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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Cine especial: “Boca a Boca”


Para poder ficar curioso e sem conter Spoiler, deixo aqui, uma pequena contribuição sobre o seriado “Boca a Boca” lançado pela Netflix em 2020. Basicamente este texto poderia ser iniciado com o resumo simplificado do seriado: “Em uma cidade do interior do Brasil, o pânico se espalha quando uma doença misteriosa transmitida pelo beijo contamina os adolescentes” (Fonte: https://www.netflix.com/br/title/80994298 Visualizado em 28/07/2020).
Entretanto, prefiro começar com uma visão mais ampla do que foi observado. De acordo com Esmir Filho o diretor do seriado, ele apresenta o vírus do conservadorismo”. Não somente o vírus do conservadorismo mas de diversas diferenças sociais expostos diariamente, nos noticiários. O tempo, a trama, o visual e a ideia do seriado inevitavelmente, nos apresenta a situação vivenciada por nós, atualmente, o Covid -19.
Boca a Boca conta a história de uma cidade fictícia chamada Progresso e esta cidade cinematográfica, fica localizada em Goiás Velho, perto de Brasília. A comunidade começa a ser acometida com um vírus que infecta os jovens pelo beijo e esta relação de vírus, espera pela cura, divisões sociais e a ganância dos que são mais abastados é bem comparada a nossa situação atual. Os elementos de brasilidade são o ponto forte desta série. A trilha sonora é sensacional e cabe um destaque do hit em versão rave da música “boi da cara preta” que ao longo do seriado, vai nos dizer muito sobre o verdadeiro problema da cidade.

O típico tratamento do passado colonial
Temos uma reflexão garantida do processo de colonização realizado no Brasil, com a fazenda que observamos no seriado chamada Colônia. O Brasil passa aqui de uma forma muito natural e as relações de emprego são diferenciadas pelo seu status. O outro aqui, é um ser passivo e que percebe o seu não pertencimento ao mundo da Colônia. A relação de trabalho é dando moradia, alimentação e um salário mínimo de trabalho porém, quando não se está mais apto a realização do trabalho na Colônia, o dono te dispensa, não se importando com suas condições de saúde pois, “as regras são claras e expostos a estes empregados desde o início”.
Além disso vale fazer um destaque na menina negra do seriado. Esta, nos apresenta as suas dificuldades e barreiras para estar inserida em determinados meios sociais, porém, ela possui uma diferença dos demais, elas se impõe e nos apresenta seu local de fala.

As inspirações do diretor
O diretor apresenta em sua inspiração o quadrinho Black Hole e o filme chamado “Os Famosos e os Duendes da Morte” (2010).

As duas inspirações tratam de assuntos parecidos com o que está sendo abordado no seriado e, de como isso se reflete nos dias atuais. A ideia do diretor era falar sobre assuntos como a chegada do HIV, que dividiu demais as relações sociais quando descoberto e assuntos que possuem um quadro social de preconceito contra algumas raças, classes sociais e corpos. Segundo o diretor a ideia era partir para um quadro deste tipo, porém, o lançamento coincidiu com o momento pandêmico que nos encontramos e o jogo por assim dizer, virou.
Um dos fatores relevantes do seriado é a questão de termos necessidades que se aplicam como urgentes e a tolerância que nos parece ser fácil, porém, isso eu deixo como um ponto de vista a ser pensado.

Conclusão
Ainda não temos retorno do diretor sobre uma continuação do seriado, devido ao momento pandêmico que estamos sofrendo. Tomei cuidado com a escrita e evitando contar os segredos de Boca a Boca, pelo fato, do seriado possuir apenas 6 episódios, isso estragaria a curiosidade dos leitores em ao menos dar uma olhada e conhecer os fascinantes protagonistas deste seriado. Seria de muito agrado poder saber como as coisas se desenrolaram na cidade de Progresso, depois dos acontecimentos que foram observados. A indicação que fica é a de ver o seriado com os olhos bem abertos e com a mente no modo aceite o inesperado.

Referências:
Página oficial da Netflix. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/80994298 Visualizado em 28/07/2020.
PRISCO, L. “Boca a boca é sobre o vírus do conservadorismo”, diz diretor Esmir Filho. Disponível em: https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/boca-a-boca-e-sobre-o-virus-do-conservadorismo-diz-diretor-esmir-filho. Visualizado em 28/07/202.

Postado por: Ana Lúcia Schmidt Castelo
Centro/RJ, Brasil.
Mestranda em Administração, graduada em Pedagogia, Arquivologia e concluindo a graduação em Letras. Apaixonada por cinema com preferência por filmes de terror e colaboradora do Blog: “Cinema cem anos de luz, Arte e reflexão” do amigo Marcelo Castro Moraes.

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