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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 99 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 10 de agosto de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Relíquia Macabra'

Sinopse: Uma filha, mãe e avó são assombradas por uma manifestação de demência que consome a casa. 

A franquia "Invocação do Mal" é a melhor representação sobre o uso dos velhos recursos cinematográficos de antigamente e que podem sim ter efeitos positivos até hoje. Porém, em tempos atuais de pós terror, "Meu Pai" (2020) retrata os últimos passos da vida humana, de como ela é dolorida e ao mesmo tempo assustadora quando você esquece o que você mais amava. Agora, imagine esses dois tipos de filmes completamente diferentes um do outro, fundi-los, para então se ter "Relíquia Macabra" (2021), um filme assustador pela sua simplicidade e por ser uma metáfora do que a gente mais teme.

Dirigido por Natalie Erika James, o filme começa quando uma idosa chamada Edna (Robyn Nevin) desaparece inexplicavelmente, sua filha Kay (Emily Mortimer) e sua neta Sam (Bella Heathcote) correm para a decadente casa de campo de sua família, encontrando pistas de sua crescente demência espalhadas. Depois que Edna retorna tão misteriosamente quanto desapareceu, a preocupação de Kay de que sua mãe parecesse relutante ou incapaz de dizer onde ela estava entra em conflito com o entusiasmo de Sam em ter sua avó de volta. Conforme o comportamento de Edna se torna cada vez mais volátil, as duas começam a sentir que uma presença insidiosa na casa pode estar assumindo o controle dela.

Usando os velhos e atuais recursos de ponta, Natalie Erika James cria um verdadeiro filme claustrofóbico, já que boa parte da trama se passa nesta casa misteriosa e cujo os seus cômodos se tornam um verdadeiro mistério, principalmente com relação as paredes envelhecidas, úmidas e sobre o que há por detrás delas. Com uma fotografia escura e amedrontadora, o filme possui todos aqueles ingredientes do horror tradicional, desde aos vultos no canto da sala, como também barulhos estranhos ou da possibilidade de haver algo embaixo da cama. Porém, os ecos do que a gente já tinha assistido dentro do gênero param por aí e o filme adentra a um terreno extremamente novo, porém, familiar.

Edna possui demência, não sabendo ao certo aonde esteve quando esteva desaparecida e gerando na gente a dúvida do que realmente aconteceu com ela. Ao mesmo tempo assistimos ao conflito de gerações entre mãe e filha e fazendo a gente crer que ambas estão prestes a largarem uma da outra. Porém, através de Edna que ambas encontraram um equilíbrio para o relacionamento, mas ao mesmo tempo encarando a triste realidade do que acontece naquele ambiente.

Para o público mais acostumado ao cinema de horror convencional o filme pode na realidade até decepcionar, já que ele não dá muitas explicações sobre o que realmente acontece. Porém, as explicações são mais simbólicas, sobre o começo, meio e fim da vida e cujo o envelhecimento pode ser ainda mais assustador do que qualquer outro fantasma convencional do cinema. É claro que esse feito não cabe somente a uma boa direção ou parte técnica, mas sim em uma boa atuação e nisso o trio central nos brinda com honras.

Robyn Nevin dá um verdadeiro show de interpretação, já que a sua Edna nos transmite pena, mas ao mesmo tempo terror em abundância. É uma presença imprevisível, seja pelo que ela sabe, ou pelo que ela não sabe e tão pouco se lembre sobre passagens da vida que ela insiste em querer lembrar. Não deixa de ser comovente, por exemplo, cena em que ela tenta esconder o álbum de família, pois ela acredita que algo dentro da casa possa estar querendo desvencilhar de suas lembranças.

Porém, Emily Mortimer e Bella Heathcote não ficam muito para trás em termos de atuação, sendo que a primeira transmite uma pessoa cansada em pensamentos com a possibilidade de ter que cuidar de sua mãe que se encontra na reta final da vida. Falando nisso, quando parecia que o ato final se entregaria ao convencional, eis que os minutos finais nos surpreende de forma bastante positiva, ao não dar muitas explicações sobre o que acontece em cena, pois as imagens falam por si e fazendo com as protagonistas se entreguem a responsabilidade de encarar o fim da vida da maneira como ela é. Não é um filme para todos, pois ninguém gosta de pensar sobre esses assuntos, mas é um cenário que teremos que encarar todos nós um dia não importa o que aconteça.

"Relíquia Macabra" é um filme assustador ao sintetizar o que mais tememos em vida e nos dizer que é preciso sim exorcizar os nossos temores na reta final de nossa história. 

Onde Assistir: Telecine

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