de jazz do mundo. Reconhecido por unir o jazz contemporâneo às tradições musicais afro-brasileiras, Amaro imprime ao filme uma atmosfera sensível e profunda, ampliando a força emocional da narrativa.


PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE  27  DE AGOSTO A 02 DE SETEMBRO

ESTREIAS:

MUITO PRAZER

Brasil/ Comédia/2026/ 98min.

Direção:Jorge Furtado

Sinopse: Rubem, um motorista de aplicativo sem perspectivas, recebe uma herança inesperada: o Motel Pérola, que logo descobre ser um prédio em ruínas. Lá ele conhece Grace, ex-funcionária que ficou morando numa das suítes quando o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, Grace e Rubem unem-se para reativar o motel. Quase de brincadeira, com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, eles começam a gravar seus clientes e, para fazer algum dinheiro extra, a vender os vídeos, com identidades protegidas, para sites eróticos. O esquema se torna rapidamente lucrativo e, como era de se esperar, perigoso. 

Elenco: Luisa Arraes, Daniel de Oliveira, Samantha Jones, Felipe Velozo.


NOSSO SEGREDO

Brasil/ Drama/2025/109 min.

Direção: Grace Passô

Sinopse: Nosso Segredo conta a história de uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho 

Elenco: Ju Colombo, Robert Frank, Marisa Revert, Jessica Gaspar, Efraim Santos.


EM CARTAZ:

ANISTIA 79

Brasil/Documentário/105min.

Direção: Anita Leandro

Sinopse: Roma, junho de 1979. Exilados brasileiros filmam a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, o maior encontro da esquerda brasileira fora do país. Quase meio século depois, essas imagens reacendem o debate sobre a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade dos torturadores. 



HORÁRIOS DE 27 DE AGOSTO A 02 DE SETEMBRO

(não há sessões nas segundas)


15h: ANISTIA 79

17h: NOSSO SEGREDO

19h: MUITO PRAZER


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484


C i n e B a n c á r i o s 

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Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Cine Dica: Em Cartaz — ‘Nosso Segredo’

Sinopse: Uma família negra tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho.

Grace Passô é um daqueles grandes talentos brasileiros que chamam atenção aos poucos e logo conquistam o público e a crítica. Foi a partir de atuações marcantes em "Temporada" (2018) e, principalmente, "Praça Paris" (2017) que ela me chamou atenção, já revelando potencial para atuar em outros setores da indústria. Essa expectativa se confirma em "Nosso Segredo" (2026), longa em que ela assume a direção com maestria, explorando o lado psicológico dos personagens e transformando a própria casa em uma peça fundamental da narrativa.

Na trama, acompanhamos o cotidiano dessa família no momento em que o silêncio e a dificuldade de expressar a dor acabam ampliando as distâncias entre seus membros. No centro da história está o filho caçula, detentor de um segredo capaz de transformar a forma como todos enxergam a ausência que os marcou.

Ao assistir ao filme, é inevitável recordar o clássico literário "A Queda da Casa de Usher" (1839), de Edgar Allan Poe — adaptado para o cinema em 1960 por Roger Corman. Em ambas as obras, o cenário principal é uma estrutura que dá sinais de deterioração e colapso iminente, enquanto os personagens agem como se estivessem doentes ou amaldiçoados, sugerindo que as manifestações do espaço físico espelham a condição mental e física de seus moradores. Grace Passô estabelece uma dinâmica semelhante com rara sensibilidade.

Gradualmente, conhecemos cada integrante da família: desde o irmão mais velho, que trabalha como motorista de aplicativo, até o caçula que, mesmo pequeno, demonstra astúcia suficiente para notar que há algo estranho naquela casa. A residência ganha o status de personagem primordial já na sequência em que o irmão mais velho entra no imóvel e a diretora mostra a que veio. Nota-se a mão firme nos planos-sequência: mesmo em um espaço reduzido, a câmera nos dá a exata dimensão do cenário e da posição que cada um ocupa naquele núcleo.

As reações diante do luto são distintas e multifacetadas. O irmão do meio não sabe ao certo como se inserir no mundo; a irmã não enxerga em seu relacionamento afetivo algo sólido para o futuro; já o mais velho transita entre a lucidez do presente e as memórias de um passado dourado ao lado do pai — memórias que, contudo, não escondem a sombra da perda. É por meio desses devaneios que compreendemos melhor a origem do caçula e a real dimensão da figura paterna.

Passô constrói uma parábola sobre os tempos de medo: aquela família opta pelo isolamento como forma de se proteger de uma realidade ainda profundamente preconceituosa, mas esse mesmo isolamento faz com que o medo se fortaleça e se manifeste na própria casa. Nesse contexto, a interpretação sobre o "coração" daquele cenário surge de forma inesperada e instigante, momento em que o elenco brilha intensamente — com destaque para Robert Frank, o jovem Efraim Santos e a veterana Ju Colombo.

Curiosamente, a diretora não apenas traça uma síntese do medo no presente, como expressa certo temor quanto ao nosso futuro. Se em A Frente Fria Que a Chuva Traz (2016), de Neville d'Almeida, já se liam nas entrelinhas mensagens proféticas sobre o destino do país, o cinema de Grace Passô não fica atrás. Resta-nos torcer para que não sejamos varridos pela intolerância daqueles que se julgam poderosos.

Vencedor do Kikito de Ouro de Melhor Filme no último Festival de Gramado, "Nosso Segredo" é uma obra poderosa em sua mensagem, mostrando que o medo pode se manifestar não apenas dentro de nós, mas também no espaço e na realidade em que vivemos.

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