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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississippi














Sinopse: Laura se casa com Henry McAllan e sua nova família se muda para uma fazenda no delta do Rio Mississipi. Lá, uma família negra, os Jackson, são responsáveis por ajudar no trabalho pesado com o plantio e a colheita. O pai idoso de Henry, Poppy McAllan, luta para manter os privilégios dos brancos no terreno, enquanto o irmão de Henry, Jamie, desenvolve uma boa amizade com os caseiros por compartilharem traumas da guerra. Um violento conflito marca a convivência entre os McAllan e os Jackson.
  

Produção exibida e aplaudida no Festival de Sundance em 2017, e que se registra o segundo filme da roteirista e diretora Dee Rees. Ela já havia chamado atenção em seu primeiro longa metragem, o provocante Pariah, do qual havia sido sucesso de crítica quando exibido em vários festivais no ano de 2011. Mudbound é um drama poderoso, cujo roteiro é dividido sob diversas linhas temporais para se apresentar a trama e seus respectivos personagens que irão se encontrar em determinados pontos da história.
Rees deixa claro quais são suas intenções para o filme já no início da trama, quando ela cria inúmeras narrações em off para cada um dos seus personagens principais e das quais vão se alinhando uma na outra. Um destes personagens é Laura (Carey Mulligan, do drama As Sufragistas, 2015), uma mulher tímida que se apaixona pelo ambicioso Henry (Jason Clarke, de Planeta dos Macacos: O Confronto), que a leva para viver em uma fazenda arruinada, onde sempre está chovendo. Outro narrador é Jamie (Garrett Hedlund, de Tron: O Legado, 2010), irmão de Henry, que retorna da Segunda Guerra Mundial como um homem destruído, viciado em bebida, mas cujo suas boas virtudes são percebidas por Laura. 
Outro jovem que sobrevive à cruzada na Alemanha Nazista apenas para ser recebido em seu país pela pobreza e racismo é Ronsel (Jason Mitchell de A História do N.W.A), o filho mais velho de uma família de humildes trabalhadores rurais, interpretados por Rob Morgan e pela cantora Mary J. Blige, que apesar da pobreza e dificuldades que enfrentam, continuam a manter viva a esperança de conseguirem um pedaço de terra para dizer que pertencem a eles.
Baseado no livro da escritora Hillary Jordan, Mudbound possui um rico e melodramático mosaico de personagens. Rees e seu co-roteirista Virgil Williams nunca se perdem na construção da narrativa, mesmo tendo inúmeros personagens, ou com as alterações da época e dos seus cenários que reconstituem os períodos. A trama se envereda para temas que vão desde a família, alcoolismo, racismo, as feridas psicológicas do pós-guerra, e sobre como é difícil lutar pelo bendito, para não dizer hipócrita, sonho americano e especialmente num lugar como o sul dos EUA dos anos quarenta.
Trata-se de uma história forte, da qual Rees consegue passar todo o poder, o lado emocional que contem em sua obra e que consegue se conectar facilmente com o cinéfilo que assiste. Mudbound poderia facilmente cair na vala comum do previsível, mas aqui é tudo feito de um modo pensado e se tornando algo que não é facilmente esquecido. Além de possuir um roteiro redondo, com começo e meio e fim, o filme possui ouros pontos positivos para serem destacados.
A bela fotografia de Rachel Morrison sintetiza o lado cru do principal cenário da trama, assim como o figurino e edição de arte, sendo esses últimos realistas e muito fieis a época. A edição (ou montagem) de Mako Kamitsuna se torna dinâmica, onde se alinha com fluidez as linhas narrativas com os seus inúmeros personagens. Com relação ao elenco, Rees foi feliz no processo, pois dá a entender que todos foram escolhidos a dedo.
Todos os desempenhos funcionam de uma maneira inesquecível, onde até mesmo os que têm poucos momentos em cena acabam então se destacando. Hedlund, por exemplo, passa charme e talento quando surge sempre em cena, especialmente quando seu personagem retorna cheio de cicatrizes emocionais após a guerra. Mitchell, Mulligan, Morgan e Blige, todos entregam atuações primorosas e se entregando a  realidade apresentada na tela. 
Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi é uma prova que a cineasta Dee Rees deixou de ser uma promessa e se confirmando como uma de muitas que estão despontando numa área que antes era somente dominada por homens em Hollywood.



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