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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Cine Especial: Revisitando 'A Malvada'

Sinopse: A ambiciosa aspirante a atriz Eve Harrington se infiltra no camarim da estrela consagrada Margo Channing, que após ouvir sua história triste, resolve ajudá-la. Mas Eve parece só ter intenção de usá-la para entrar no show biz.  

Embora tenha sido em tempos mais conservadores foi a partir da entrada da década de cinquenta que certos realizadores decidiram fazer um retrato mais cru da mão que alimenta, ou seja, Hollywood. Embora esbanje glamour com seus astros, alinhado com super produções que valiam ouro, convenhamos, tudo é um jogo de aparências, dos quais quem ganha é quem faz a melhor artimanha. Mas seria possível os engravatados de plantão permitirem tais filmes que critiquem o que rola por detrás das cortinas?

Embora não seja o alvo principal, Hollywood sofre uma crítica acida nas entrelinhas com o seu clássico "A Malvada" (1951), um dos grandes filmes do cinema norte americano. Se tira o cenário de Hollywood e adentramos ao cenário da Broadway, mas há atores, guerra por papeis, estrelismo e fofocas entre os bastidores. Um tiro perfeito vindo de alguém que sabe como funciona as engrenagens e coube ao cineasta Joseph L. Mankiewicz orquestrar a tarefa.

Embora nunca ter aparentado possuir uma visão autoral como cineasta, por outro lado, ele foi responsável por altos e baixos dentro do estúdio Fox e obtendo carta branca mesmo quando um projeto tinha ares de naufragar. Portanto, o projeto "A Malvada" tinha para ser um grande fiasco, mas foi graças ao seu elenco estelar e o tom sarcástico que os mesmos deram para a trama é o que fizeram do filme se tornar uma obra prima. Mas no que se trata a trama exatamente?

Na noite de entrega do prêmio Sarah Siddons, todas as atenções se voltam para Eve Harrington (Anne Baxter). Utilizando o flashback, a vida de Eve é revelada, desde quando conheceu e foi contratada como secretária de Margo Channing (Bette Davis), uma grande estrela da Broadway, até ela mesma alcançar o estrelato. Ou seja, o filme começa aonde termina e ficamos presos as origens de cada um daqueles personagens, principalmente com relação a Eve.

Porém, o filme pertence e sempre pertenceu a Bette Davis e cuja atuação neste filme é novamente extraordinária. Meio que esquecida por alguns anos, a interprete retorna com tudo neste filme, ao fazer uma atriz de meia idade sentido o sucesso escorregando entre os dedos e sentindo a presença de Eve como uma ameaça futura. Se em um primeiro momento achamos de que se trata de uma paranoia vinda de sua parte, logo se percebe que ela não estava totalmente errada.

A personagem de Bette Davis seria uma espécie de crítica ácida ao tratamento que Hollywood faz as veteranas atrizes, sendo elas relegadas aos poucos ao esquecimento e dando lugar a jovens talentos em busca do estrelato. Porém, há um preço a ser conseguido que, por vezes, essas jovens se vendem ao sistema orquestrado pelo machismo da época. Não é à toa, portanto, que ao vermos uma até então desconhecida Marilyn Monroe surgindo do nada em cena e usando a sua beleza para atingir os seus objetivos, mesmo que lhe custe muito, sintetize muito bem esse meu pensamento.

A cena, aliás, acontece em uma festa na casa da personagem de Bette Davis e onde muitas mascaras acabam caindo após inúmeras bebidas. É a partir daqui, por exemplo, que Eve vai revelando as suas reais intenções por detrás das cortinas e fazendo com que muitos fiquem um contra o outro ao longo da projeção. Não deixa de ser irônico, por exemplo, ao vermos as duas interpretes face a face em um momento de discussão, sendo que ao fundo está justamente Marilyn Monroe testemunhando aquele momento.

Irônico eu digo porque ambas as atrizes no mundo real jamais obteriam o grande estrelato que a própria novata atriz obteria nos anos seguintes, mesmo lhe custando a sua vida como todo mundo bem sabe na entrada dos anos sessenta. Voltando ao filme, não é à toa que a personagem Eve Harrington se tornaria uma das grandes vilãs da história do cinema, mas sem com o uso da violência, mas sim com mentiras e persuasão ao longo da projeção. Anne Baxter jamais obteria outro grande feito, pois o seu personagem era único e somente ela poderia ter feito.

Ao final da projeção, constatamos que o estrelismo tem o seu começo, meio, fim e recomeço, pois sempre haverá uma nova Eve para se vender ao sistema do sucesso mesmo lhe cobrando um alto preço. O filme se tornou o recordista da cerimônia do Oscar, obtendo quatorze indicações e ganhando seis, dentre elas de melhor filme e direção. Curiosamente nenhuma das atrizes principais levariam a estatueta e se tornando essa a grande ironia da história.

Setenta anos já se passaram, mas "A Malvada" continua atual com relação ao seu recado sobre o que é feito realmente o estrelato e o preço que pode lhe custar que pode ser até mesmo a sua alma.

Onde assistir: Relançado recentemente em Blu-Ray e sendo conferido pelo TC.

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2 comentários:

DENNER ALVARO DE CASTRO disse...

Parabéns pela crítica, definiu muito bem o "plot" do filme. Acrescento ainda que sua escrita é elegante e prazerosa.

Marcelo Castro Moraes disse...

Obrigado Denner e continue seguindo o meu blog.