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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 8 de junho de 2021

Cine Dica: Em Cartaz: 'Alvorada'

Sinopse: O dia a dia de um chefe de estado em sua residência oficial. A presidente Dilma Rousseff no Palácio do Alvorada no período mais tenso e dramático da história recente do Brasil: o processo de impeachment que acabou por afastar a primeira mulher eleita presidente do país.

É difícil a gente prever na hora as consequências de determinados acontecimentos, pois ainda não temos a capacidade de prevermos o nosso próprio futuro. Os documentários, por exemplo, são em alguns casos registros históricos de determinadas épocas e são por essas obras que encontramos sinais do que viria a se tornar o nosso presente. “Alvorada” (2021) é um de muitos registros cinematográficos sobre o cenário político brasileiro de 2016, mas que agora revisto concluímos que as sementes que foram plantadas dali em diante dariam péssimos frutos para o nosso futuro.

Dirigido por Anna Muylaert, Lô Politi, o documentário "Alvorada' desvenda o cotidiano da presidente Dilma Rousseff, primeira e única mulher a governar o Brasil, durante o desenrolar dramático do impeachment. Rodado entre julho e setembro de 2016, o documentário testemunha a tensão e a perplexidade que imperavam no círculo da presidente, em reuniões, telefonemas intermináveis e sussurros ouvidos do Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, revela uma personalidade surpreendente nas conversas informais em que Dilma fala de política, história, literatura – e de si própria.

Diferente de outros documentários como “O Processo” (2018), ou "Excelentíssimos" (2018), esse procura não retratar de forma minuciosa todos eventos daquela época, pois quem viveu ou assistiu as obras sitadas  já sabe o que ocorreu. Porém, assistimos pela perspectiva mais pessoal, mais precisamente através de pessoas em volta de Dilma, como no caso de sua assessoria, e dela própria. Ao vermos Dilma pela primeira vez, vemos uma mulher frágil fisicamente, mas cuja as suas palavras e olhar sintetizam uma pessoa que carrega um pesado fardo, mas que não se cansa em trabalhar  para provar o quanto estavam errados sobre o que estavam fazendo contra ela e contra a própria Democracia.

Raramente sendo parados para serem entrevistados, os personagens centrais em cena somente ficam fazendo os seus respectivos deveres no Palácio do Alvorada, desde ao vermos os funcionários locais limpando ou cozinhando no local, como também vermos assessoria trabalhar sem pausa ao acompanhar o raciocínio da Presidente sobre o que ela quer passar para a posteridade. É nestes momentos, por exemplo, que vemos uma Dilma dura com a sua assessoria, principalmente no que ela quer passar nos seus textos e provando que sempre estava um passo a frente com relação as pessoas que queriam ajuda-la. Verdade seja dita, Dilma sempre esteve sozinha neste embate contra os políticos que queriam afasta-la do poder a todo custo.

O documentário procura sempre retratar essa mulher lutando, mesmo em uma situação em que a causa já se tornou perdida, mas não se rebaixando perante os seus algozes. O que se vê, não é uma luta ali para se virar o jogo da situação, mas sim somente para concluir os seus serviços prestados pelo o país e que foram interrompidos por uma oposição que não soube perder nas últimas eleições, culminando em um processo cheio de falhas e que fará muitos historiadores futuros tentar entender como isso acabou acontecendo. Dilma foi até o fim no julgamento do Senado e cumprindo o seu dever em deixar registrado na história o quanto a oposição estava errada e sendo afogados em suas próprias ambições cegamente.

O documentário começa com a voz do Presidente atual Jair Bolsonaro votando contra a Presidente na Sessão da Câmara que desencadeou o impeachment. Isso é proposital, já que ali estava a peça fundamental que se tornaria o estopim do nosso cenário atual nebuloso e dos quais os golpistas da direita nem estavam prevendo. Tiraram uma Presidente do poder sem prova concreta, prenderam posteriormente Lula e abrindo caminho para um autoritarismo disfarçado de Democracia. Como Dilma disse em seu último dia como Presidente: “A história será implacável com os que hoje se julgam vencedores”.

Verdade seja dita, a vinda do coronavírus serviu para escancarar de uma vez por todas a cilada que todos nós os brasileiros haviam caído e provando cada vez mais que somos um país hoje dividido entre a razão e a insanidade do fascismo. "Alvorada” é um pequeno, porém, poderoso registro histórico e que serve de prelúdio para o cenário nebuloso e genocida em que todos nós atualmente estamos enfrentando.  


Nota: O filme pode ser visto também por locação no Google Play Filmes.

 

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